Após 4ª queda seguida, Ibovespa sobe 1,56% e tem melhor pregão do ano

Índice volta aos 49 mil pontos, embalado pelas blue chips Petrobras e Vale, que sobem forte, além da Gol e empresas do setor imobiliário

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SÃO PAULO – O Ibovespa conheceu, nesta quarta-feira (22), sua primeira alta em 5 pregões, ao fechar com ganhos de 1,56%, a 49.299 pontos, em mais um dia de “repique” em meio à contínua tendência de queda apontada pelos analistas de mercado. Com apenas 8 das 72 ações que compõem o índice fechando no campo negativo e importantes blue chips tendo um dia de recuperação parcial, o benchmark da bolsa brasileira teve seu melhor pregão do ano – o segundo acima de 1%. O volume financeiro negociado na Bovespa nesta sessão foi de R$ 6,50 bilhões.

Do lado macroeconômico doméstico, chamaram atenção os números do fluxo cambial no Brasil, que ficou negativo em US$ 677 milhões na semana passada, acumulando no mês saídas líquidas de US$ 1,894 bilhão, conforme informou o Banco Central. A combinação desses dois fatores levou as saídas superaram as entradas no ano passado em US$ 12,261 bilhões, o pior resultado desde 2002, o que contribuiu para uma nova alta do dólar, que fechou o dia com ganhos de 0,47%, cotado a R$ 2,3725.

Com a agenda apontando para o encontro dos principais líderes do mercado global para o Fórum Econômico Mundial, em Davos, o dia teve como destaque o noticiário corporativo. A quarta-feira marcou os discursos dos presidentes de Petrobras (PETR3, R$ 14,79, +3,07%; PETR4, R$ 15,84, +3,26%) e Vale (VALE3, R$ 31,81, +2,35%; VALE5, R$ 28,91, +1,51%) – Graça Foster e Murilo Ferreira -, que parecem ter gerado otimismo ao mercado, com as ações das duas companhias fechando a sessão em alta.

Pela mineradora, Ferreira afirmou que os fatores por trás de uma recente queda nos preços do minério de ferro na China, para uma mínima de mais de seis meses no mercado à vista, são “transitórios”, enquanto Foster destacou que a estatal vai dobrar sua produção até 2020 e triplicá-la até 2035.

CSN amplia quedas da véspera, enquanto Usiminas se recupera
As siderúrgicas voltaram a chamar atenção nesta sessão em meio à visão estrutural negativa para o setor, com a CSN (CSNA3, R$ 12,45, -1,66%) dando sequência às fortes quedas da véspera, enquanto a Usiminas (USIM5, R$ 12,83, +0,63%) viu seus papéis voltarem a subir depois de chegarem a cair 3,92% no intraday. Na véspera, a corretora do UBS Brasil apareceu como a maior vendedora de ações das duas empresas que mais caíram neste pregão, o que sinaliza uma possível saída de investidores estrangeiros – já que as corretoras de bancos internacionais geralmente têm entre seus clientes investidores de fora do País ou fundos de investimentos.

Cabe ressaltar que, mesmo num cenário negativo do setor, o Bank of America Merril Lynch reiterou a recomendação de compra para a Usiminas. Para os analistas Thiago Lofiego e Karel Luketic, a implementação de aumento de preços ao longo do primeiro semestre deve manter os ganhos fortes. Contudo, eles mantiveram a recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado) para a CSN.

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Acompanhando as ações da CSN, apenas mais 7 das 72 ações que compõem o Ibovespa fecharam o dia no campo negativo. Dentre elas, destaque também para Souza Cruz (CRUZ3, R$ 22,49, -1,14%) e LLX Logística (LLXL3, R$ 0,99, -1,00%) mostraram recuo superior ou igual a 1%.

Gol e imobiliárias se destacam na ponta de cima
Do lado de cima do dia, os papéis da Gol (GOLL4, R$ 11,47, +8,21%) lideram os ganhos do índice após a divulgação dos seus números de tráfego aérea do mês de dezembro, consolidado do quarto trimestre e do acumulado de 2013. No quarto trimestre do ano passado, a receita de passageiro por assento-quilômetro oferecido (Prask) líquida da companhia aumentou 24% ante o mesmo período de 2012.

Também na ponta positiva, chamaram atenção as altas das empresas do setor imobiliário, que, de um modo geral, têm surpreendido o mercado com as prévias operacionais do quarto trimestre de 2013, apesar dos temores e perspectivas negativas de analistas para o setor no futuro próximo. Com isso, MRV (MRVE3, R$ 8,98, +7,80%), Cyrela (CYRE3, R$ 15,30, +5,15%), Brookfield (BISA3, R$ 1,11, +4,72%), Even (EVEN3, R$ 7,79, +3,87%) e PDG Realty (PDGR3, R$ 1,84, +3,37%) fecharam o dia com ganhos superiores a 3% nesta sessão de repique para a bolsa brasileira.

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As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GOLL4 GOL PN N2 11,47 +8,21 +9,45 23,50M
 MRVE3 MRV ON 8,98 +7,80 +6,52 51,40M
 CYRE3 CYRELA REALT ON 15,30 +5,15 +6,25 108,79M
 LREN3 LOJAS RENNER ON 60,40 +4,86 -0,98 69,56M
 BISA3 BROOKFIELD ON 1,11 +4,72 -3,48 11,57M

As únicas baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CSNA3 SID NACIONAL ON 12,45 -1,66 -13,42 163,78M
 CRUZ3 SOUZA CRUZ ON 22,49 -1,14 -6,72 30,32M
 LLXL3 LLX LOG ON 0,99 -1,00 -8,33 2,68M
 BRPR3 BR PROPERT ON 17,99 -0,99 -3,28 25,70M
 QUAL3 QUALICORP ON 20,92 -0,43 -7,02 23,64M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

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 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 15,84 +3,26 692,87M 315,87M 24.497 
 VALE5 VALE PNA 28,91 +1,51 499,56M 428,97M 18.672 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 30,25 +0,23 311,02M 339,19M 14.793 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 10,00 +1,73 223,11M 121,86M 24.538 
 BBDC4 BRADESCO PN 27,49 +0,66 210,15M 168,29M 12.568 
 ABEV3 AMBEV S/A ON EDJ 17,14 +1,42 206,69M 141,27M 17.766 
 CSNA3 SID NACIONAL ON 12,45 -1,66 163,78M 87,46M 19.888 
 VALE3 VALE ON 31,81 +2,35 163,46M 136,69M 11.220 
 BRFS3 BRF SA ON 43,46 +3,03 156,45M 110,96M 8.530 
 USIM5 USIMINAS PNA 12,83 +0,63 124,59M 77,36M 17.864 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Ásia e Europa
Dia positivo também foi visto mais cedo na Ásia, com a China mostrando alívio com a queda das taxas monetárias, facilitando as decisões dos bancos centrais regionais. Enquanto isso, no Japão, o Banco Central manteve a política monetária; os investidores aguardam ainda mais sinalizações de que a autoridade monetária do país realize mais uma operação para flexibilização monetária. A Ásia seguirá no radar dos investidores, com a China apresentando a Sondagem Industrial de janeiro.

Enquanto isso, na Europa, além de repercutir a projeção de crescimento da economia mundial de 3,7% em 2014 do FMI – acima da previsão de crescimento de 3,6% divulgado em outubro -, o mercado se atentou também aos dados econômicos da Inglaterra, com destaque especial para os dados de emprego, que surpreenderam positivamente. A taxa de desemprego caiu a 7,1% nos três meses até novembro, ante previsão de ficaria em 7,2%.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.