Economia brasileira

Após boa surpresa no PIB do 2º tri, indústria volta a decepcionar e esfria expectativa de recuperação

Economistas são praticamente unânimes ao ressaltar que atividade brasileira ainda caminhará a passos bastante lentos 

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SÃO PAULO – Após a surpresa positiva da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2019 – ao subir 0,7% frente os primeiros três meses do ano e guiando uma alta acima da esperada para a economia brasileira, de 0,4% -, os dados desse setor voltaram a decepcionar. 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (3) que a produção industrial brasileira teve queda de 0,3% em julho na comparação com junho, sendo a terceira queda mensal seguida e o pior resultado para o mês desde 2015, enquanto os economistas consultados pela Bloomberg esperavam alta de 0,5%. Na comparação anual, a baixa foi de 2,5%. 

Conforme ressalta a equipe econômica do Bradesco, os bens de consumo evitaram resultados piores, com aumento de 0,8% na base mensal (alta de 0,5% para bens duráveis e de 1,4% para bens não duráveis), compensando a queda de 0,4% no mês anterior.

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Por outro lado, bens de capital (queda de 0,3% na base mensal versus baixa de 0,4% em junho) e bens intermediários (baixa de 0,5% versus queda de 0,6%) continuaram apresentando fraqueza.

Assim, os números jogaram um “balde de água fria” entre aqueles que estavam animados com os dados do PIB acima do esperado divulgados na semana passada. 

Economistas de bancos e consultorias são praticamente unânimes ao destacar que a economia ainda caminha a passos bastante lentos, apesar das perspectivas mais positivas para um futuro próximo.

Conforme destaca a equipe de análise econômica da XP Investimentos, a indústria de transformação continuou sem fôlego em julho de 2019, enquanto a indústria extrativa deu continuidade à sua tendência de recuperação. No entanto, ambas ainda não retornaram ao patamar pré-crise, de janeiro de 2014. Assim, mesmo com a leitura positiva apresentada pelo PIB no segundo trimestre, a indústria brasileira iniciou o terceiro trimestre do ano com viés negativo (veja a análise clicando aqui).

“No futuro, esperamos que o setor industrial se beneficie da recuperação econômica projetada, impulsionada por baixas taxas de juros reais, queda dos juros, aumento da confiança dos negócios e expectativa de aumento dos investimentos. Contudo, ele continuará enfrentando ventos contrários com a atividade em declínio na Argentina e um peso fraco (vale destacar que o mercado do país vizinho é essencial para as exportações brasileiras de manufaturados)”, aponta o Goldman Sachs em relatório. O Bradesco também avalia não ver recuperação no curto prazo para a atividade.  

Tanto a perspectiva de recuperação é lenta que o Itaú Unibanco projeta uma baixa de 0,2% do PIB do terceiro trimestre de 2019 com ajuste sazonal ante o segundo trimestre de 2019.

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Assim, o PIB do Brasil ainda apresenta uma recuperação bastante frágil, uma vez que a atividade teve uma queda de 0,1% no primeiro trimestre, alta de 0,4% no segundo.

De acordo com o Itaú, não há sinais de recuperação nos componentes relacionados a investimento – bens de capital e insumos para construção civil. A produção de insumos para construção civil, apesar de ter aumentado ligeiramente no mês (alta de 1,1%), ainda está abaixo do nível de abril de 2019. Por sua vez, a produção de bens intermediários atingiu patamar semelhante a abril deste ano, quando registrou-se o menor nível desde a greve dos caminhoneiros.

“A indústria brasileira vem apresentando um quadro de estagnação crônica derivado de problemas persistentes de competitividade e produtividade. Não apenas que a produção industrial no Brasil tem se descolado da produção industrial do resto do mundo como também que esse descolamento tem sido cada vez maior desde meados de 2011”, avalia a equipe de análise econômica da XP Investimentos. 

Porém, a XP continuamos esperando que o PIB cresça 0,4% no terceiro trimestre na base trimestral, ainda que a leitura desta terça traga um viés negativo a essa projeção.

Desta forma, com a nova queda, a indústria opera 18,3% abaixo do pico de produção registrado em maio de 2011. Para voltar ao patamar de 8 anos atrás será necessária não só uma melhora do setor externo. O Brasil também deverá fazer a sua lição de casa. 

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