Resumo do mercado

Apesar de tensão política, Ibovespa futuro sobe e dólar cai seguindo alívio no exterior

Mercado começa a quinta-feira com leves ganhos mesmo sem o fim das tensões globais

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SÃO PAULO – O Ibovespa futuro segue o dia de alívio no mercado externo e sobe nesta quinta-feira (16) apesar do clima ainda de tensão, tanto com a guerra comercial entre China e EUA quanto na política nacional, com os protestos em todo o País e a ida do ministro da Educação ao Congresso.

Às 09h05 (horário de Brasília), o índice futuro tinha alta de 0,37%, aos 91.860 pontos, enquanto o dólar futuro com vencimento em junho recuava 0,14%, para R$ 4,003. O dólar comercial, porém, começa o dia subindo 0,24%, cotado a R$ 4,0059 na venda.

O mercado segue atento aos novos focos de tensão política, após a ida do ministro da Educação, Abraham Weintraub, ao Congresso e os protestos que tomaram conta do País, contra os cortes no orçamento da pasta.

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Segundo a contagem dos principais jornais, o número de cidades onde manifestantes foram às ruas varia entre 170 e 250, mas o que traz preocupação aos investidores é o cenário de aumento da impopularidade e a falta de articulação política para a aprovação dos principais projetos do governo no Congresso, como o da reforma da Previdência.

Causou maiores apreensões e repercussões negativas, a reação do presidente Jair Bolsonaro que, de Dallas (EUA), classificou as manifestações como coisas de “imbecis” e “idiotas úteis” usados como “massa de manobra”.

Além de pedir pela revogação dos cortes ou contingenciamento da Educação, os manifestantes aproveitaram para manifestar sua contrariedade à aprovação da reforma da Previdência. Ao longo de seis horas, Weintraub tentou explicar o bloqueio de verbas de universidades em audiência na Câmara, expondo mais um desgaste na relação do governo com o Congresso.

Sobre a reforma da Previdência, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse ter acertado com o comandante do Senado, Davi Alcolumbre, que irão “fazer a reforma da Previdência Social, com o governo ajudando ou atrapalhando, com ou sem redes sociais”. As declarações acontecem no momento em que a insatisfação com o Governo cresceu após uma série de derrotas no Congresso, até com parlamentares alinhados à agenda de Bolsonaro passando a criticar o presidente e seus ministros.

Na economia, o PIB do País segue sendo revisado para baixo, com as projeções apontando que a economia deverá crescer abaixo de 1% este ano, após a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). O pessimismo deriva da percepção de que o fraco desempenho do período de janeiro a março não deve mudar tanto nos próximos trimestres, já que a principal trava é a incerteza fiscal, que não deve ser diluída rapidamente.

No exterior, as bolsas asiáticas tiveram enquanto os índices futuros americanos viraram para alta ainda de olho nas divergências entre EUA e China na costura de um acordo comercial. O presidente americano, Donald Trump, assinou decreto sobre operações de empresas de telecomunicações no país, restringindo a atuação de companhias de telecomunicação chinesas nos EUA, como a Huawei.

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Já o governo chinês criticou a postura americana no caso e ameaçou retaliar novamente, caso os EUA levem adiante a ameaça de elevar tarifas sobre os produtos chineses, que até agora escapam dessa punição. Além disso, informaram desconhecer qualquer plano norte-americano de continuidade das negociações com uma visita de representantes de Washington a Pequim.

Nos indicadores, a China informou que atraiu US$ 9,34 bilhões em investimento estrangeiro direto em abril, alta de 2,8% na comparação com igual mês do ano passado. De janeiro a abril, esses investimentos aumentaram 3,5% na comparação com igual período do ano passado, a US$ 45,14 bilhões, segundo os números oficiais. Enquanto isso, o preço médio de novas moradias em 70 cidades da China subiu 11,35% em abril ante igual mês do ano passado.

As principais bolsas europeias operam, com exceção da Alemanha, em queda no início desta manhã, ainda refletindo a guerra comercial entre EUA e China, além do anúncio da Comissão Europeia de multar cinco bancos (Barclays, Royal Bank of Scotland (RBS), Citigroup, JPMorgan e MUFG) por participação em dois episódios de cartel no mercado de câmbio à vista. O valor total da multa é de 1,07 bilhão de euros.

Noticiário Político

O noticiário político fervilhou ontem com as manifestações que tomaram conta de todas as capitais do País, com estudantes e professores de escolas públicas e privadas protestando contra o contingenciamento do orçamento do Ministério da Educação, em um movimento que havia sido convocado originalmente por sindicatos contrários à reforma da Previdência.

Em longa sabatina, que começou no meio da tarde, se estendendo até as 21h, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, tentou explicar o bloqueio de verbas de universidades em audiência na Câmara, expondo mais um desgaste na relação do governo com o Congresso. O ministro provocou os parlamentares, ouviu pedidos de demissão por parte da oposição, mas também recebeu apoio de aliados de Jair Bolsonaro. Weintraub disse ainda que o presidente Jair Bolsonaro pode ter se confundido com as palavras “corte” e “contingenciamento” ao ter dito a líderes partidários, na terça-feira, que o governo não iria mais contingenciar recursos das universidades federais, ao ser questionado pelos deputados.

Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro, de Dallas (EUA), chamou de “idiotas úteis” e “massa de manobra” os manifestantes que organizaram a série de protestos contra os cortes do governo na área de Educação. O presidente classificou os protestos como algo “natural” e disse que “a maioria ali (na manifestação) é militante”. Bolsonaro afirmou ainda que não gostaria que houvesse cortes na Educação e disse que não teve saída. “Na verdade não existe corte, o que houve é um problema que a gente pegou o Brasil destruído economicamente, com baixa nas arrecadações, afetando a previsão de quem fez o orçamento e se não tiver esse contingenciamento eu simplesmente entro contra a lei de responsabilidade fiscal”, afirmou.

Sobre a reforma da Previdência, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse ter acertado com o comandante do Senado, Davi Alcolumbre, que vão “fazer a reforma da Previdência Social, com o governo ajudando ou atrapalhando, com ou sem redes sociais”. Segundo Maia, Bolsonaro está convencido da importância em realizar a reforma da Previdência com o apoio do Congresso. “O presidente, agora com a total responsabilidade no Executivo, sabe que, sem a reforma, não vai poder cumprir as promessas de campanha de geração de emprego e de melhores condições de negócios para o setor privado”, disse acrescentando que Bolsonaro reconhece a grave situação fiscal do Brasil.

Segundo a Folha, a insatisfação com o Governo cresceu após uma série de derrotas no Congresso. Até parlamentares alinhados à agenda de Bolsonaro passaram a criticar o presidente e seus ministros. A publicação destaca que integrantes de sua equipe de articulação política admitem que a tropa de defesa do presidente no Congresso é insuficiente.

Enquanto isso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou ontem que a reforma da Previdência abrirá espaço para um crescimento sustentável pelos próximos 10 a 15 anos, de acordo com a Folha. Segundo ele, sem as mudanças, o País está fadado ao baixo nível de expansão e que “o buraco negro fiscal impede investimentos”.

Ainda na política, o vereador carioca Carlos Bolsonaro compartilhou ontem em sua conta no Twitter um vídeo que trata da dificuldade do governo para aprovar no Congresso a Medida Provisória 870, que estabeleceu a atual estrutura de ministérios. Caso a MP não seja votada até 3 de junho, o próprio governo avalia que teria de recriar até dez ministérios, passando das atuais 22 pastas para até 32. “O que está por vir pode derrubar o capitão eleito. O que querem é claro”, escreveu Carlos.

Em vídeo compartilhado por Carlos, intitulado “Já está tudo engatilhado em Brasília para derrubar Bolsonaro”, o influenciador Daniel Lopez afirma que o orçamento não contempla um eventual aumento de gastos com novos ministérios. “Se eles (o Congresso) conseguirem bloquear a votação da MP e ele (o governo) voltar a ter mais ministérios, é muito provável que Bolsonaro não teria como arcar com o orçamento e cairia na responsabilidade fiscal, fazendo pedaladas fiscais, gastando dinheiro fora do orçamento”, diz ele. “É o que levou (a presidente cassada) Dilma (Rousseff) ao impeachment.”

A família Bolsonaro se vê ainda com problemas com o Ministério Público do Rio, que identificou no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, hoje senador pelo PSL-RJ, na Assembleia Legislativa fluminense, o que considerou serem indícios de uma “organização criminosa com alto grau de permanência e estabilidade”, voltada para cometer crimes de peculato (desvio de dinheiro público).

Noticiário Econômico

No âmbito econômico, seguem as revisões para baixo das previsões de expansão do PIB para este ano, por conta dos fracos números da atividade econômica. Segundo o Estadão, já há estimativas de que a economia vai crescer abaixo de 1% este ano, após a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br).

O piso das estimativas é de alta de apenas 0,5% e a maior é de 2,2%, que tende, porém, a ser revisada para baixo. Na terça-feira, o ministro Paulo Guedes admitiu que a estimativa do governo caiu para 1,5%. Parte desse pessimismo deriva da percepção que o fraco desempenho do período de janeiro a março não deve mudar tanto nos próximos trimestres, uma vez que a principal trava é a incerteza fiscal, segundo economistas, que não deve ser diluída rapidamente, aponta a publicação.

O governo corre um alto risco de descumprir em 2022 o teto de gastos, dispositivo que impede o crescimento das despesas públicas para além da variação da inflação. A avaliação é da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal, que prevê a permanência desse cenário até 2030. Para 2019 e 2020, as chances de rompimento do teto são baixas, e para 2021, moderadas, diz o relatório.

O Estadão destaca ainda que a equipe econômica pretende ampliar a agenda de revisão de subsídios para incluir em sua mira benefícios bancados por meio da conta de luz, que foram turbinados durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, mas nunca revertidos. Só no ano passado, esses incentivos drenaram R$ 19,2 bilhões dos consumidores, um valor 262% maior que em 2007, já descontada a inflação do período.

Noticiário corporativo

Com o final da safra de resultados corporativos, o balanço dos resultados apontou que a paralisia da economia afetou a rentabilidade das empresas listadas em Bolsa no primeiro trimestre. O Estadão destacou levantamento da Economática apontando que o lucro líquido de 231 companhias abertas totalizou R$ 20 bilhões, queda de 5,74% sobre janeiro a março de 2018. Os dados excluem os bancos, a Vale, a Petrobrás e a Oi, por distorcerem os resultados. A queda da rentabilidade das empresas refletiu, em boa parte, essa frustração de expectativas de melhoria com o novo governo.

A possibilidade de mudanças no programa habitacional Minha Casa Minha Vida (MCMV) por parte do governo de Jair Bolsonaro trouxe má impressão aos empresários da construção civil, que reclamaram ter ficado de fora das discussões até aqui e ainda criticaram as propostas em estudo, que foram divulgadas, de acordo com o Estadão. O governo cogita mudar o subsídio dentro do programa habitacional, com a intenção de doar terrenos públicos nas regiões metropolitanas para as construtoras e financiar as obras por meio de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A construtora ainda ficaria responsável por administrar o condomínio, depois de pronto, durante um período em torno de 20 a 30 anos.

Segundo o Valor Econômico, o Ministério da Economia pretende acabar com o monopólio do Banco do Brasil na concessão do crédito rutal com subsídio. A instituição consegue oferecer taxas menores, subsidiadas pelo Tesouro, com uma equalização das taxas com custos em torno de R$ 10 bilhões ao ano.

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