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SÃO PAULO – Aclamado desde o início do ano como um dos setores preferidos dos analistas, o consumo e varejo permanece liderando as carteiras recomendadas para fevereiro, apesar do desempenho negativo das ações das principais empresas do setor em janeiro. Boas perspectivas para a economia brasileira e a forte resiliência do consumo são as principais razões para apostar nas companhias.
Para as Lojas Renner (LREN3), as perspectivas são divergentes, com os concorrentes superando a empresa tanto na análise de múltiplos como na avaliação da marca frente aos consumidores.
Setor de consumo em alta
Apesar da desaceleração do crescimento no último ano, o setor já vinha de crescimento, de 4,7% no volume de vendas e 9,4% na receita nominal de 2008 para 2009, segundo dados do IBGE (Insituto Brasileiro de Geografia e Estatística), citado pelos analistas Renato Prado e Ronaldo Kasinsky, do Banco Fator Corretora.
Se no ano que passou os segmentos de hiper e supermercados, artigos farmacêuticos e perfumaria foram os que mais cresceram, para este ano o maior potencial de avanço é atribuido ao segmento de internet e varejo têxtil. “Eles respondem mais rapidamente ao crescimento econômico, mas possuem maiores riscos associadas à suas atividades, em razão de sua dependência da concessão de crédito”, avaliam.
Sobre este aspecto, que mostra evolução de cerca de 15% no ano passado, as perspectivas são positivas para este ano também, com as projeções da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) estimando aumento na concessão de crédito na casa de 18,4% a 18,6% para 2010.
Para fevereiro, os analistas Marianna Waltz e Mário Bernardes Junior explicam que, pela sazonalidade, a tendência é de menor demanda por itens de maior valor agregado. Com relação aos itens de vestuário, um dos produtos da Lojas Renner, os gastos tendem a aumentar no período, o que é positivo para a empresa.
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A questão da sazonalidade também é citada pelos analistas da Coinvalores. “O primeiro trimestre do ano costuma ser mais fraco que os outros para o setor de varejo – por conta de renda comprometida com impostos, gastos com educação, e pela ausência de datas comemorativas”, explicam. Por outro lado, indicadores favoráveis – como o aumento de 0,6% do índice de confiança do consumidor medido pela FGV (Fundação Getulio Vargas) em janeiro e as perspectivas otimistas para os balanços do setor são dados positivos.
Sobre esse ponto, o Barclays traça uma perspectiva de longo prazo e acredita em resultados sólidos de varejistas brasileiras para este ano. A analista Marthe Shelton espera melhora nas margens, embora sem mostrar crescimento espetacular no top line.
Resultados
À espera do balanço do quarto trimestre do próximo ano, o ponto destacado pelo Coinvalores foi a perspectiva de aumento no guidance da empresa em 2010, maior do que o registrado anteriormente em 2009. A recomendação dos analistas da corretora é de compra para a ação.
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No terceiro trimestre de 2009, a empresa conseguiu mostrar não apenas melhora na comparação trimestral, como evolução com base nos resultados do mesmo período de 2008. A estimativa é que, para o acumulado de 2009 a receita líquida aumente 6% frente a 2008, enquanto o lucro líquido deve mostrar elevação de 5,7%.
Valuation: riscos se sobrepõem
Já Prado e Kasinsky, do Fator, justificam sua recomendação não atraente para os papéis com base no potencial de valorização limitado, sobretudo. “A não integração da cadeia de confecção e varejo também é uma desvantagem em relação a alguns de seus principais concorrentes”, adicionam os analistas.
A aceitação mais fraca das coleções da marca também entra como os riscos relacionados à ação, na visão dos analistas. Por outro lado, a empresa é forte no quesito fidelização, desde a criação do cartão Renner em 2007. Atualmente, segundo apresentação institucional da empresa, há 14,7 milhões de cartões emitidos, representando 61% das vendas totais da companhia. Na comparação com os concorrentes, é a terceira maior base de private label do País.
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Outro ponto ressaltado sobre o cartão é que um total de 98% dos clientes pagam as contas do cartão na loja, e 30% deste montante decide por fazer novas compras no dia do pagamento, considerado um ponto positivo.
Com relação aos múltiplos, o P/L (relação entre preço e lucro esperado) é de 27,5 vezes para 2010 e 19,4 vezes para 2011, mais caro do que os pares do setor. A margem Ebitda (relação percentual entre geração operacional de caixa e receita líquida) por sua vez, se mantém inconstante sem apresentar crescimento sólido, atingindo 13,4% no último resultado apresentado.
Desde 2005 a empresa também oferece empréstimos – R$ 24,9 milhões no terceiro trimestre de 2009 -, títulos de capitalização, vendas financiadas e seguros, em parceria com a Porto Seguro. No total, os serviços financeiros responderam por R$ 27,4 milhões do resultado do período, fazendo com que o Ebitda de operações de varejo (que exclui esse resultado e contabiliza apenas a operação principal da loja, isto é, as vendas do varejo), ficasse em R$ 46,5 bilhões, com margem Ebitda de 9,6%.