Apesar da alta dos papéis da Vale, Ibovespa cede 0,87% com baixa da Petrobras

Volume financeiro é forte no pregão; queda do índice destoa dos ganhos vistos nas bolsas europeias e norte-americanas

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SÃO PAULO – Pressionado pela queda das ações da Petrobras, o Ibovespa encerrou a sessão desta sexta-feira (24) em baixa de 0,87%, a 68.196 pontos. O volume financeiro do dia atingiu a expressiva cifra de R$ 11,04 bilhões. A queda no dia só não foi maior porque as ações da Vale, que detêm grande peso no índice, tiveram forte alta e lideraram a ponta compradora.

Cabe destacar que, com a performance negativa auferida neste pregão, o Ibovespa voltou a ficar negativo no ano (-0,57%). Na véspera, o índice havia registrado seu maior patamar desde 26 de abril deste ano. Além disso, no intraday, o Ibovespa marcou máxima de 69.571 pontos pela manhã, o que representava um aumento de 1,3% frente ao fechamento da véspera. Na semana, o benchmark subiu 1,65%.

Como não poderia deixar de ser, o principal vetor do mercado nesta sessão ficou por conta da Petrobras, cujos papéis ordinários cairam 1,98% na sessão, enquanto os ativos preferenciais amargaram queda de 1,87%. A estatal revelou na véspera os preços das suas novas ações ordinárias e preferenciais dentro da oferta primária, que ficaram em R$ 29,65 e R$ 26,30, respectivamente, abaixo do preço das ações que já eram listadas na Bovespa.

Além disso, o dia marcou a estreia dos novos ADSs (American Depositary Shares) representativos de ações ordinárias e preferenciais da estatal na Nyse (New York Stock Exchange), mostrando alta frente aos preços fixados no processo de bookbuilding, de US$ 34,49 e US$ 30,59, respectivamente, embora os papéis já negociados tenham reportado queda em relação à última quinta-feira. Vale lembrar que as ações da Petrobras estrearão no mercado acionário brasileiro apenas na próxima segunda-feira (27).

As ações da BM&F Bovespa também registraram queda neste dia, liderando a ponta vendedora. As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BVMF3 BMFBovespa ON 14,19 -4,77 +19,38 433,00M
 GGBR4 Gerdau PN 22,61 -4,64 -21,59 445,96M
 GOAU4 Gerdau Met PN 26,90 -4,47 -22,00 86,76M
 CMIG4 Cemig PN 26,31 -3,59 -3,83 72,35M
 LIGT3 Light ON 21,45 -3,25 -3,21 49,81M

Na ponta positiva do índice, ficaram os papéis da Vale. A copanhia anunciou na véspera a criação de um programa de recompra de ações de sua emissão num valor total de até US$ 2 bilhões. O programa visa a aquisição de 5% do free float da empresa (até 64.810.513 ações ON e 98.367.748 ações PNA).

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Além disso, a empresa anunciou que passará a ser listada em Hong Kong, sob a forma de certificados de depósito, até o fim deste ano, e, que também pagará dividendos adicionais. As notícias parecem terem sido bem recebidas pelo mercado.

Em relatório, o Banco Fator considerou os anúncios positivos para a empresa, enquanto que o Bank of America Merrill Lynch reiterou a companhia como top pick no setor. As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VALE3 Vale ON 50,83 +3,44 +3,42 284,16M
 VALE5 Vale PNA 44,66 +2,83 +6,71 1,22B
 BRAP4 Bradespar PN 40,02 +2,38 +5,21 50,25M
 VIVO4 Vivo Part PN 47,85 +1,81 -8,34 45,61M
 LREN3 Lojas Renner ON 57,35 +1,15 +48,75 55,13M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

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 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 Petrobras PN 26,30 -1,87 2,28B 724,55M 42.024 
 VALE5 Vale PNA 44,66 +2,83 1,22B 646,81M 32.454 
 GGBR4 Gerdau PN 22,61 -4,64 445,96M 106,53M 26.792 
 PETR3 Petrobras ON 29,65 -1,98 445,47M 176,51M 9.669 
 BVMF3 BMFBovespa ON 14,19 -4,77 433,00M 165,35M 25.893 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Agenda
Na pauta doméstica, destaque para dados inflacionários. Novamente apresentando avanço, o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) apontou inflação de 0,35% na terceira quadrissemana de setembro, taxa 0,14 ponto percentual acima das variações apontadas no mesmo período de agosto e na segunda prévia deste mês, ambas de +0,21%. Os dados foram anunciados pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Também no noticiário interno, a CNI (Confederação Nacional das Indústrias) divulgou a Sondagem Industrial referente ao mês de agosto. O documento revelou que o crescimento da produção industrial “se tornou mais disseminado para a indústria”. O índice de evolução da produção passou de 53,4 para 55,1 pontos. Além disso, com o aumento da produção, a utilização da capacidade instalada da indústria foi ligeiramente superior ao usual para meses de agosto.

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Nos Estados Unidos, o número de casas novas vendidas em agosto ficou abaixo do esperado pelo mercado. No mês, o New Home Sales marcou vendas anualizadas de 288 mil casas, número inferior às expectativas do mercado (291 mil). Cabe lembrar que em julho o resultado também revelou vendas de 288 mil casas, de acordo com os dados revisados.

Já o número de pedidos e entregas de bens duráveis feitos à indústria norte-americana veio melhor que o esperado pelo mercado durante o mês de agosto. O indicador Durable Good Orders exibiu queda de 1,3% no referido mês, número melhor que o previsto por analistas, que previam queda de 1,4%. Os dados de julho foram revisados para uma alta de 0,7%.

Na Europa, as bolsas fecharam em alta impulsionadas pelo indicador de confiança do empresariado alemão, que segundo dados do instituto Ifo, subiu inesperadamente ao seu mais alto nível dos últimos três anos, ao passar de 106,7 pontos em agosto para 106,8 pontos em setembro

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Dólar
Ampliando suas perdas no final da sessão, o dólar comercial fechou esta sexta-feira com queda de 0,52%, sendo cotado na venda a R$ 1,711, aproximando-se da menor cotação do ano, alcançada no dia 14 de setembro, quando fechou a R$ 1,708. Com este recuo, a moeda norte-americana fechou a semana com variação negativa de 0,47%.

Mantendo ativa sua rotina de intervenções, o BaCen voltou a comprar dólares nesta sexta-feira. Após realizar compras por volta das 12h40 (horário de Brasília), a autoridade monetária também interviu entre as 15h46 e as 15h51, aceitando uma taxa de corte de R$ 1,7094.

Ainda dentro do noticiário do mercado cambial, importante destacar que na noite passada o BC anunciou mudanças na metodologia de cálculo da Ptax, que passam a valer em 2011.

Renda Fixa
O mercado de juros futuros encerrou em queda. O contrato de juros de maior liquidez, com vencimento em janeiro de 2013, fechou com taxa de 11,79%, queda de 0,04 ponto percentual em relação ao fechamento anterior.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em queda de 0,11% em relação ao fechamento anterior, cotado a 137,65% do valor de face.

O Risco-País registrou variação negativa de 10 pontos-base em relação ao fechamento anterior, fechando em 203 pontos-base.

Bolsas Internacionais
O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, fechou em alta de 2,33% e atingiu 2.381 pontos. Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 valorizou-se 2,12% a 1.149 pontos, da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, subiu 1,86% a 10.860 pontos.

Na Europa, o índice CAC 40 da bolsa de Paris registrou alta de 1,94% e atingiu 3.782 pontos; no mesmo sentido, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt valorizou-se 1,84% chegando a 6.298 pontos e o FTSE 100, da bolsa de Londres, subiu 0,93% a 5.598 pontos.

Confira os eventos previstos para segunda-feira
Sem referênciais no front externo, a sessão de segunda-feira terá como destaque a agenda interna. O mercado deve avaliar a divulgação das projeções do mercado para a economia brasileira, que será divulgada no Relatório Focus, do Banco Central.

Além disso, a sessão também contará com a apresentação do resultado da balança comercial brasileira refente a esta semana. Os dados serão revelados pelo Ministério do Desenvolvimento do Brasil.