Após Copom avançar com corte da Selic, BNP espera aumento do PIB e inflação

Segundo banco francês, BC está testando os limites da inflação ao pisar no acelerador com a taxa básica de juro

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SÃO PAULO – Após a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de acelerar o ciclo de alívio monetário ao cortar a Selic em 75 pontos-base, frente às reduções anteriores de 50 pontos, o BNP Paribas resolveu revisar todo o cenário para a economia brasileira para este ano e o próximo.

Primeiramente, a previsão da taxa básica de juro ao fim de 2012 caiu, de 9,5% ao ano para 8,5%. Além disso, o banco francês acredita que, com o estímulo do Banco Central, a economia agora deve crescer mais. A estimativa de PIB (Produto Interno Bruto) para 2013 foi a 5,5%, contra um consenso de 4,0% do mercado. A inflação também deve ser maior, de 6,7% no ano que vem, estourando a meta.

A instituição é bem taxativa quando fala dessa perspectiva de forte afrouxamento. A ideia é de que a autoridade monetária pisou no acelerador para baixar a Selic, fazendo com que a economia entre na velocidade de “turbo”, mas quebrando os limites de velocidade representados pelos preços. “Eles vão conseguir evitar um acidente na estrada com a inflação?” , questiona o BNP em relatório. 

Possíveis motivações
De acordo com o banco, existem diversos catalisadores para essa aceleração dos cortes realizados pelo BC. Entre elas, está o “tsunami monetário” citado pela presidente Dilma Rousseff após as injeções de liquidez na Zona do Euro, que vem pressionando a cotação do real frente ao dólar e ao euro e supervalorizando a moeda brasileira, com grande fluxo de capital estrangeiro por aqui.

Além disso, ainda há riscos quanto à expansão da atividade econômica no mundo todo, apesar de indicadores dos Estados Unidos indicarem recuperação e a China mostrar que a contenção de seu crescimento não será tão intensa. Com essas motivações, o BNP vê a possibilidade de a Selic ser ainda menor do que o imaginado inicialmente.

A projeção agora é de que na próxima reunião do Copom, em 18 de abril, a redução seja novamente de 0,75 ponto percentual, com um novo corte de 0,5 p.p. no encontro de 30 de maio. Isso traria a taxa de juro para uma nova mínima histórica, abaixo dos 8,75% alcançados ente a metade de 2009 e de 2010.

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Inflação preocupa
O maior temor é quanto à inflação. Enquanto o consenso é de 5% para o ano que vem, o BNP já vê o índice ultrapassando o teto da meta, de 6,5%. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) é aguardado em 6,7%. Até lá, diz a instituição, é desafio da autoridade monetária conseguir reverter o ciclo para um afrouxo, a fim de conter os preços.

Parte desse movimento deve vir, diz o documento, por causa do reaquecimento do setor de serviços causada por essa impulsão do Copom à economia. O PIB agora deve subir 5,5%, segundo o banco, pressionando o mercado de trabalho. A taxa de desemprego já atingiu baixos patamares da série histórica, e não há muito espaço para quedas maiores.

Por isso, o BNP diz: “se eles se preocupam com a inflação, as autoridades devem eventualmente ser forçadas a apertar [o ciclo monetário] novamente, no ano que vem”.