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Após blue chips, small caps podem liderar nova alta da Bolsa, diz André Moraes

Analista prevê que o capital estrangeiro deve entrar primeiro em ações mais líquidas e, depois, buscar oportunidades em varejo e construção

Bruno Nadai

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Uma eventual nova alta da Bolsa brasileira deve começar pelas blue chips, mas as maiores oportunidades podem aparecer posteriormente entre as small caps.

Segundo André Moraes, analista, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos, o capital estrangeiro tende a entrar primeiro em ações de maior liquidez, como Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e bancos (IFNC), antes de avançar sobre empresas mais sensíveis aos juros e à atividade econômica.

Nesse segundo momento, setores como varejo (ICON) e construção civil (IMOB) podem ganhar protagonismo à medida que as ações mais líquidas ficarem mais caras. A velocidade dessa rotação, porém, dependerá principalmente do comportamento do petróleo e do ritmo de queda da Selic.

Em entrevista ao InfoMoney durante a Expert XP 2026, Moraes explicou por que as grandes empresas devem liderar a entrada do capital estrangeiro, apontou os setores que podem se beneficiar na etapa seguinte e analisou os fatores capazes de antecipar ou adiar essa migração para as small caps.

Blue chips abrem caminho

A primeira etapa de uma nova arrancada da Bolsa depende mais do capital internacional do que do investidor local. Segundo Moraes, investidores de varejo e instituições ainda permanecem pouco posicionados em ações, o que aumenta a importância do fluxo estrangeiro para sustentar uma alta mais ampla.

“Hoje, o varejo e as instituições não estão tão comprados em Bolsa e, por enquanto, não se agitaram para comprar; o que acontece é que a gente depende do dinheiro gringo para subir”, afirma Moraes.

Nesse cenário, o investidor estrangeiro não procura apenas ações com potencial de valorização. Ele também precisa encontrar liquidez suficiente para montar posições relevantes e, sobretudo, deixar o mercado rapidamente caso as condições mudem.

Por isso, a liquidez tende a definir a porta de entrada do capital internacional na Bolsa brasileira.

“O gringo, quando chega, quer liquidez. Então, no primeiro momento, as mais beneficiadas são as empresas de maior liquidez na Bolsa”, explica.

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Petrobras, Vale, Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), WEG (WEGE3) e Embraer (EMBJ3) aparecem, assim, entre as candidatas a liderar o início do movimento. Além de terem grande volume de negociação, são companhias conhecidas pelos investidores internacionais.

“Eu vou citar Petro, Vale e bancos, como Itaú e Bradesco, além de WEG e Embraer, que são empresas que o gringo conhece e que, se em algum momento resolver tirar o pé e ir embora, terá facilidade para sair”, detalha.

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Small caps podem assumir o protagonismo

O avanço das blue chips, entretanto, tende a preparar uma segunda etapa da alta. À medida que as ações mais líquidas sobem e ficam mais caras, o capital pode começar a buscar empresas ainda descontadas e com maior espaço de valorização.

“Quando essas empresas começam a subir e ficar caras, há uma segunda camada de ações que, na minha opinião, vai oferecer as melhores oportunidades”, sustenta Moraes.

É nessa segunda camada que as small caps podem ganhar protagonismo. Por serem mais sensíveis aos juros e à atividade doméstica, empresas de varejo e construção civil estão entre as preferidas do analista.

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Exportadoras de papel e celulose e companhias de proteína animal também entram no radar.

“Fico atento às small caps de setores como varejo e construção civil, além de algumas exportadoras de commodities, como Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11), dos segmentos de madeira, papel e celulose, e também às exportadoras de carne”, afirma.

Assim, as ações que liderarem a largada não necessariamente serão aquelas que entregarão os maiores ganhos ao longo de todo o movimento. Para Moraes, as oportunidades mais relevantes podem surgir quando o dinheiro deixar de ficar concentrado nas empresas tradicionais e alcançar papéis de menor liquidez.

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“É nessa segunda camada que, na minha opinião, estarão as maiores oportunidades”, enfatiza.

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Primeira onda já antecipou queda dos juros

A rotação em direção às empresas de crescimento não é apenas uma expectativa. Segundo Moraes, uma primeira onda de valorização já alcançou diferentes ações sensíveis aos juros, indicando que parte da Bolsa começou a antecipar um ciclo de redução da Selic.

“Já tivemos uma primeira arrancada, em que vimos muitas empresas de crescimento subirem bastante”, observa.

Moraes cita a Alpargatas como exemplo de empresa do varejo fortemente influenciada pelo nível dos juros e que já proporcionou uma oportunidade relevante de negociação.

“Eu, por exemplo, fiz um trade em Alpargatas, que é uma empresa de varejo e depende muito de juros baixos para subir. Não foi um investimento de longo prazo, mas uma operação que teve valorização relevante”, relata.

O avanço do petróleo, porém, interrompeu parte desse movimento. A alta da commodity em meio ao conflito tornou o ambiente menos favorável às empresas ligadas ao crescimento econômico e retirou força da rotação que vinha sendo observada na Bolsa.

“O mercado recuou bastante por causa do preço do petróleo, que subiu em razão da guerra”, explica.

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Petróleo pode destravar nova rotação

A normalização dos preços do petróleo pode funcionar como gatilho para uma nova fase de alta da Bolsa. Nesse cenário, o capital estrangeiro tenderia a retornar primeiro às blue chips. Posteriormente, a valorização e o encarecimento desses papéis poderiam abrir caminho para as empresas de crescimento.

“Com o retorno do preço do petróleo a condições normais, acredito que haverá uma segunda grande arrancada das empresas de crescimento”, projeta.

A intensidade desse movimento, contudo, também dependerá da trajetória dos juros. As projeções consideradas por Moraes apontam para uma redução gradual da Selic, que chegaria a 12,50% apenas no fim de 2027.

Mesmo após os cortes, o patamar ainda seria elevado e poderia limitar o ritmo de valorização da Bolsa.

“A alta do mercado será mais difícil”, alerta.

Uma surpresa positiva na inflação ou na condução da política monetária, por outro lado, poderia acelerar essa rotação. Caso a Selic recue mais rapidamente do que o previsto, o capital poderá antecipar a busca por small caps, varejistas, construtoras e outros negócios sensíveis à atividade econômica.

“Se vier algo melhor do que o esperado, essas ações de crescimento poderão acelerar muito antes do que todo mundo imagina”, afirma Moraes.