Após fechar abril a R$ 4,95, dólar seguirá abaixo de R$ 5? Analistas dizem que sim

No mês de abril, a queda foi de 4,38% e de cerca de 9% no acumulado de 2026; para o Ibovespa, o movimento foi contrário

Equipe InfoMoney

Publicidade

O dólar fechou a quinta-feira em queda firme no Brasil, após uma sessão mais favorável ao risco no mercado externo, onde a divisa norte-americana e o petróleo registraram perdas expressivas, e com os agentes avaliando a decisão de juros do Banco Central, que na véspera promoveu o segundo corte consecutivo de 0,25 ponto da Selic, a 14,50% ao ano, mas mencionou a possibilidade de ajustar o ritmo e a extensão da flexibilização.

O dólar à vista fechou em baixa de 1,00%, aos R$4,9523. No mês de abril, a queda foi de 4,38% e de cerca de 9% no acumulado de 2026.

Com isso, analistas de mercado projetam o que esperar para a moeda mais à frente, com boa parte das casas seguindo otimista com a moeda no curto prazo.

Continua depois da publicidade

Leia mais: Dólar Hoje: Confira a cotação e fechamento diário do dólar comercial

Analistas ressaltam que o real apresentou ganhos entre divisas emergentes pelo cessar-fogo na guerra do Irã iniciado em abril e prorrogado indefinidamente pelo presidente Donald Trump, uma vez que os preços do petróleo permanecem em níveis elevados, favorecendo os termos de troca brasileiros.

“O real tem apresentado bom desempenho desde o início do conflito no Oriente Médio, apoiado em parte pela posição do Brasil como exportador líquido de petróleo e em parte pelo nível ainda elevado das taxas de juros”, diz o Itaú BBA em relatório que revisou projeções da casa.

As projeções de câmbio do BBA foram revisadas para R$ 5,15/US$ (de R$ 5,40/US) em 2026 e para R\ 5,35/US$ (de R$ 5,60/US$) em 2027.

A expectativa é que os fundamentos sigam construtivos, com dólar estruturalmente mais fraco e ambiente de fluxos de capital ainda mais favorável para economias emergentes. A projeção do banco considera que ainda haverá alguma depreciação da moeda ao longo do ano, tanto por cenário de maior volatilidade quando por prêmio de risco mais alto à medida que o ciclo eleitoral avança.

No mesmo sentido, Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, reforça que a atual dinâmica cambial não pode ser explicada apenas por fatores domésticos. Mesmo em dias de maior aversão ao risco, o dólar não tem apresentado uma valorização expressiva no mercado internacional, o que reduz a pressão sobre moedas emergentes. Nesse contexto, o Brasil surge como um destino relativamente atrativo, sobretudo por estar fora dos principais focos de tensões geopolíticas globais.

Continua depois da publicidade

Mesmo assim, um dos pilares do movimento que favoreceu o dólar não foi definidor para que o Ibovespa conseguisse manter a trajetória de alta vista na parte inicial do mês. Ainda assim, para analistas, a dinâmica tem menos a ver com fundamentos do que com momento global.

A B3 seguiu mostrando saída líquida de recursos estrangeiros nos últimos pregões. O saldo em abril segue positivo, em R$ 10,1 bilhões até o dia 23, mas até o dia 15 havia uma entrada líquida de R$ 14,6 bilhões. Tal capital foi responsável pelos últimos recordes do Ibovespa, que se aproximou da marca inédita de 200 mil em meados do mês.

Para a equipe da XP Investimentos, a combinação de um micro mais forte nos Estados Unidos com um rali de alívio nas bolsas globais, em meio ao arrefecimento das tensões no Oriente Médio, parece estar reduzindo a intensidade dos fortes fluxos estrangeiros.

Continua depois da publicidade

O Santander reforça em relatório de estratégia que o sell-off recente do mercado brasileiro foi provocado principalmente por rotação global de fluxo, e não por deterioração dos fundamentos domésticos.

Juros

Outro pilar importante é o diferencial de juros. As taxas elevadas no Brasil continuam funcionando como um ímã para o capital estrangeiro, especialmente para investidores interessados em renda fixa, que conseguem combinar retorno elevado com um grau razoável de previsibilidade.

Esse fluxo ajuda a explicar a força do real, mesmo em um ambiente externo mais instável. Além disso, o perfil do país como grande exportador de commodities — como petróleo, minério de ferro e grãos — tende a reforçar o ingresso de dólares em momentos de incerteza global, quando esses ativos ganham relevância.

Continua depois da publicidade

Na leitura de Santana, a tendência de apreciação do real pode continuar no curto prazo, já que o dólar ainda encontra resistências técnicas importantes. A região entre R$ 4,70 e R$ 4,80 é vista como um patamar histórico relevante e tem se mostrado difícil de ser rompida de forma consistente desde 2020. Como o cenário global permanece praticamente inalterado — com conflitos em curso, juros elevados e inflação ainda pressionada —, faltam, por ora, catalisadores claros para uma reversão mais forte do movimento.

Ainda assim, o especialista ressalta que uma mudança mais significativa dependeria da política monetária dos Estados Unidos. Um início mais claro e consistente de cortes de juros naquele país poderia fortalecer o dólar globalmente e alterar o equilíbrio atual, mas esse movimento ainda não é consenso para o horizonte até o fim do ano.

A XP Investimentos aponta que, olhando mais adiante, fatores domésticos tendem a ganhar importância como determinantes da taxa de câmbio, especialmente à medida que o calendário eleitoral se aproxima. Ainda assim, a sua projeção atual de R$ 5,30 por dólar ao final do ano apresenta viés de baixa, sobretudo caso a dinâmica global favorável observada nos últimos meses se mantenha. “Em outras palavras, vemos um real mais forte ao longo de 2026, caso o ambiente observado nos últimos meses se mantenha”, avalia.

Continua depois da publicidade

Tópicos relacionados