Destaques da Bolsa

Após balanços, Renner cai 6% e Localiza sobe 4,5%; Oi afunda 18% na semana

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sexta-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa voltou a cair nesta sexta-feira (23), com as blue chips ligadas a commodities pressionando o índice, se descolando do otimismo após a China anunciar nesta manhã corte de juros em 0,25 ponto percentual e reduzir o compulsório bancário. Apesar das perdas, o índice encerra a semana com alta de 0,76%.

Entre os maiores ganhos da semana ficaram as ações da BR Malls (BRML3), que subiram 8,06%, cotadas a R$ 11,80, seguidas pelos papéis da Cemig (CMIG4), que subiram 5,49% favorecidas por notícias de que a companhia pode ter a chance de participar de um novo leilão do governo. No total, 5 das 64 ações do Ibovespa subiram mais de 5% nesta semana.

Já na ponta negativa, o destaque ficou para a Oi, que desabou 18,75%, cotada agora a R$ 1,95 após um relatório do Credit Suisse colocar como improvável uma fusão da companhia com a TIM. Na sequência apareceram as ações da Suzano (SUZB5), com queda de 7,56%, e das siderúrgicas Gerdau e Usiminas. Para conferir todos os desempenhos da semana, confira a ferramenta InfoMoney de altas e baixas clicando aqui.

Confira agora os principais destaques de ações da Bovespa nesta sexta-feira (23):

Hypermarcas (HYPE3, R$ 16,90, +3,49%)
A Hypermarcas está em negociações avançadas para vender sua divisão de fraldas para o grupo norte-americano Kimberly-Clark, estreitando o foco da empresa brasileira sobre produtos farmacêuticos, disse nesta quinta-feira uma fonte com conhecimento direto do assunto à Reuters. 

A fonte, que não quis ser identificada porque as negociações estão em curso, não informou o preço da transação. Um acordo será anunciado nos próximos dias, acrescentou a fonte.

Segundo o BTG Pactual, a informação não chega a ser uma novidade, já que o assunto vinha sendo comentado pelos jornais recentemente, mas, do lado estratégico, seria relevante para a companhia essa venda. Ele lembra que esse negócio tem custo em dólares e uma margem menor (entre 11 a 12%), sem falar que ajudaria na desalavancagem da empresa. “Matéria não aponta valores do acordo, mas pode fazer barulho no papel hoje”, disseram os analistas. 

Oi (OIBR4, R$ 1,95, -6,25%)
As ações da Oi deram sequência às fortes quedas dos últimos dias, em dia que somente ela e a Lojas Renner registram queda no Ibovespa. Os papéis da operadora renovam hoje sua mínima histórica, acumulando uma derrocada de 47% nos últimos 11 pregões. Todos esses dias os papéis da companhia encerrou a sessão no negativo.  

No radar da empresa, ontem o Credit Suisse divulgou relatório sobre o setor de telecomunicações. Na parte das fusões, Daniel Federle, analista do banco que assumiu cobertura do setor, acredita ser improvável uma fusão de TIM (TIMP3, R$ 8,09, +3,59%) e Oi, que poderia trazer um alívio para a alavancagem da Oi, levando a uma dívida líquida/Ebitda de 4,9 vezes para 2,3 vezes. 

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Embora positiva para a Oi, a operação não seria necessariamente positiva para a TIM, dada a complexidade para o case de investimento dos acionistas da Telecom Italia, controladora da TIM, que passariam a ter controle dividido de uma empresa alavancada, com necessidade de alto capex (investimentos em bens de capital) e significativos riscos na concessão de linhas fixas e passivos provisionados. 

O analista, no entanto, enxerga como um racional estratégico para a TIM ser um potencial comprador da Nextel, já que a aquisição poderia melhorar a posição do spectrum e aumentar o market share no segmento pós-pago (a Nextel poderia adicionar 3% de share para a companhia). Além disso, ele aponta a Vivo (VIVT4, R$ 38,50, +0,47%), ou Telefônica Brasil, com um potencial comprador da Sky Brasil, caso a AT&T decida vender. Ele reforçou as ações da Vivo como sua top pick no setor, com recomendação outperform (desempenho acima da média) e preço-alvo de R$ 44,00.

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 18,60, +0,49%; VALE5, R$ 14,98, +1,01%) perderam força após subirem forte com o anúncio surpresa feito nesta manhã pelo Banco Central da China, com o corte de juros para estimular a economia. Esta é a sexta vez que a autoridade chinesa corta os juros desde novembro. Cabe ressaltar que só duas ações do Ibovespa caem após o anúncio chinês. 

As siderúrgicas ficaram divididas na Bolsa: com a CSN (CSNA3, R$ 4,92, +2,50%) e Usiminas (USIM5, R$ 3,07, 0,00%) registrando ganhos, enquanto a Gerdau (GGBR4, R$ 5,76, -4,16%) virou para queda.

Petrobras (PETR3, R$ 9,69, -0,92%; PETR4, R$ 7,99, -0,37%)
Os papéis da Petrobras amenizaram os ganhos com a virada dos preços do petróleo para o campo negativo no mercado internacional. O petróleo brent caía 0,37%, a US$ 47,90 o barril. 

Ainda no noticiário da companhia, a estatal deve assinar contrato com a Sete Brasil para construção de 18 sondas do pré-sal no início de 2016, segundo informações do jornal O Globo.

Fibria (FIBR3, R$ 54,70, -1,48%)
Fibria fechou em queda após divulgação dos resultados. A companhia informou prejuízo líquido de R$ 601 milhões no terceiro trimestre, uma piora frente ao prejuízo de R$ 359 milhões no mesmo período do ano passado. O resultado negativo cresceu por conta da marcação a mercado da dívida denominada em dólar, ao fim de setembro, com efeito negativo de R$ 2,202 bilhões devido à valorização do dólar frente ao real. Já o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 1,55 bilhão, forte aumento frente aos R$ 613 milhões do período de junho a setembro de 2014.

Para o BTG Pactual, o resultado da companhia foi “muito forte”, com Ebitda 6% acima das estimativas, enquanto a alavancagem da empresa – medida pelo dívida líquida/Ebtida – caiu de 2 vezes para 1,5 vez, gerando um caixa de R$ 1 bilhões no trimestre. Na mesma linha, os analistas do Haitong disseram que o resultado veio acima do esperado, reforçando que até mesmo o prejuízo veio melhor, mesmo com o aumento das despesas financeiras fruto da desvalorização de 28% do real.

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O banco espera reação positiva das ações da companhia hoje, aliado ainda ao dividendo extraordinário proposto pela empresa, mesmo que esse não tenha sido uma grande surpresa. O banco reforçou recomendação de compra para as ações da empresa, em meio à combinação de crescimento, dividendos e desalavancagem. 

Além do balanço, a companhia convocou ontem uma assembleia geral extraordinária para 30 de novembro para deliberar o pagamento de dividendos intermediários no valor de R$ 2 bilhões, equivalente a R$ 3,612778081 por ação da companhia. O montante representa um dividend yield (dividendos por ação dividido pelo preço da ação) de 6,50%, considerando a cotação de fechamento do pregão de ontem, a R$ 55,52.

Localiza (RENT3, R$ 25,60, +4,49%)
As ações da Localiza dispararam na Bolsa. A companhia 
 teve lucro líquido de R$ 102,9 milhões no terceiro trimestre, resultado praticamente estável sobre o ganho de R$ 101,9 milhões obtido um ano antes. Já  o Ebitda ficou em R$ 238,8 milhões no período, queda de 1,1% sobre o resultado obtido um ano antes.

Segundo o BTG Pactual, o resultado da companhia veio melhor do que o esperado, tanto no Ebitda quanto lucro líquido, embora tenha ressaltado que a última linha do balanço poderia ter sido melhor não fosse por um débito de R$ 10 milhões de efeito de marcação a mercado, referente a um contrato de swap. Com isso, as despesas financeiras da empresa aumentaram em R$ 17,3 milhões no período, para R$ 59,7 milhões.

Apesar do volume de diárias ter ficado praticamente estável, a companhia teve queda de 2,5% na receita líquida da divisão de aluguel de carros sobre o terceiro trimestre do ano passado, para R$ 317 milhões.

Lojas Renner (LREN3, R$ 19,13, -5,76%)
As ações da Lojas Renner acentuaram as perdas durante a tarde. A companhia teve lucro líquido de R$ 96 milhões no terceiro trimestre, alta de 15,1% na comparação anual, informou a varejista nesta quinta-feira. O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado total, que inclui produtos financeiros, subiu 12,8% na mesma base de comparação e encerrou setembro em R$ 230,5 milhões. A média de estimativas de analistas apontava lucro líquido de R$ 92 milhões e Ebitda de R$ 225 milhões.

Para a Citi Corretora, a deterioração do cenário macroeconômico deve continuar pressionando o segmento financeiro, compensado parcialmente o bom desempenho do segmento de varejo. Além do mais, eles comentam que, aos níveis atuais de valuation, não há muito espaço para desapontamento nos resultados.  

O BTG Pactual também destacou, do lado negativo, o financiamento ao consumidor, que piorou puxado pelo custo mais alto de empréstimo, aumento do PIS/Cofins e mais provisões. O segmento financeiro representou 20,8% do Ebitda (Lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) consolidado no terceiro trimestre, contra 30,2% no terceiro trimestre do ano passado. O banco reiterou compra para a ação, que a tem como sua “top pick”. 

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Helbor (HBOR3, R$ 2,12, -3,64%)
As ações da Helbor caíram entre divulgação dos dados operacionais e corte de recomendação. O Bradesco BBI cortou hoje a recomendação dos papéis da companhia de outperform (desempenho acima da média) para market perform (desempenho em linha com a média), com preço-alvo de R$ 3,00 por ação. 

Sobre o prévia, a construtora mostrou que seus lançamentos caíram 75,5% no terceiro trimestre ante o mesmo período do ano passado, para R$ 79,56 milhões. Já as vendas contratadas tiveram queda de 37,8%, para R$ 165,74 milhões. Enquanto isso, a velocidade de comercialização medida pelo indicador VSO (vendas sobre oferta) foi de 6,4%, ante 10,4% na comparação anual.

No acumulado dos nove meses encerrados em setembro, os lançamentos da Helbor encolheram 73,6%, para R$ 184,35 milhões. As vendas tiveram redução de 29,6%, para R$ 521,22 milhões. A VSO ficou em 12,9%, ante 24,9% do intervalo de janeiro a setembro do ano passado.

Grendene (GRND3, R$ 17,50, -0,85%)
Fora do Ibovespa, a Grendene viu suas ações fecharem em alta após divulgar que encerrou o terceiro trimestre com alta de 5,9% no lucro líquido ante igual período de 2014, a R$ 133,5 milhões. O volume de calçados vendidos pela companhia recuou 14,4% no trimestre, para 46,9 milhões de pares, mas a receita bruta subiu 0,6%, para R$ 734,5 milhões.

No mercado interno, a retração foi de 15,2% em volume, para 36,8 milhões de pares, o que levou a uma redução de 5,8% no faturamento bruto, para R$ 556,8 milhões.

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