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SÃO PAULO – Acompanhando o movimento das bolsas internacionais, o Ibovespa inicia esta quarta-feira (23) em queda, com os investidores aproveitando o noticiário desfavorável da China para realizar parte dos lucros acumulados no começo desta semana. Segundo cotação das 10h24 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira recuava 0,50%, a 56.179 pontos, um dia depois de fechar no seu maior patamar desde 18 de março. Mais cedo, o índice chegou a cair 0,84%, quando bateu nos 55.987 pontos.
Na véspera, o dia foi de bastante euforia nos mercados mundiais por conta da expectativa de que o Federal Reserve retarde ainda mais o início da retirada do QE3 (Quantitative Easing), programa de estímulo do BC local que consiste na compra mensal de até US$ 85 bilhões em títulos públicos. Já nesta quarta, a China trouxe a notícia de que o Banco do Povo pode apertar a liquidez nos próximos meses em meio aos sinais de que a situação melhorou de forma bastante significativa no setor imobiliário, tirando o ímpeto dos investidores.
Diante das más notícias da China, as ações da Vale (VALE3, R$ 35,41, -1,34%; VALE5, R$ 32,42, -1,16%), que possuem uma das maiores participações na composição do Ibovespa, acompanham o movimento das mineradoras mundiais e aparecem entre as maiores quedas do índice, assim como a Bradespar (BRAP4, R$ 26,27, -1,43%), holding que detém forte participação no capital da mineradora. Juntas, estas três ações respondem por 11,1% da carteira teórica atual do índice.
Mundo X, resultados e Eletropaulo
A OGX Petróleo (OGXP3, R$ 0,42, -2,33%), outra ação com forte importância no índice (5,407% de participação), também aparece entre as maiores quedas do Ibovespa neste começo de pregão, tendo chegado a cair 7% nos minutos iniciais. No entanto, vale destacar que o baixo valor de face do papel contribui para estas variações expressivas a cada um centavo que a ação sobe ou desce. A MMX Mineração (MMXM3, R$ 0,94, -2,08%), outra empresa de Eike Batista, também sofre bastante oscilação nesta quarta.
De noticiário novo envolvendo as empresas do Grupo EBX, destaque para a publicação da Agência Estado Broadcast na noite anterior, revelando que a OSX Brasil (OSXB3) afirmou aos seus credores que, em caso de um hipotético pedido de recuperação judicial da OGX ou do não pagamento na data devida do cupom e de outras obrigações da petrolífera, não descarta uma eventual necessidade de discutir o próximo pagamento de suas obrigações.
Na agenda de resultados do 3º trimestre, a Fibria (FIBR3, R$ 28,18, -0,60%) trouxe a público seu balanço, mostrando uma reversão do prejuízo de R$ 212 milhões visto nos três meses de 2012 para lucro líquido de R$ 57 milhões no trimestre atual. A receita líquida da empresa de papel e celulose foi de R$ 1,841 bilhão, contra R$ 1,556 bilhão um ano antes, representando um crescimento de 15%. Esse avanço deve-se, principalmente, a valorização do dólar e maior volume de vendas, explicou a companhia em nota divulgada ao mercado nesta manhã.
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Entre os poucos destaques positivos desta sessão, destaca-se a Eletropaulo (ELPL4, R$ 9,82, +1,34%), cujas ações voltam a liderar os ganhos do Ibovespa após já terem subido 7,19% na véspera, fechando a R$ 9,69 – maior patamar desde abril. Analistas ouvidos pelo InfoMoney não atribuíram a alta à nenhuma notícia em especial. Porém, Luis Gustavo Pereira, da Futura Corretora, destaca que os papéis da companhia ainda acumulam perdas de mais de 40% no ano e que o movimento pode representar algum fundo fechando sua posição.
Efeito China
Os sinais de aceleração nos preços dos imóveis na China e a proximidade da terceira Sessão Plenária do 18º Comitê Central do Partido Comunista do país, em novembro, alimentaram apostas de que o governo chinês anunciará em breve novas medidas de aperto no setor imobiliário. A expectativa é de que o governo discuta planos de reformas econômicas na sessão plenária de novembro.
Ontem o Escritório Nacional de Estatísticas da China divulgou que os preços dos imóveis residenciais subiram em setembro pelo nono mês consecutivo, na comparação com o ano anterior. A alta média foi de 8,19% nos preços em comparação com o mesmo mês de 2012. No mês passado, os preços avançaram em 69 das 70 cidades pesquisadas, assim como em agosto.
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As incertezas sobre o cenário de crescimento para as empresas e os potenciais anúncios de aperto do governo no setor imobiliário têm sido suficientes para trazer cautela aos investidores e colaborou para que as bolsas asiáticas não refletissem hoje o dia positivo de ontem no Ocidente. No Japão, o índice Nikkei caiu 2%, enquanto o iene atingiu a sua cotação máxima em duas semanas e os juros de títulos de 10 anos caíram para o menor nível em cinco meses.
BCE “estressará” bancos
No velho continente, o BCE (Banco Central Europeu) anunciou que iniciará no próximo mês uma avaliação completa dos bancos de 130 instituições financeiras da zona do euro, incluindo testes de estresse, o que precisa os papéis de instituições financeiras. Ainda por lá, destaque para a notícia do jornal eKathimerini de que os integrantes da Troika (Comissão Europeia, FMI e BCE) devem retornar a Atenas em novembro para insistir em mais medidas fiscais na Grécia.
No Reino Unido, houve a divulgação da ata do BoE (Bank of England), que manteve a taxa básica de juros em 0,5% ao ano na última reunião. A autoridade monetária sinalizou que pode elevar a taxa básica de juros antes do previsto, após os membros de política monetária avaliarem que a taxa de desemprego no Reino Unido está caindo acima do esperado neste semestre.
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A temporada de resultados também ajuda a pressionar as bolsas europeias. A holandesa Heineken informou uma queda do lucro de 15% no terceiro trimestre e reduziu as suas perspectivas de ganhos para 2013; as ações da companhia chegaram a cair mais de 5%.
EUA: impactos do ”shutdown” podem ser ainda maiores
A sinalização de que os EUA manterão o QE3 por mais tempo veio após a divulgação de ontem do relatório de emprego de setembro, que veio ao mercado com atraso de 18 dias em meio à paralisação do governo e trouxe números bem piores do que o esperado – sinalizando que o país precisará de estímulos pelo menos até o ano que vem. O economista do Deutsche Bank, Jim Reid, alertou sobre os efeitos do “shutdown”, uma vez que os dados contêm informações até 12 de outubro, enquanto a paralisação ocorreu até o dia 17 de outubro, “sinalizando que os efeitos podem ser ainda maiores”.
Os mercados também seguem cautelosos à espera por novos dados norte-americanos que serão divulgados nesta sessão, que podem aumentar ainda mais as preocupações sobre a maior economia do mundo. Chamam a atenção os números de pedidos de hipotecas até 18 de outubro e os preços residenciais em agosto.
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Nos EUA, a safra de resultados segue movimentada: 40 das 50 companhias do S&P 500 divulgarão seus balanços nesta quarta antes da abertura do pregão, dentre elas Boeing, Caterpillar, GlaxoSmithKline, British America Tobacco, Nasdaq OMX e Nielsen.