Após IPCA, Itaú e Bradesco cravam novo corte na Selic este mês

Apesar de não ser o cenário-base, o Bradesco não descartou revisões para mais cortes se o cenário se mantiver
(Foto: Divulgação/Montagem/InfoMoney)
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SÃO PAULO – Após a divulgação dos dados do PIB (Produto Interno Bruto) e IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) nestas duas últimas semanas, o mercado passou a rever sua visão de que os cortes na Selic haviam terminado. E nesta sexta-feira (9) foi a vez dos dois maiores bancos privados do País publicarem relatórios revisando o cenário para a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do dia 21 de março.

Segundo o Bradesco, os dados correntes corroboram tanto inflação quanto juros menores em 2018, mas por outro lado surge uma discussão sobre assimetrias para o crescimento e a taxa de câmbio. “Para a inflação, as informações mais recentes mostraram que não são apenas os preços de alimentos que têm contribuído para a queda recente dos índices, mas também os núcleos, o que nos motivou a revisar a projeção do IPCA deste ano para baixo, de 3,9% para 3,5%”, explicam os economistas do banco.

Enquanto isso, mesmo que os dados de atividade econômica mostrem uma recuperação do cenário, o banco levanta dúvidas se a intensidade não será um pouco menor do que se tem discutido. E é neste ambiente que o Bradesco diz que vê um cenário favorável para que o Banco Central corte a taxa básica de juros para 6,5%, deixando ainda a possibilidade para rediscutir novamente mais cortes na Selic caso este cenário se mantenha.

Já o Itaú Unibanco segue a mesma linha de que as surpresas com os dados recentes abrem espaço para o BC manter o ciclo de cortes, mas neste caso, os analistas cravam que a autoridade monetária irá interromper as reduções de juros.

“Conquanto dados mais fracos de inflação e atividade econômica justificam este corte, não esperamos que a taxa de juros da política monetária caia além de 6,5%, dado que o Copom deve continuar enxergando convergência em direção à meta em 2019”, afirmam os analistas. Eles explicam que pesa para a análise de fim do ciclo o “quadro de recuperação da atividade econômica, os efeitos defasados da política monetária […] e o balanço de riscos no cenário internacional, que se tornou menos favorável recentemente devido à perspectiva de mais altas de juros nos EUA e incertezas eleitorais na Europa”.

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de fevereiro ficou ligeiramente acima do esperado pelo mercado, acelerando de 0,29% para 0,32%, enquanto as estimativas apontavam para uma alta de 0,31%. Na comparação anual, a inflação cresceu para 2,84%, se mantendo abaixo do piso da meta de inflação de 3%. Este é o menor patamar para o período desde 1999, quando avançou 2,24%. Em entrevista para a Bloomberg, Daniel Weeks, economista-chefe da Garde, destacou que o resultado do IPCA sacramenta a possibilidade de novo corte de juros em março.

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Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.