Após Copom, bancos revisam projeções e veem Selic até 7% ao final do ano

Comunicado considerado "dovish" após a decisão do Copom em cortar os juros a 7% fez com que muitas casas de análise revisassem o cenário para as próximas reuniões

Publicidade

SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária) fez o esperado na noite da última quarta-feira (26) ao decidir pelo corte em 1 ponto percentual da Selic, para 9,25% ao ano. Porém, isso não quer dizer que os integrantes do Comitê não tenham surpreendido o mercado, que passou a refazer as contas sobre os cortes nas próximas reuniões em meio ao tom “dovish” (brando) do Copom no comunicado da decisão.

Desta forma, diversos bancos e consultorias econômicas revisaram as suas projeções para a Selic no final do ano, com algumas casas chegando chegando a projetar que os juros encerrarão o ano a 7%.

Confira as novas projeções do mercado para a Selic. 

BofA – 7,25% ao final de 2017

O Bank of America Merrill Lynch reduziu a projeção da Selic no final de 2017 de 7,75% para 7,25%. “A linguagem do comunicado do Banco Central mostra possibilidade de novo corte da Selic em 1 ponto percentual na próxima reunião. Com isso, revisamos a nossa projeção para a Selic de final de ano de 7,75% para 7,25%”, aponta o relatório assinado por David Beker, chefe de economia e estratégia do Bank of America Merrill Lynch no Brasil.

De acordo com os economistas, o comunicado sugere disposição em manter o ritmo de corte na reunião de setembro. Agora, o BofA espera corte de 1 ponto em setembro, seguido por duas reduções de 0,50 ponto percentual, em outubro e dezembro.

BTG Pactual – 7,5% ao final de 2017

O BTG Pactual, por sua vez, revisou o final do ciclo de corte da Selic para 7,5%. “O mero fato do Copom considerar expressamente a possibilidade de mais um corte de 1 ponto em setembro já indica que o final do ciclo deve ficar abaixo dos 8%”, dizem os economistasdo BTG Pactual Eduardo Loyo e Claudio Ferraz.

“O BC disse no comunicado que deve estender o ciclo se a conjuntura permanecer a mesma, o que reforça a percepção de que a política monetária pode sair do patamar de neutralidade”, afirmam os economistas do banco. O BTG Pactual espera mais um corte de 1 ponto na próxima reunião e um corte final de 0,75 ponto em outubro, chegando a 7,5%.

Nomura – 7,5% ao final de 2017

Já a Nomura cortou a estimativa de 8% para 7,5% para o fim do ano. Segundo o economista João Pedro Ribeiro, o comunicado do Banco Central fornece uma referência explícita à continuidade do ritmo atual de corte em setembro, levando a Nomura a acreditar que outra redução de 1 ponto deva ser o cenário base.

Os riscos associados a previsões de política monetária mais frouxas permanecem, particularmente relacionados a iniciativas de reformas fiscais/políticas relevantes no Congresso. O BC projeta a inflação abaixo do seu objetivo de 4,50% no próximo ano, assumindo uma taxa Selic de 8%.
Contudo, Ribeiro afirma: o impacto até agora limitado da incerteza política não significa que seja irrelevante.

Safra – 7% ao final de 2017

Já o Safra revisou a projeção Selic no final de 2017 de 7,5% para 7%. Segundo Carlos Kawall afirmou em entrevista à Bloomberg, o BC deve cortar taxa básica de juros em 1 ponto percentual na reunião do Copom de setembro, reduzir em 0,75 ponto em outubro e fazer corte de 0,50 ponto em dezembro. 

A projeção anterior era de redução de 0,75 ponto na reunião de setembro, seguida por três cortes de 0,50 ponto, com a Selic chegando a 7% no primeiro trimestre de 2018. 

A redução de projeção de IPCA de 2018 para 4,3%, mesmo com Selic a 8%, e ausência de repetição da ideia de desaceleração moderada do ritmo de flexibilização em comunicado do Copom influenciaram a revisão, afirmou Kawall. 

Goldman Sachs – 8% ao final de 2017

Segundo o Goldman Sachs, o BC tem espaço para validar a expectativa de juro a 8% ao final de 2017. “É bastante relevante que, sob o cenário de mercado, a inflação projetada para o final de ano de 2018 tenha melhorado em 20 pontos-base desde o Relatório Trimestral de Inflação de junho, para 4,3%, abaixo da meta”, afirma o banco.

“Isso implica que, neste momento, tudo o mais constante, o BC tem espaço para adotar e validar a expectativa do mercado de uma taxa Selic a 8,00% no final de 2017 e permanecer constante nesse nível ao longo de 2018 e ainda atingir o objetivo de inflação no final de 2018, com espaço de sobra. 
Em outras palavras, tudo o mais constante, o Copom poderia potencialmente reduzir um pouco mais do quea curva está precificando ou cortar mais rápido que o mercado espera sem comprometer a conquista da meta de 4,50% no final de 2018. Assim, o Copom deixou a porta bastante aberta para uma possível repetição de um corte de 100 pontos-base em setembro”, afirma. 

Revisões de cenário

LCA Consultores

Ainda sem revisar o cenário, a LCA Consultores apontou em relatório: o Copom sugere que Selic pode ser reduzida para 8% (ou até menos). A LCA ressalta que o comunicado da decisão sofreu diversas modificações importantes, a começar por demonstrar menor preocupação com relação aos impactos da crise política sobre o cenário macroeconômico.  “Outras duas mudanças importantes foram: (i) a exclusão do ano-calendário de 2017 do horizonte relevante para a política monetária, indicando que suas decisões serão doravante tomadas com vistas exclusivamente ao ano-calendário de 2018; e (ii) a inclusão, entre os ‘ajustes necessários à economia’, de reformas ‘creditícias’ – em referência à MP 777 que cria a Taxa de Longo Prazo. O comunicado reiterou que a evolução desses ajustes ‘é importante para a queda das estimativas da taxa de juros estrutural'”, apontam.

Por fim, diz a LCA, – e talvez a alteração mais importante do comunicado do ponto de vista da sinalização -, o Copom suprimiu a frase do comunicado anterior em que afirmava entender como adequada à reunião seguinte “uma redução moderada do ritmo de flexibilização monetária”, para passar a afirmar que ” para a próxima reunião, a manutenção deste ritmo [de flexibilização de 100 pontos-base] dependerá da permanência das condições descritas no cenário básico do Copom e de estimativas da extensão do ciclo ” “Ou seja, se não houver surpresas no caminho, a Selic será reduzida a 8,25% em 06 de setembro”, afirmam os economistas.

O cenário base da LCA antevê que, no ciclo em curso de flexibilização, a Selic seria reduzida a 8,5% até o final de 2017. Contudo, as principais alterações promovidas no comunicado de política monetária sugerem que o Banco Central está inclinado a promover uma redução mais rápida e maior da Selic. Assim, a LCA afirmou que pode reavaliar o cenário.

Itaú Unibanco

Após o Copom, o Itaú Unibanco manteve a previsão de que Selic deve recuar 0,75 ponto em setembro, ainda que veja o comunicado divulgado pelo Copom indicando inclinação a repetir o corte de 1 ponto no próximo encontro, segundo relatório do Itaú assinado pelo economista-chefe Mário Mesquita.

“Nós ainda vemos um caso para desaceleração do rito de alívio, dada a crescente incerteza sobre as importantes reformas fiscal e institucional, assim como diante do estágio do ciclo; então, por ora, nosso call segue que o próximo movimento será de 75pbs (o que já será um alívio relativamente acelerado)”, destaca o economista. O cenário será revisado com divulgação da ata do Copom. 

(Com Bloomberg)

Autor avatar
Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.