Após “calmaria”, dólar volta a subir e fecha acima de R$ 2,36

Cotação mostrou queda nos últimos dias mesmo sem notícias favoráveis a isso; gerente da NGO Corretora espera ainda mais altas até o final do ano

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SÃO PAULO – O ano passado terminou com bastante pressão sobre o câmbio, principalmente por causa do cenário negativo da macroeconomia no Brasil e com a retirada dos estímulos nos EUA. Porém, se todos temiam a disparada do dólar em 2014 em meio aos riscos de um corte do rating brasileiro, até a última segunda-feira (20), o mercado não indicava este cenário. Até o dia 20, a moeda norte-americana acumulava no ano uma desvalorização de 2,2%.

Mas o que ocorre na sessão desta terça-feira (21) volta a chamar atenção para o cenário em geral e comprova o que analistas dizem desde o final do ano passado: sem uma melhora da situação, não tem como o dólar não subir. O dólar comercial registrou ganhos de 0,34%, cotado a R$ 2,3600 na compra e R$ 2,3615 na venda. Durante a manhã, a divisa chegou a subir 1,22%, atingindo R$ 2,3670 na venda.

Segundo o gerente da NGO Corretora de Câmbio, Sidnei Nehme, após um momento de maior calma no mercado, a fragilidade de nossa economia volta a chamar atenção. Segundo relatório assinado por ele, mesmo com as recentes captações feitas pela Petrobras (PETR3; PETR4) e pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), saída de recursos do País ainda supera a entrada.

Outro fator que comprova esse cenário é a balança comercial brasileira, que mantém o desempenho fraco de 2013 e já registra até a terceira semana do ano um déficit de US$ 2,049 bilhões, com uma média diária de exportações superior em 1,5% ao mesmo mês de 2013.

Ele destaca ainda que mesmo o juro alto não tem atraído o capital dos japoneses, tradicionais investidores no Brasil. “Observa-se agora que os investidores globais acentuam a preferência por papéis de países como Portugal, Espanha e Irlanda, até recentemente cambaleantes economicamente e que agora vem se revitalizando e se colocam como mais atraentes do que o Brasil, eivado de incertezas”, afirma no relatório.

EUA no radar
“Está prevalecendo no mercado internacional a notícia de que o Fed pode promover mais um corte igual no estímulo na próxima reunião e o real está seguindo nessa esteira”, afirmou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.

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Segundo notícia publicada na versão online do Wall Street Journal, o Federal Reserve pode anunciar novo corte de 10 bilhões de dólares no programa de compra de títulos na reunião de 28 e 29 de janeiro, reduzindo ainda mais a oferta global de liquidez.

A reportagem veio após dados fracos sobre o mercado de trabalho norte-americano levantarem dúvidas sobre a recuperação dos EUA e o futuro do estímulo monetário.

“Alguns dados já haviam sugerido que o enfraquecimento no mercado de trabalho era temporário. A notícia do Wall Street Journal foi só a cereja no bolo”, afirmou o tesoureiro de um banco internacional.

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R$ 2,60 até o final do ano
Esperando que as
pressões de demanda ganhem forças ainda neste 1º trimestre do ano, o diretor da NGO mantém a projeção de que o dólar chegue a R$ 2,50 até o final de março e estenda as altas até R$ 2,60 no fim do ano.

Com Reuters


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.