Ao sabor de referências europeias e dos EUA, semana ainda será de volatilidade

Discursos políticos definirão o desempenho do Ibovespa durante o período; agenda dos EUA pode sinalizar cena mais positiva por lá

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SÃO PAULO – A semana tumultuada na Zona do Euro trouxe reflexo para as bolsas mundiais, que traduziram as incertezas nas decisões políticas na região em quedas semanais para os principais índices acionários. O Dow Jones registrou baixa de 2,93% na semana, enquanto, por aqui, o Ibovespa terminou com recuo de 3,10% no mesmo período, em consequência dos sinais de que a crise inicialmente mais evidente na Grécia se alastrou para países de maior relevância para a economia mundial. 

Dentre as notícias mais comentadas na semana, o mercado acompanhou a renúncia de Silvio Berlusconi do cargo de primeiro ministro italiano e, após isso, o anúncio pelo presidente do país, Giorgio Napolitano, de que o economista e ex-comissário europeu Mario Monti assumiria o cargo. Monti já assume com a função de escolher um gabinete e garantir que sua nova equipe tenha maioria parlamentar. 

Se não bastasse a pressão trazida pelas decisões políticas na Zona do Euro, a desaceleração na economia na China é mais um fator que impulsionou o baixo desempenho da bolsa brasileira no período, na opinião do gestor da Grau Gestão de Ativos, Flávio Barros.  “A economia na China foi menos comentada no noticiário esse semana, porém, é um agravante para o desempenho da bolsa brasileira”, explica. 

Ademais, o analista do BB Investimentos, Hamilton Moreira, lembra que a semana antecedeu o vencimento de opções, previsto para a próxima segunda-feira (21), o que comandou as movimentações de papéis de companhias de grande relevância para a bolsa brasileira, como a Petrobras (PETR3, PETR4), Vale (VALE3, VALE5) e OGX (OGXP3), contribuindo para a forte volatilidade do benchmark brasileiro no período.

EUA e o Brasil trazem o contraponto
Como contraponto, o gestor afirma que os EUA reportaram dados econômicos melhores que a expectativa, enquanto, por aqui, o destaque da semana foi a elevação, pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, do rating de longo prazo do Brasil em moeda estrangeira de BBB- para BBB e o da moeda nacional de BBB+ para A.

Contudo, o viés positivo dessa notícia não foi suficiente para inverter o pessimismo do mercado na semana. “Os Estados Unidos contrapuseram com dados melhores do que o mercado esperava,  mas de qualquer forma ele como o Brasil, não estão sozinhos no mundo. Se houver uma ruptura que estão mais evidentes nesse momento, todos os ativos, de maneira geral, vão sofrer reavaliação”, analisa Barros. 

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Um pouco mais do mesmo
Dependente da movimentação referente às decisões políticas na Zona do Euro, Barros afirma que a próxima semana terá como reflexo os sinais de desaceleração da economia mundial. “Itália, Irlanda, Grécia e Espanha são a bola da vez agora. Esses países precisam resolver suas crises no curto prazo. O grande temor é que com isso ocorra um efeito cascata, consideram que os bancos que estão atrás da crise italiana, por exemplo, são  franceses, alemães, espanhóis, o que deflagra a crise para todos os lados e neste caso o tamanho do rombo é muito maior que o grego. Esse é o temor”, alerta o analista.

Além disso, a semana será pautada, na opinião de Moreira, por declarações de autoridades europeias e novos pronunciamentos do Federal Reserve sobre a economia norte-americana. “Vai ser uma semana de volatilidade e o mercado vai viver um dia de cada vez, ao sabor de declarações de autoridades norte-americanas e da Zona do Euro”, sinaliza. 

Em complemento, Barros explica que a bolsa brasileira acompanhou uma melhora recente no índice que não teve um fundamento justificado, o que corrobora para as quedas recentes. “Estamos saindo de um patamar em que não deveríamos estar teoricamente por conta da falta de atitude e de coordenação nas ações de recuperação da dívida política na Zona do Euro”. 

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PIB dos EUA e ata do Fomc se destacam na agenda
Nesta semana, os investidores acompanharam indicadores norte-americanos trazendo sinais de que a economia por lá está começando a melhorar, com destaque para a variação positiva do Leading Indicators – relatório que compreende vários índices já divulgados, como pedidos de auxílio-desemprego, custo de mão de obra, permissões para construção entre outros. “Este indicador da uma tendência do desempenho da economia mais para frente”, explica Moreira.

Já para a próxima semana, o mercado acompanha uma agenda bastante movimentada, com destaque para a revisão o PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano e para a ata do Fomc (Federal Open Market Committee), que revela os dados sobre a última reunião de política monetária do Federal Reserve.

Por aqui, o destaque fica para a situação inflacionária, diante da publicação da última versão do boletim Focus, pelo Banco Central, além do IPCA-15 (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção) da FGV (Fundação Getulio Vargas).