Após ano de negócios bilionários, quantidade de grandes IPOs deve cair em 2015

Apenas duas empresas que abrirão o capital em 2015 devem levantar acima de US$ 1 bilhão: a Univision Communications e a First Data

(Shutterstock)
(Shutterstock)

Publicidade

SÃO PAULO – Os grandes acordos dominaram o mercado de aberturas de capital dos EUA em 2014, com mais vendas bilionárias do que em qualquer ano desde a bolha das pontocom. É improvável que essa tendência continue em 2015. Da gigante chinesa do comércio eletrônico Alibaba Group Holding ao banco americano Citizens Financial Group, 16 empresas geraram recursos com aberturas de capital que superaram US$ 1 bilhão, segundo dados compilados pela Bloomberg. É o maior total desde 2000, quando 17 empresas ultrapassaram esse limite.

Duas empresas que poderão abrir o capital em 2015, e que provavelmente superarão esse limite de tamanho, são a Univision Communications e a First Data, disseram pessoas com conhecimento do assunto. Contudo, os grandes negócios podem ser menos comuns porque as firmas de private-equity já abriram o capital de muitas das empresas arrastadas durante a onda de aquisições que terminou em 2007, e o governo dos EUA fez o mesmo com as empresas que resgatou durante a crise financeira ocorrida na sequência.

“Os últimos anos do mercado de aberturas de capital vêm sendo impulsionados em grande parte por vendas grandes e generalizadas pelo governo e saídas financiadas por patrocinadores”, disse Brian Reilly, chefe de mercados de capitais internacionais da Barclays. “Esses casos já ficaram para trás, em grande parte, por isso esse ano deve ser impulsionado por uma quantidade maior de negócios de menor tamanho”.

Recorde da Alibaba

Um grande negócio que provavelmente não será igualado tão cedo é a venda recorde de US$ 25 bilhões pela Alibaba, em setembro. Embora a empresa de pesquisas CB Insights contabilize 42 empresas financiadas por capital de risco que têm avaliações acima de US$ 1 bilhão, a abundância de dinheiro no mercado privado indica que muitas serão capazes de adiar a abertura de capital.

Entre as candidatas a protagonizarem a próxima abertura de capital de destaque estão a Xiaomi, maior vendedora de smartphones da China, e a empresa de agendamento on-line de carros Uber Technologies, que foram avaliadas, cada uma, em mais de US$ 40 bilhões nas últimas rodadas de financiamento privado. A Airbnb, um serviço de aluguel de quartos para viajantes, e a Snapchat, que possibilita que os usuários enviem fotos e vídeos que desaparecem pouco depois, estariam avaliadas em US$ 10 bilhões.

Continua depois da publicidade

Qualquer uma dessas empresas poderia arrecadar mais de US$ 1 bilhão em uma abertura de capital, embora não esteja claro se elas vão querer estrear neste ano.

Entre as maiores saídas de private-equity de 2014 estão a da IMS Health Holdings, uma provedora de dados focada em serviços de saúde e financiada pela TPG Capital Management, e a da empresa de pintura de carros Axalta Coating Systems, da Carlyle Group.

Essas saídas se somaram a cerca de US$ 140 bilhões de aberturas de capital financiadas por private-equity nos últimos quatro anos, ou cerca de dois terços do volume total das IPOs.

Continua depois da publicidade

A Univision, que tem sede em Nova York e pertence ao Grupo Televisa SAB e a firmas como a Saban Capital Group, poderia estar entre as que recorrerão aos mercados públicos neste ano. Executivos da Televisa têm dito que essas firmas vão querer vender suas participações, possivelmente em uma abertura de capital, embora ainda não tenham tomado nenhuma medida pública que indique isso.

A First Data, que foi adquirida por um grupo liderado pela KKR por cerca de US$ 26 bilhões em 2007, também poderia ir ao mercado em 2015, disseram fontes com conhecimento do assunto. Nem a First Data nem a Univision iniciaram oficialmente o processo de abertura de capital, disseram as fontes, que solicitaram o anonimato porque essas informações são confidenciais. Representantes da Univision e da First Data não quiseram comentar.

“Continuaremos vendo atividade por aí, mas as maiores transações deste ano provavelmente não ocorram no setor de finanças, porque as maiores empresas já vieram ao mercado”, disse Doug Adams, um dos diretores de mercados de capitais para as Américas do Citigroup.