Após manifestações de Fed, Greenspan e S&P, mercado começa o dia de mau humor

Nos EUA, Fed reduz previsão para PIB e Greenspan reforça cautela com bancos; no Reino Unido, rating tem perspectiva negativa

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SÃO PAULO – Se os mercados globais esperavam um motivo para a realização de lucros, nesta quinta-feira (21) eles possuem pelo menos três. A minuta da última reunião do Federal Reserve, os discursos cautelosos e perspectivas de corte de ratings se unem nesta sessão, pressionando as bolsas europeias e os futuros dos Estados Unidos.

E não é apenas o mercado acionário que sofre. Com a maior aversão ao risco, o mercado internacional de commodities também registra um forte movimento de queda. Na LME (London Metal Exchange), as cotações do cobre e do zinco caem 3,5%, seguidos pelo níquel, que recua 2,8%. No mesmo sentido, o petróleo cai mais de 2% tanto em Londres quanto em Nova York.

A agenda carregada de indicadores econômicos relevantes também contribui para a cautela. Para esta manhã, são esperados os dados do Leading Indicators e do Philadelphia Fed Index, a serem divulgados às 11h00 (horário de Brasília). Antes, porém, os investidores avaliam o mercado de trabalho através dos números de pedidos de seguro-desemprego, com divulgação marcada para 9h30.

Minuta do Fed

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Passando aos motivos do mau humor dos mercados nesta manhã, o principal se deve à mudança de tom do Federal Reserve. Embora tenha ressaltado os sinais de estabilização da economia norte-americana, a ata da reunião dos dias 28 e 29 de abril mostrou uma preocupação ainda grande com os riscos de declínio econômico.

O documento trouxe nova revisão das estimativas para o PIB (Produto Interno Bruto) do país, que deverá cair entre 1,3% e 2,0% em 2009, se recuperando em 2010, com projeção de crescimento de 2% a 3%. Anteriormente, o banco esperava uma queda de 0,5% a 1,3% em 2009 e expansão entre 2,5% e 3,3% em 2010.

Bancos em perigo

Como segundo motivo, pode ser listada a declaração do ex-presidente do Fed, Alan Greenspan, de que os bancos norte-americanos ainda precisam levantar grandes quantias de capital. A fala do economista se une àquelas que criticaram o “otimismo” dos testes de estresse de 19 instituições financeiras.

“Ainda há uma grande necessidade de capital não-financiado no sistema de bancos comerciais nos Estados Unidos”, afirmou Greenspan. Segundo ele, há ainda um sério potencial de que aconteça uma crise hipotecária no país.

Indo de encontro às declarações do ex-presidente do Fed, o Financial Times informou que o Bank of America planeja pagar o empréstimo governamental de US$ 45 bilhões até o final de dezembro deste ano, mostrando que o banco está confiante em sua estratégia de levantar capital.

Ações de rating

Dentre os principais motivos para a trajetória declinante das bolsas nesta sessão, especialmente em Londres, está a revisão da perspectiva dos ratings “AAA” do Reino Unidos pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s. A instituição rebaixou a perspectiva de estável para negativa devido ao crescimento da dívida da região.

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A ação acontece poucos dias após a Moody’s rebaixar o rating soberano do Japão de “AAA” para “Aa2” e eleva as especulações acerca de uma revisão também do rating dos Estados Unidos.

México e Brasil

Na América Latina, o PIB também ganha destaque. O México divulgou o desempenho de sua economia no primeiro trimestre deste ano, período no qual o indicador registrou contração de 8,2%. A forte queda ficou levemente acima das estimativas, de recuo de 8%.

Já no Brasil, o governo anunciou uma nova revisão das projeções para crescimento do PIB neste ano. Em vez da expansão de 2% anunciada há dois meses, as estimativas agora apontam para um avanço de 1% na economia brasileira. Embora abaixo da anterior, a previsão supera a expectativa do mercado que, conforme o relatório Focus, espera uma contração de 0,49% neste ano.

No cenário corporativo, ficam em destaque as especulações de que a siderúrgica Nippon Steel pode estar perto de fechar o preço dos contratos de minério de ferro, com um desconto entre 30% e 35% em relação ao ano passado. Por aqui, os rumores podem se refletir principalmente no desempenho dos papéis da Vale, que está em Tóquio, no Japão, negociando o reajuste.