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Investidores apostam que o movimento de corte de juros pelo Federal Reserve nos Estados Unidos começará apenas a partir da reunião de 17 de setembro, de acordo com dados desta quarta-feira (12) da ferramenta FedWatch do CME Group. Ainda ontem, a probabilidade de corte em julho era superior, com 43% de chances mudança ante 40,9% para manutenção.

Os números foram impactados pela divulgação dos dados de Inflação ao Consumidor (CPI) mais cedo nesta manhã. A inflação subiu 0,5%, ante variação de 0,3% esperada pelo consenso LSEG. O dado corrobora com a fala de Jerome Powell, chairman do Fed, que ainda ontem mencionava ausência de “pressa” para retomada de cortes na taxa de juros.
“Esses dados podem sugerir que a recente desaceleração da inflação perdeu fôlego, mantendo-se acima da meta de 2% do Fed. Diante desse cenário, é provável que os formuladores de política monetária não cortem mais os juros esse ano”, diz Marcos Weigt, head de tesouraria do Travelex Bank.
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Há uma semana, a ferramenta FedWatch mostrava prevalência da probabilidade de corte ainda em junho, com 45,7% de chances de um corte de 25 pontos-base ante 34,1% para manutenção. Nos últimos dias, no entanto, a projeção de início dos cortes passou a ser adiada. Antes, a indicação era de que dois cortes eram esperados ainda em 2025. Agora, há apenas a previsão de mudança em setembro e manutenção nas duas últimas reuniões do ano (29 de outubro e 10 de dezembro).

Ainda que o mercado de trabalho tenha demonstrado esperada perda de força com os dados da folha de pagamento (payroll), na semana passada, as estimativas seguiam pessimistas. A criação de postos de trabalho nos EUA ficou abaixo das projeções, que já estimavam números mais fracos por questões climáticas e repercussão de incêndios na Califórnia.
Agora, investidores parecem apostar, ainda que sem muita convicção, que os cortes podem se iniciar em setembro. A probabilidade de corte para o intervalo de 400-425 ficou em 41,8% contra 41,5% de chances de manutenção no patamar atual.
“A retomada dos cortes antes disso dependerá de uma piora substancial do mercado de trabalho, que, como o payroll indicou na última sexta, não parece estar no horizonte”, considera André Valério, economista sênior do Inter.
Com uma margem tão pequena de distância, a expectativa é que os dados de Inflação ao Produtor (PPI) ajudem a definir mais o panorama. A projeção é de crescimento de 0,3% na comparação mensal.
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“O mercado de trabalho segue como variável relevante, porém, ainda que os dados sigam sistematicamente vindo abaixo das projeções, o nível de desemprego e às variáveis relacionadas à renda e consumo das famílias têm dado tranquilidade o suficiente para o FED não precise se precipitar em iniciar um ciclo de distensão por conta de eventuais temores de uma recessão econômica”, afirma Matheus Pizzani, economista da CM Capital.