Após longo rali em 2012, HSBC reduz projeções para setor de educação

Apesar dos bons fundamentos do setor, analistas do banco preveem que a evolução forte deve estacionar a partir de 2015

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SÃO PAULO – O setor de educação, apesar de estar com desempenho robusto na bolsa, poderá começar a perder o fôlego a partir de 2015, avalia o HSBC, que revisou as recomendações para as ações. Na visão do banco inglês, apenas a Estácio (ESTC3) deve ter desempenho acima da média. Os preços-alvos das ações, contudo, foram revisados para cima, na esteira dos bons fundamentos das empresas.

Em novembro do ano passado, a mesma sugestão era estendida aos papéis da Anhanguera (AEDU3) e da Kroton (KROT11). Agora, ambas estão classificadas como abaixo da média. No acumulado dos últimos 12 meses, Anhanguera, Estácio e Kroton já subiram 65%, 100% e 107%, respectivamente, contra alta de apenas 12,75% do Ibovespa, segundo cotações tiradas da tarde desta sexta-feira (5).

O HSBC reconhece que as três empresas têm apresentado sólidos resultados, mas acredita que o bom momento não deverá passar de 2014. Segundo a equipe, o número de calouros de ensino superior começará a cair em breve devido a limitações no número de formandos do ensino médio. O mercado privado atingirá o pico de cerca de 5,5 milhões de matrículas em 2015 e depois declinará para uma taxa de crescimento anual de 0,9% no período de 2015 a 2022.

Quase toda a queda o volume de admissões – que deverá ocorrer em breve – será concentrada no setor privado, principalmente no segmento de ensino presencial, conforme avalia o estudo. Em 2014, o segmento atingirá o pico de 4,5 milhões de matrículas e, depois, recuar para 4,0 milhões em 2022. Já o total de matrículas no segmento de ensino à distância privado apresentará uma modesta taxa de crescimento anual de 3,8% no período de 2010 a 2022.

Anhanguera
Os analistas dizem que gostam da proposição de valor clara da empresa: ser uma prestadora de ensino superior de baixo custo para trabalhadores adultos. Eles também salientam o bom momento de suas matrículas na divisão presencial e do melhor desempenho da divisão de ensino à distância.

Para o time de avaliação, a margem Ebtida (lucro antes de juros, imposto, depreciação e amotização) continua a apresentar evolução, à medida que a Anhanguera melhora as operações das empresas adquiridas, incluindo a Uniban, embora a concretização dessa expansão seja mais lenta que o anteriormente esperado. “Apesar disso, a nosso ver, as boas perspectivas já estão relativamente bem precificadas nas ações”, acrescentam.

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Estácio
Na visão de Luciano Campos e Caio Moscardini, o perfil risco/recompensa da companhia é bem equilibrado da empresa principalmente em função de seu crescimento da receita e expansão da margem Ebtida – ambos reduzindo a diferença em relação a seus pares domésticos. Eles adicionam que os drivers da empresa não estão totalmente precificados nas ações.

“A Estácio é a única empresa para a qual aumentamos as premissas de receita e margem Ebtida, pois esperamos a revisão para cima dos números do consenso com a continuidade do bom momento em 2012”, avaliam.

Kroton
Os riscos associados às avaliação das últimas aquisições da Kroton começam a pesar nos números, conforme dizem os analistas. Segundo o HSBC, a empresa registrou recuo acima do esperado nas matrículas da Uniasselvi durante este ano, levando a queda nas premissas de receita no período e nos próximos anos. “Também estamos intrigados por nossas estimativas de Ebitda estarem muito acima do consenso do período deste ano até 2016”, adicionam.

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Confira as previsões:

Empresa Ticker Recomendação anterior Nova Recomendação Preço-alvo anterior Novo preço-alvo Upside
Anhanguera AEDU3 Acima da média Neutra R$ 34,00 R$ 37,00 8,82%
Estácio ESTC3 Acima da média Acima da média R$ 30,00 R$ 41,00 15,17%
Kroton KROT11 Neutra Abaixo da média R$ 33,00 R$ 38,00 4,22%