Apesar de recuo do IPCA, mercado vê inflação fora do centro da meta em 2012

Focus projeta alta da Selic para 10% em 2013, após recuo para 9% em 2012; pressões de inflação persistem, segundo analistas

Publicidade

SÃO PAULO – Apesar do cenário de menor recuperação do índice de preços em 2012, reforçado pela divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, o mercado ainda espera com cautela a divulgação dos próximos passos da política monetária brasileira para fazer estimativas sobre o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). É o que avaliam a LCA Consultores, a Elite Corretora de Câmbio e a Concórdia Investimentos sobre o Relatório Focus, que aponta para um cenário de inflação fora da meta no ano, apesar do menor crescimento econômico. 

De acordo com a equipe da LCA Consultores, o mercado aguarda a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) na reunião desse mês para rever o cenário de inflação para 2012 e 2013. Para os economistas da consultoria, se o corte for de 75 pontos-base na Selic, as projeções para o IPCA terão aumento moderado no período. Isso devido às perspectivas de aceleração da atividade e dos preços a partir do segundo semestre desse ano.

Ainda de acordo com a consultoria, o mercado espera que a taxa Selic encerre o ano a 9%, com mais um corte de 75 pontos-base. A partir de 2013, mas com um ajuste gradual da taxa básica, chegando a uma taxa de 10% em junho do próximo ano.

De acordo com o analista da Concórdia Investimentos, Flávio Combat, as fontes estruturais de pressão inflacionária continuarão operantes – com o mercado de trabalho aquecido, o crédito em expansão e a forte inflação de serviços. Além desses, com a perspectiva de aceleração da atividade a partir do segundo semestre desse ano, o BC deverá elevar os juros, como forma de controlar o aumento da demanda. 

Inflação fora do centro da meta
Já de acordo com os analistas da Elite Corretora de Câmbio, apesar do recuo, o mercado espera uma inflação maior do que a esperada há um mês, quando a estimativa estava em 5,24%, e agora está em 5,27% para esse ano. Isso acontece apesar da divulgação do Relatório Trimestral de Inflação na última semana, que mostrou cenário de convergência da infação em 2012 e maior aceleração no próximo ano.

Os economistas da LCA ressaltam que o BC segue frisando na contribuição desinflacionária da economia internacional. Para este anos, a autoridade monetária projeta inflação de 4,4%, número abaixo do centro da meta, com aumento para 5,2% em 2013. Entretanto, as projeções do mercado seguem mais altas, indicando que ele ainda não conta com a convergência da inflação para patamares próximos ao centro da meta.

Continua depois da publicidade

Taxa de câmbio mais desvalorizada
A expectativa de manutenção do ritmo de ajuste da Selic deve pesar nas próximas semanas para o atual nível cambial permanecer constante, avalia Combat. As recentes iniciativas anunciadas pelo governo também ajudam a evitar uma sobrevalorização do real, afirma o analista, destacando a possibilidade do Tesouro reforçar a compra de dólares para pagamento de dívida externa.

Entretanto, ele avalia que, por ora, “medidas mais restritivas de controle de capitais não devem ser tomadas, sobretudo porque a evolução do cenário internacional ainda é demasiadamente nebulosa e não permite políticas que afugentem completamente o capital internacional”.

Autor avatar
Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.