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SÃO PAULO – No início do segundo semestre, o temor pelo double dip (ou uma nova recessão no caminho da recuperação econômica) dá o tom dos mercados, com analistas e investidores avaliando o risco do crescimento voltar ao terreno negativo. Entretanto, apesar da popularidade do assunto, grande parte dos analistas acredita que essa não é uma possibilidade com grandes chances de ocorrer. Eles citam dados econômicos positivos e embora reconheçam uma desaceleração, continuam descartando um retrocesso.
Para a AMP Capital não é diferente. Em relatório, o chefe de Estratégias de Investimentos e economista-chefe da AMP, Shane Oliver, sustenta que embora o ano de 2010 esteja mais difícil que o anterior tanto para as ações como no plano econômico, e apesar do aumento no risco de double dip, continua sendo improvável que ele ocorra.
Motivos
Oliver cita a melhora nos indicadores das condições dos negócios no mundo, a “boa forma” do setor corporativo norte-americano e o papel dos mercados emergentes, que estão em uma “siutação muito diferente dos países desenvolvidos”, em suas palavras, citando uma recuperação cíclica experimentada por esses mercados, que não apresentam problemas estruturais como EUA, Japão e Europa.
Além disso, Oliver lembra que embora a Europa esteja promovendo medidas de aperto fiscal, o mesmo não está ocorrendo nos EUA, e a política monetária está sendo mantida em niveis próximos de zero na maioria dos países desenvolvidos. Por fim, Oliver usa um dado histórico: double dips são pouco usuais, sendo que o único que ocorreu nos EUA foi na crise do início década de 1980.
E os mercados?
Geralmente, o segundo período de 12 meses após um bear market é pior do que o primeiro, lembra Oliver, dizendo que esse parece ser o caso atualmente. E como o perigo de double dip deve persistir, mais volatilidade e quedas no mercado de ações devem acontecer. Mas ainda assim, Oliver mantém a perspectiva de que ganhos razoáveis estão no horizonte dos próximos seis a 12 meses.
“Primeiramente, as ações estão baratas”, começa Oliver. Ele adiciona que o crescimento dos lucros deverá ser forte no próximo ano e que as taxas de juros devem se manter próximas de zero. “De maneira geral, acreditamos que apesar de a volatilidade continuar e porque é prematuro dizer que as ações atingiram sua mínima, a tendência geral das ações é de ganhos”, afirma.
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Assim, o investidor deve se manter atento aos spreads do mercado de crédito e aos indicadores das condições de negócios. Movimentos mais agressivos em direção a um aperto fiscal nos EUA e Japão também devem ser acompanhados de perto, bem como as medidas de aperto da China.