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SÃO PAULO – Estudo inédito divulgado pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) nesta quarta-feira (20) revelou que dos 31 setores exportadores, apenas 7 – ligados à produção de commodities – possuem um horizonte mais favorável.
Mesmo com as exportações brasileiras crescendo a um ritmo acelerado desde 2003, cerca de 20% ao ano, e com os preços das exportações nacionais 3,6% acima da média entre 2000 e 2006, grande parte do setor sofre com a taxa de câmbio e com os baixos preços dos seus produtos.
Crescimento só em insumos básicos
Segundo a Fiesp, o crescimento das exportações de commodities encobre a real situação dos setores exportadores, visto que apenas os primeiros possuem preços de mercado a um nível que compense a valorização do real, deixando o restantes dos setores em uma situação incômoda.
Para Paulo Francini, Diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp, as exportações estão em ritmo crescente devido à grande demanda por commodities no mercado asiático, mas alerta que, caso este cenário se altere, a tendência seria uma rápida deterioração das receitas das exportações.
80% do setor exportador na berlinda
Cerca de 80% do setor exportador está com os preços dos produtos abaixo da média dos preços das exportações, ou com tendência de queda. Conclusão, o nível dos preços não consegue compensar as perdas obtidas com a valorização do real (30% desde 2004).
Em 2005, os 24 setores que enfrentam condições desfavoráveis representaram 72% do total do valor exportado, 72,3% do valor adicionado (PIB dos setores de atividade) e 80,6% do total dos trabalhadores no setor exportador.
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Base de análise
Para realizar a análise, a Fiesp criou um indicador para situar os setores exportadores em 3 segmentos. O indicador toma como base o nível dos preços dos produtos no 2° trimestre de 2006 em comparação com a média dos preços entre 2000 e 2006. Para indicar a perspectiva de crescimento dos preços no setor, a base foi a variação dos preços entre o 2º trimestre de 2004 e 2006.
Assim, apenas 7 dos setores contam com o mercado externo favorável, 10 com mercado externo não favorável mas com margem para sustentar exportações e 14 com mercados externos não-favoráveis e sem margens.
Confira abaixo a classificação dos setores:
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Mercado externo favorável
| Setor | Desvio da média de preços | Tendência futura dos preços |
| Industrial de açúcar | 33,7% | ascendente |
| Metalurgia não-ferrosos | 26,3% | ascendente |
| Indústria do café | 25,7% | ascendente |
| Extrativa Mineral | 23,7% | ascendente |
| Extração de Petróleo e Gás | 18% | ascendente |
| Refino do Petróleo | 18% | ascendente |
| Elementos químicos | 9% | ascendente |
Mercado não favorável e com margem de crescimento nos preços
| Setor | Desvio da média de preços | Tendência futura dos preços |
| Siderurgia | 8,3% | decrescente |
| Outros produtos metalúrgicos | 2% | decrescente |
| Madeira e mobiliário | -2,1% | decrescente |
| Abate de animais | -3% | decrescente |
| Indústria de laticínios | -3% | decrescente |
| Indústria da borracha | -5% | decrescente |
| Benef. de produtos vegetais | -5,1% | decrescente |
| Fabricação de calçados | -6,3% | decrescente |
| Máquinas e tratores | -6,9% | decrescente |
| Material elétrico | -7,9% | decrescente |
Mercado não favorável e sem margem de crescimento nos preços
| Setor | Desvio da média de preços | Tendência futura dos preços |
| Químicos diversos | -10,1% | decrescente |
| Farmacêutica e de perfumaria | -10,1% | decrescente |
| Artigos de plástico | -10,1% | decrescente |
| Automóveis, caminhões e ônibus | -10,2% | decrescente |
| Outros produtos alimentares | -12,6% | decrescente |
| Minerais não metálicos | -13,5% | decrescente |
| Indústria têxtil | -14% | decrescente |
| Artigos do vestuário | -14% | decrescente |
| Agropecuária | -14,7% | decrescente |
| Papel e gráfica | -17% | decrescente |
| Fabricação de óleos vegetais | -18% | decrescente |
| Outros veículos e peças | -18,3% | decrescente |
| Indústrias diversas | -18,5% | decrescente |
| Equipamentos eletrônicos | -39,3% | decrescente |