Após 1º tri fraco, JPMorgan mantém venda para Natura: “não há conserto rápido”

Resultados foram pressionados por efeitos extraordinários, mas recuperação ainda é incerta

Erick Souza

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Loja da Natura no Shopping Anália Franco (Foto: Divulgação)
Loja da Natura no Shopping Anália Franco (Foto: Divulgação)

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A Natura (NATU3) reportou um primeiro trimestre de 2026 fraco, com prejuízo líquido de R$ 445 milhões, acima dos R$ 152 milhões negativos do ano anterior. Para o JP Morgan, essa performance reflete uma série de desafios enfrentados pela companhia ao longo do trimestre, que ainda tem um horizonte incerto pela frente.

Por isso, a casa manteve a recomendação de venda para a Natura. De acordo com os analistas, os preços atuais não compensam adequadamente os riscos oferecidos pela empresa.

Conforme a análise, o trimestre da companhia ficou pressionado pelo enfraquecimento do consumo no Brasil, desafios contínuos na Argentina e, principalmente, pelas despesas não recorrentes relacionadas à reorganização da companhia.

Para o JPMorgan, ainda que grande parte desses efeitos seja extraordinário e devam ficar para trás, o negócio ainda precisa ser testado. “O caminho para a recuperação das receitas continua incerto”, afirmam.

De maneira geral, os analistas explicam que o ambiente de consumo no Brasil continua desafiador e o relançamento da Avon ainda está em estágio inicial. O consumo no Nordeste, que é o principal mercado de venda direta da Natura, ainda segue como o mais fraco do país, por exemplo.

Para os economistas, isso significa que os custos com pesquisa, desenvolvimento e investimentos precisarão aumentar antes que os resultados e os primeiros sinais de recuperação apareçam.

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Além disso, na Argentina, a recuperação avança mais lentamente do que o esperado. A migração entre canais de distribuição ainda não foi concluída e, segundo o banco, a entrada em operação do SAP em junho adiciona mais risco de execução operacional.

Margens abaixo do esperado

Ainda que o principal fator negativo dos resultados tenha vindo dos itens extraordinários, a margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficaria em cerca de 12%, excluindo a variável. Mesmo com esse nível, o resultado estaria abaixo da margem Ebitda ajustada de 14,1% registrada em 2025.

De acordo com os economistas, essa diferença entre o ano anterior e 2026, precisará ser fechada por meio de uma recuperação da receita. Para o banco, essa recuperação ainda é incerta.

A receita líquida do Brasil caiu 5,5% na comparação anual, em moeda local. O resultado foi impulsionado pela queda nas vendas tanto da Natura (-3,0% ao ano) quanto da Avon (-13,8% a/a). De acordo com os analistas, isso ocorreu devido à redução no número e na atividade de consultoras menos produtivas e à maior exposição ao Nordeste.

Embora os título de dívida com vencimento em 2028 e 2029 estejam sendo negociados na parte mais ampla da faixa de crédito da América Latina, o JP Morgan acredita que os níveis não compensam os investidores pelos riscos envolvidos. A faixa de crédito está entre 4,5% e 9%, com rendimentos de 7% e 6,8%, respectivamente.

Junto com o balanço, a Natura afirmou que as economias geradas pelas rescisões e pelo novo modelo operacional devem começar a se refletir em melhores resultados a partir do segundo semestre de 2026.

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