Apesar de afastar risco de maior inflação, Meirelles sinaliza corte tímido da Selic

Copom deverá promover apenas uma redução tímida dos juros; governo confunde austeridade com excesso de conservadorismo

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SÃO PAULO – Após o otimismo do mercado ser abalado pelas notícias desfavoráveis no aspecto político, foi a vez do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, pressionar ainda mais os ânimos dos investidores nesta sexta-feira, durante um evento no Rio de Janeiro.

Neste sentido, Meirelles declarou que, embora o risco de descontrole inflacionário esteja afastado, o Banco Central continuará sendo firme na aplicação da política monetária, de forma a manter a inflação bem distante. Em outras palavras, a política monetária provavelmente continuará sendo restritiva, com cortes modestos da taxa Selic nos próximos meses.

“Banho de água fria” no mercado

As declarações de Henrique Meirelles foram mal avaliadas pelos investidores em geral, uma vez que estes projetavam uma redução mais agressiva da Selic na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), entre os dias 22 e 23 de junho. Atualmente, a taxa Selic encontra-se no patamar de 26,0% ao ano, após uma redução de apenas meio ponto percentual na reunião de junho. Dessa forma, esperava-se uma redução em até dois pontos percentuais, para 24% ao ano, em julho.

As perspectivas de maiores cortes fundamentavam-se na tendência de queda dos preços apresentada nas últimas semanas e também na análise do comportamento do Copom por ocasião de sua última reunião. A lógica é bastante simples: em junho, o Comitê tinha justificativas para um corte de apenas meio ponto percentual na Selic, visto que os preços caíam apenas no atacado, mostrando certa resistência no varejo. Dessa forma, era necessária cautela na decisão de forma a possibilitar maior recuo dos preços ao consumidor.

Entretanto, a retração dos preços verificada nas últimas semanas e corroborada, inclusive, pelos preços ao consumidor (IPCA, IPC-Fipe e INPC), dá ao Copom uma maior margem de manobra, possibilitando quedas mais expressivas dos juros ainda no curto prazo. É importante destacar que, num primeiro momento, a deflação é um bom sinal, visto que indica recuo dos preços; porém, uma deflação persistente esconde um desequilíbrio maior, que é a retração da atividade econômica.

Austeridade versus conservadorismo extremado

Dessa maneira, a manutenção de elevadas taxas de juros (ou ainda, reduções pequenas destas taxas) desestimula tanto o consumo quanto o investimento, de forma a inibir a atividade econômica e levar a uma trajetória de deflação, que retroalimenta todo o ciclo. Neste sentido, a preocupação do Banco Central deve ser a estabilidade dos preços, evitando que os mesmos entrem em trajetória de queda no longo prazo.

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Corre-se um grande risco, assim, de se confundir austeridade monetária com excesso de conservadorismo. A seriedade na condução da política monetária é condição indispensável para o equilíbrio dos preços; contudo, um controle excessivamente rígido pode colocar a perder todas as conquistas já feitas no sentido de combate à inflação.