Apetite por risco aumenta com indicadores e bolsas externas avançam

Na China, acomodação da atividade manufatureira é lida como bom sinal; nos EUA, mercado aguarda Bernanke

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SÃO PAULO – Após a recuperação de Wall Street na véspera, os principais índices de ações na Ásia encerraram em alta a sessão desta terça-feira (1), contribuindo também para o movimento positivo visto para os índices acionários europeus. Os indicadores econômicos tomam espaço no radar dos investidores, com bons dados na China, o que aumenta o apetite por risco e diminui a atenção que os conflitos na Líbia recebiam até então.

Os futuros norte-americanos também indicam tendência positiva para o pregão desta sessão. A atividade manufatureira chinesa mostrou acomodação em fevereiro, o que é lido como um bom sinal, pois pode ser um indício de que o PBoC (o Banco Central do país) não terá que ser tão agressivo em sua política monetária para segurar o aquecimento da economia local.

Sinais sobre o QE2
Na agenda norte-americana, são vários os números importantes, com destaque para o ISM Indústria, uma medida da atividade no país, além das vendas de veículo em fevereiro. Paul Donovan, economista do UBS, lembra que o dado da última medição alcançou o maior patamar em 38 anos, e Donovan espera que isso continue a ser observado na divulgação desta terça. 

Além dos indicadores, destaque ainda para o discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, no Congresso norte-americano. O interesse pelo pronunciamento é grande, e existe a expectativa de que Bernanke possa oferecer algum sinal sobre o horizonte em que o programa de compra de títulos público, conhecido por QE2 (afrouxamento quantitativo 2) será encerrado. 

Para o economista do UBS, de fato o tom pode ser mais otimista em relação à economia. Isso porque alguns outros membros da autoridade monetária enfatizaram, em anúncios recentes, as várias estratégias de saída à disposição do FOMC (o Copom norte-americano). 

Emprego, inflação e resultados
Já na extensa agenda de indicadores econômicos europeus, a atenção fica com a inflação e o desemprego na Zona do Euro. Segundo a Eurostat, agência oficial de estatísticas da Comissão Europeia, o CPI (Consumer Price Index) registrou variação de 2,4% em fevereiro, ao passo que a taxa de desemprego em janeiro na região foi de 9,9%.

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O bom humor em relação à China e o resultado da Fresnillo contribuem para um bom desempenho das mineradoras. Além das ações da empresa, sobem também em Londres Rio Tinto, BHP Billiton e Anglo American.  

Quase uma guerra civil
Embora o mercado venha dando atenção menor às tensões políticas internacionais, com a postura mais forte adotada por Estados Unidos e Europa, os conflitos no norte da África e Oriente Médio prosseguem. Com a escalada das hostilidades, o país beira uma guerra civil, de acordo com reportagem publicada pelo The New York Times.

Encurralado, Muammar Khaddafi, que governa o país há mais de quatro décadas, atacou oponentes em uma tentativa de recuperar o controle de cidades vizinhas à Trípoli, capital do país. Os manifestantes, no entanto, desqualificaram o levante como de pouco efeito. Khaddafi tem enfrentado uma campanha internacional para que deixe o poder. Os EUA, por exemplo, anunciaram congelamento de US$ 30 bilhões em ativos da Líbia, enquanto a Europa impôs embargo à venda de armas para o país, entre outras sanções.

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O petróleo, no entanto, opera estável, na faixa dos US$ 97 dólares em Nova York. Para o Danske Bank, o prêmio geopolítico sobre a cotação do barril de óleo deve permanecer elevado ainda por algum tempo. 

Copom dá início a encontro
No Brasil, investidores devem ser guiados pela melhora do humor internacional, mas também pela agenda interna. Nesta terça-feira, tem início a segunda reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) em 2011. A definição da nova política monetária deverá ocorrer na quarta, após o fechamento dos mercados.

Para a Ágora, queda dos juros futuros na véspera indica consolidação da aposta em elevação da Selic em 50 pontos-base, conforme aponta o consenso medido pelo Relatório Focus.

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Entre indicadores já divulgados, o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) registrou nova desaceleração da inflação na última semana de fevereiro ao marcar variação positiva de 0,49%, taxa 0,12 ponto percentual inferior àquela vista na semana anterior.