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SÃO PAULO – Até o início de novembro, o dólar comercial estava sem muitas oscilações. A moeda norte-americana não ficava abaixo de R$ 2,00 e também não passava de cotações acima de R$ 2,04. Porém, com o aumento do temor sobre o abismo fiscal nos EUA e as crises em países da zona do euro, o mercado cambial passou a testar novas altas para a moeda. Nas duas últimas semanas, a divisa subiu 2,30% e passou de R$ 2,0350 para R$ 2,0818.
Na manhã de quarta-feira (21), o dólar comercial chegou a bater o patamar de R$ 2,10, algo que não ocorria deste maio de 2009. Porém, logo em seguida, o Banco Central anunciou novas regras para os leilões cambiais a serem realizados, dando um sinal para o mercado sobre uma possível intervenção.
O pronunciamento da autoridade monetária teve um caráter muito mais burocrático, dizendo que os leilões deixarão de ser realizados na plataforma eletrônica do Sisbacen a passarão a ocorrer no BC Correio. Mas isso foi o suficiente para que as cotações segurassem os ganhos durante o início da tarde e passassem a oscilar mais próximas de R$ 2,09. Com isso, a moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 2,0944 na compra e R$ 2,0952 na venda, alta de 0,68% em relação ao último fechamento.
Nesta tarde, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a recente alta da moeda norte-americana reflete o movimento de outras moedas no exterior e que o real teve uma “flutuação normal”.
Dólar no máximo a R$ 2,12, diz especialista
De acordo com o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, pelo menos por enquanto a moeda não deve passar muito do valor visto nesta sessão. Esse movimento deve mostrar que o Banco Central está controlando o câmbio para um dólar entre R$ 2,00 e R$ 2,10, no máximo R$ 2,12. Galhardo entende que é cedo para dizer que o BC está querendo trabalhar com novos patamares.
Para José Lavia Júnior, diretor de câmbio da Fair Corretora, o governo deve aguardar e analisar o cenário externo antes de tomar alguma atitude em relação à cotação do dólar. Mesmo assim, Júnior entende que caso a moeda bata os R$ 2,10 ou passe ligeiramente deste valor, o BC deve tomar alguma atitude para segurar, pelo menos por enquanto, as cotações abaixo desse valor.
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De olho na inflação
Alguns analistas entendem que esse novo rumo para o dólar comercial deve ser guiado pela inflação. Porém, o patamar visto pela moeda norte-americana nos últimos meses, oscilando entre R$ 2,00 e R$ 2,03 e ficando acima das cotações do ano passado quando estava em R$ 1,70, não se mostrou positivo na balança comercial brasileira, com os valores registrados nas importações apresentando aumento em outubro e levando o mês de novembro para um possível novo déficit mensal desde janeiro deste ano.
Além disso, o investidor tem mostrado grande preocupação sobre o controle que o governo tem exercido em alguns setores da economia, como o caso do valor dos preços dos combustíveis. No câmbio, esse controle tem tirado o caráter flutuante da moeda, já que o Banco Central não deixa as cotações ficarem abaixo ou acima de certos patamares.
Abismo fiscal e crise europeia
No cenário externo, dois fatores principais têm criado pressão sobre a moeda norte-americana. Nos Estados Unidos, após a reeleição de Barack Obama, o mercado passou a se mostrar bastante temeroso quanto às políticas a serem realizada para evitar o chamado “fiscal cliff” (abismo fiscal) que o país pode sofrer no início de 2013.
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Além disso, a crise na Europa tem gerado um grande pessimismo no mercado. Principalmente com o impasse gerado entre o grupo de ministros de finanças da zona do euro e o FMI (Fundo Monetário Internacional) sobre um novo socorro à Grécia. Com isso, uma nova reunião deve ocorrer na próxima segunda-feira (26).