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SÃO PAULO – Os mais otimistas poderiam esperar a obtenção da sonhada classificação investment grade em 2008. Porém, uma análise um pouco mais criteriosa mostra que, a partir desta quarta-feira (16), o Brasil já é considerado grau de investimento por uma das mais importantes agências internacionais de classificação de risco.
Nesta quarta-feira, a Standard & Poor’s elevou o rating soberano brasileiro em moeda estrangeira de “BB” para “BB+”, mantendo a perspectiva positiva, ficando a um degrau abaixo do investment grade.
Em moeda local, no entanto, a nota passou a “BBB”, correspondendo a uma avaliação em linha com os países tidos como de baixa probabilidade de inadimplência. Para a agência, a atualização do rating para o grau de investimento se deu por conta de uma menor vulnerabilidade fiscal e externa do Brasil.
Já somos investment grade
Esclarecendo um pouco melhor os termos, a dívida brasileira denominada em reais passa agora a ser considerada investment grade pela Standard & Poor´s, fato pouco noticiado pela imprensa brasileira.
E a novidade, negligenciada por muitos, é extremamente importante para o País, sobretudo quando se considera o elevado peso do endividamento em moeda local. Segundo dados do Banco Central, a dívida externa brasileira somava em fevereiro “apenas” US$ 176 bilhões (cerca de R$ 345 bilhões), enquanto a dívida interna ultrapassava o R$ 1 trilhão.
Ao longo dos últimos anos, o governo brasileiro, em uma estratégia em linha com a adotada por diversos outros países emergentes, se esforçou em reduzir sua dívida externa de forma significativa, “trocando-a” por dívida interna, deixando ao mercado o risco da variação cambial.
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É muito importante
Ora, se o grande peso da dívida brasileira é denominado em reais, a obtenção da classificação investment grade para os títulos em moeda local tem uma relevância talvez tão grande quanto se a nota fosse atribuída aos papéis em moeda estrangeira.
As próprias emissões recentes no exterior feitas pelo Tesouro Nacional têm sido, em sua maioria, realizadas em moeda nacional. Ou seja, os novos papéis lançados no mercado internacional se apresentam como grau de investimento pela Standard & Poor´s.
Desta forma, um investidor institucional que só pode aplicar em papéis classificados de acordo com este critério, embora ainda não esteja apto a adquirir um Global 40, por exemplo, já tem a permissão para comprar os novos papéis emitidos no exterior em reais.
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Efeitos devem ser grandes
E os impactos deste novo cenário tendem a ser expressivos, passando por uma provável aceleração do ritmo de queda da taxa Selic. Isso porque a demanda por títulos brasileiros denominados em reais pode aumentar de forma expressiva.
Os próprios juros futuros já começam a refletir este panorama. Nesta quarta-feira, as taxas dos contratos de DI Futuro de prazo mais longo despencaram na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros).
Não era o setor externo que havia se ajustado?
Diversos economistas – com razão – vêm salientando que a maior fonte de preocupação para o Brasil deixou de ser o estrangulamento externo já há alguns anos. Em seu lugar, a situação fiscal do país passou a ocupar lugar de destaque.
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Mas quando a Standard & Poor´s atribui a classificação investment grade aos títulos em moeda local é como se ela desse um parecer de confiança nas contas públicas brasileiras. Uma situação confortável nas contas externas tende a garantir uma boa avaliação da dívida em dólares, de modo que a nota elevada aos títulos em reais demonstra uma classificação positiva não somente do setor externo.