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SÃO PAULO – O mês de maio foi caracterizado por um aumento do grau de aversão ao risco global, derivado de preocupações com o rumo da política monetária norte-americana.
O resultado foi uma correção significativa nos mercados emergentes, que vinham de um excelente desempenho desde meados do ano passado.
Os ativos brasileiros não foram exceção. O Ibovespa acumulou queda de cerca de 14% no mês passado, o risco-país aumentou aproximadamente 55 pontos-base e a taxa do contrato de DI futuro mais negociado – de janeiro de 2008 – subiu 133 pontos-base.
Câmbio se aproxima de nível mais razoável
Embora as conseqüências tenham sido bastante negativas para o mercado brasileiro, algo positivo aconteceu. Depois de ser negociado na casa dos R$ 2,05 no início de maio, o dólar comercial saltou para um patamar próximo a R$ 2,30, diminuindo a diferença frente ao que seria a “taxa de câmbio de equilíbrio”, trazendo uma melhor perspectiva para a rentabilidade das empresas exportadoras.
Obviamente, a mensuração desse patamar de equilíbrio apresenta sérias dificuldades, sendo bastante complexo determinar com precisão qual seria seu nível ideal. Entretanto, diversos analistas sugerem que um patamar entre R$ 2,40 e R$ 2,60 seria razoável para a taxa de câmbio que deveria vigorar no longo prazo.
Real vinha muito valorizado
Uma evidência de que o real estava excessivamente apreciado – apesar de bastante trivial e simplificada – está no índice Big Mac, da revista The Economist, que calcula o preço do Big Mac em diversos países.
Em sua última publicação, o índice mostrava que o produto estava cerca de 15% mais caro no Brasil do que nos EUA, indicando uma sobrevalorização da moeda brasileira frente ao dólar.
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Tendência de queda foi interrompida
Em maio, no entanto, o dólar interrompeu sua trajetória de desvalorização, em virtude da maior procura por ativos considerados de menor risco, em detrimento aos papéis de emergentes, como os brasileiros.
Resta agora saber se a moeda norte-americana retomará sua longa trajetória de queda ou dará seqüência ao movimento observado em maio, iniciando um ciclo mais duradouro de valorização.
Duração do ajuste
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Primeiramente, para determinar a tendência da taxa de câmbio no curto prazo é preciso saber qual será a intensidade e a duração da “correção nos mercados emergentes”. Se essa se mostrar mais longa e intensa, a tendência é o dólar continuar subindo, ao menos no curto período.
Contudo, ainda que a busca por ativos de menor risco perca forças em um futuro bastante próximo, parece difícil que o dólar resgate sua trajetória declinante com a mesma intensidade que vinha apresentando anteriormente.
Fundamentos em xeque
Isso porque as forças que empurravam a moeda dos EUA para baixo parecem não ter mais o mesmo vigor. O saldo comercial, sobretudo em função da expressiva apreciação do real, já dá claros sinais de diminuição.
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Dessa forma, diminui a entrada líquida de dólares no país via comercial, reduzindo a pressão sobre a taxa de câmbio. Em maio, por exemplo, as exportações brasileiras superaram as importações em US$ 3,028 bilhões, saldo 12% inferior ao observado em igual período de 2005.
Via financeira também pode sofrer
Outra força que vinha levando o dólar para baixo refere-se às transações financeiras. Diante de um enorme diferencial entre os juros praticados internamente e no exterior, investidores estrangeiros se viam atraídos pela melhor rentabilidade relativa dos ativos nacionais, inundando de dólares o mercado de capitais brasileiro.
Ocorre que esse diferencial de juro, ainda que permaneça em níveis bastante altos, sofreu significativa redução. Enquanto o Brasil vem enfrentando um ciclo de afrouxamento monetário, os EUA passam por um período restritivo desse ponto de vista.
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Para se ter uma idéia, a taxa Selic foi reduzida em 4,5 pontos percentuais, passando para 15,25%. Já o juro básico norte-americano foi elevado por 16 vezes consecutivas, atingindo 5,00% ao ano.
Volatilidade assusta investidores
Por fim, há ainda um terceiro fator que pode inibir um excesso de oferta de dólares no mercado doméstico. Se antes o mercado brasileiro vivia um “mar de rosas”, a volatilidade voltou no mês de maio com grande força.
Junto a ela, vem o risco de perdas mais significativas, fazendo com que muitos investidores permaneçam à margem dos ativos nacionais.
Dólar abaixo de R$ 2,00: pouco provável
Em resumo, embora ainda haja vetores que podem pressionar a moeda norte-americana – como a manutenção de um diferencial de juro ainda significativo e a continuidade de saldos comerciais positivos -, esses vêm perdendo forças, o que parece tornar pouco provável um cenário anteriormente ventilado, de um dólar abaixo de R$ 2,00.