Após discurso do Fed, BofA segue apostando em “operação twist” nos EUA

Presidente do Fed não apresenta novidades e alimenta ceticismo do BofA sobre a recuperação da economia norte-americana

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SÃO PAULO – O discurso proferido por Ben Bernanke, presidente do Fed, na manhã desta sexta-feira (26) não despertou grande agitação no mercado, que aguardava o anúncio de novas medidas para impulsionar a economia dos Estados Unidos. Ao contrário do último encontro em Jackson Hole, na qual o presidente do Fed anunciou o QE2, desta vez não foi divulgado nenhuma ação efetiva, comenta Bank of America.  

Segundo o Banco Fator, o mercado esperava sinais mais claros de uma ação do Fed, com detalhamento de algum instrumento que pudesse ser utilizado. Ao invés disso, Bernanke apenas contextualizou a atual crise, comenta José Gonçalves, economista-chefe do banco, em relatório.

O presidente do Fed acredita que a recuperação econômica dos EUA está mais lenta do que o previsto, em virtude dos problemas enfrentados pelo país desde a crise de 2008. No discurso, Bernanke frisou o nível extraordiariamente alto de desemprego, com quase metade dos desempregados no país fora do mercado de trabalho por mais de 6 meses.

Além do mais, o economista Michael Hanson do Bank of America aponta que Bernanke proferiu 15 vezes mais as palavras política fiscal do que política monetária, enfatizando a importância de reorganizar o papel da política fiscal para servir de suporte ao crescimento econômico.  

Operação Twist
“Nós achamos que o Fed terá que reduzir sua projeção de crescimento mais para frente”, destacou o BofA. “Continuamos a esperar que uma nova estratégia de estímulo será adotada nos próximos meses: uma operação twist passiva, onde o Fed reinveste hipotecas pré-pagas no final da curva do yield, ajudando a conter qualquer pressão de alta nos yields dos títulos públicos”, completou.

O ceticismo de Hanson acerca das medidas do Fed para ajudar a economia dos Estados Unidos vai além. Segundo ele, “neste ponto, as medidas tomadas pelo Fed são mais simbólicas do que um vetor para resgatar o fluxo financeiro no país”.