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SÃO PAULO – Se por um lado os dados do setor externo brasileiro em 2003 mostraram boas notícias, com o primeiro superávit em conta corrente desde 1999, por outro lado a queda nos investimentos estrangeiros diretos (IED) levou o país a buscar novas fontes para equilibrar seu desequilíbrio externo.
O saldo em transações correntes, que contabiliza as compras e vendas de bens e serviços com o exterior, foi positivo em decorrência do bom resultado de nossas exportações, que cresceram 21,6% em 2003, enquanto que as importações se mantiveram praticamente no mesmo patamar.
Empréstimos compensaram queda de investimento direto
Apesar do excelente resultado no saldo de transações correntes em 2003, o Brasil decepcionou na conta capital, que caiu 37,5% no último ano. A piora se deu principalmente pela queda dos investimentos diretos estrangeiros na economia brasileira, que eram de US$ 16,5 bilhões em 2002 e passaram a US$ 10,1 bilhões, o menor patamar desde 1995.
Para compensar esta queda, o governo foi obrigado a aumentar os empréstimos e emissões de títulos da dívida externa, somente possível devido à alta liquidez internacional em 2003, com mais recursos financeitos ingressando no Brasil quando os temores das eleições de 2002 se dissiparam. Como base de comparação, em 2002 tivemos a saída de US$ 5,1 bilhões de investimentos estrangeiros em carteira. Em contrapartida, em 2003 ingressaram no Brasil US$ 5,3 bilhões.
Situação do Brasil ainda não é confortável
Neste contexto, vale observar que a situação do Brasil ainda não é tão confortável, já que ainda depende da entrada de investimentos em carteira, ou seja, resultantes de investimentos em ativos financeiros, para fechar o balanço de pagamentos.
Em 2002, a necessidade de financiamento externo do Brasil era de 1,93% do PIB, registrando aumento para 2,91% do PIB em 2003, prejudicado pela queda dos investimentos diretos estrangeiros. Este é um dos motivos pelo qual o risco-país resiste em romper a barreira dos 400 pontos.