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SÃO PAULO – Há cerca de dois meses, quando o presidente do BCE (Banco Central Europeu) anunciou a aquisição de títulos para reanimar os mercados de crédito, muitos acreditaram que a estratégia daria certo. Só não imaginaram que não seria preciso gastar um centavo sequer.
Desde o colapso do Lehman Brothers, espécie de marco zero do congelamento da liquidez internacional, que autoridades monetárias tem empenhado recursos na casa dos trilhões para reduzir o custo do crédito e trazer de volta a normalidade ao mercados globais.
Efeitos
Em maio, Jean-Claude Trichet anunciou a aquisição de títulos lastreados em ativos imobiliários e empréstimos ao setor público no valor inicial de € 60 bilhões, valor que no final foi retificado para um patamar mínimo de € 100 bilhões, com data inicial marcada para esta segunda-feira (6).
As restrições impõem a necessidade da concessão de rating AA por ao menos uma agência de classificação de risco, assim como um escopo de três a dez anos para o vencimento do ativo.
De lá para cá, o prêmio cobrado por investidores para adquirir os títulos cobertos em relação aos públicos, referência de menor risco, caiu mais de 25 pontos-base, de acordo com analistas, e quase 45 pontos-base em relação a março.
Só discurso
Para muitos, o movimento reforça a importância da retórica como instrumento do Banco Central para balizar as expectativas e intervir nos mercados, embora os efeitos da recuperação dos últimos meses não possam ser descartados.
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A autoridade monetária não anunciou o momento exato do dia em que o BCE intervirá para adquirir os títulos, mas espera-se que o ímpeto vendedor dos investidores diminua, uma vez que os preços dos ativos têm subido nos últimos tempos, o que poderá deixar espaço à autoridade para empregar os recursos em caso de um novo episódio crítico.