Após cair 4% e bater R$ 3,65, dólar ameniza perdas com rolagem menor do BC

Mercado é todo euforia após mais uma fase da Operação Lava Jato ser deflagrada

Publicidade

SÃO PAULO – O dólar e juros futuros amenizam perdas nesta sessão por conta de uma rolagem menor de swaps por parte do Banco Central. Mais cedo, o câmbio chegou a um dólar para R$ 3,80  após a Polícia Federal realizar busca na casa do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Lula foi alvo de mandado de busca e apreensão e de condução coercitiva (quando o investigado é levado para depor). O Ministério Público Federal diz que Lula foi um dos principais beneficiários dos delitos cometidos no escândalo de desvio de dinheiro da Petrobras (PETR3; PETR4). 

Depois de marcar queda de 3,8% na mínima do dia, o dólar comercial ameniza o movimento nesta tarde e registrava às 14h31 (horário de Brasília) perda de 2,08%, a R$ 3,7215 na compra e R$ 3,7230 na venda. O dólar futuro para abril, que chegou a cair 3,7%, aparece com queda de 2,21%, a R$ 3,742. Essa é a quarta queda consecutiva do dólar futuro, acumulando recuo de 6% no período. 

O BC colocou hoje 8.000 de um total de 9.600 contratos de swap cambial em rolagem. “O BC pode reduzir a rolagem de swap cambial para conter a volatilidade”, disse Juliano Ferreira, estrategista da Icap do Brasil à Bloomberg. Segundo ele, é possível que a autoridade monetária reduza a rolagem a partir de amanhã com o volume colocado hoje podendo ser referência.  Além disso, a rolagem parcial sinaliza que o BC pode agir em movimento repetino.

Forte apreciação do real
Para o diretor de câmbio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, o dólar teria espaço para cair até R$ 3,60 com novos fatos sobre a Lava Jato, estendendo para – no máximo – uma queda até R$ 3,50, com uma mudança de governo. Para ele, no entanto, boa parte desse movimento já foi precificado pelo mercado, não tendo mais tanto espaço para Bolsa subir e o dólar cair, principalmente quando olha-se para o cenário externo, com o risco global baixo, depois de ativos de risco já terem andado bastante lá fora, enquanto não há sinais de reversão dos preços das commodities. 

Além do dólar, os juros futuros também recuavam nesta sessão. Os contratos juros futuros mais longos eram os que mais caíam, com o DI para 2021 recuando 0,39 ponto percentual, para 14,60%, enquanto o DI para 2017 opera com leve baixa de 0,01 p.p. a 14,03%. Na semana, os DIs para 2021 atingiram queda de 118 pontos base na mínima do dia. 

Segundo a corretora japonesa Nomura, os desdobramentos da Lava Jato permitem uma compressão da curva, com novo alvo de 20 pontos-base para inclinação da curva DI de janeiro 2017 a 2021. Na mesma linha, a gestora Quantitas comentou que a curva DI tem espaço para ceder mais, dado que ainda não há informação suficiente para precificar 100% uma possível mudança de governo. Por enquanto, “há apenas uma precificação parcial”. 

Continua depois da publicidade

Além do cenário interno, o mercado acompanha também dados do relatório de emprego dos EUA, divulgado nesta manhã. A criação de vagas em fevereiro foi de 242 mil contra 190 mil esperados. Já a taxa de desemprego ficou estável em 4,9%, em linha com o esperado pela mediana das expectativas dos economistas. A decepção ficou por conta dos ganhos por hora trabalhada. O americano médio se viu com uma perda salarial de 0,1%, contra uma expectativa de crescimento 0,2%. 

Leia também:

Carteira InfoMoney tem 4 novas ações para março; confira

Continua depois da publicidade

André Moraes diz o que gostaria de ter aprendido logo que começou na Bolsa