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SÃO PAULO – Ninguém deveria investir em ações de uma companhia sem antes conhecê-la bem e se familiarizar com seus planos, números e possíveis riscos. Por isso, vale a pena se informar sobre as características das empresas que pretendem realizar IPO (Initial Public Offering) neste mês. Dentre elas, a QGEP (Queiroz Galvão Exploração e Produção) dará início ao período de reservas de suas ações na próxima quarta-feira (26).
A companhia é a maior empresa de controle privado no setor de Petróleo em termos de produção diária em barris de óleo equivalentes. Segundo prospecto da companhia, o portfólio atual é de “alta qualidade, balanceado e diversificado” , estando direcionado para crescimento no curto prazo. Dentro desse universo, três dos oito blocos da empresa estão em estágio avançado de avaliação: BM–J-2 na Bacia do Jequitinhonha e BM-S-12 e BM-S-76 na Bacia de Santos.
Números
A Queiroz Galvão possui 45% do Campo de Manati, que é o maior campo de gás natural não-associado em produção no Brasil. A forte produção de barris de petróleo na região permitiu à Manati gerar receita líquida de R$ 330,2 milhões em 2009 e R$ 281,8 milhões no acumulado dos nove primeiros meses de 2010.
A produção nesse campo ainda impulsionou o Ebitda (geração operacional de caixa) da Queiroz Galvão Exploração e Produção, que encerrou os nove primeiros meses de 2010 em R$ 225,1 milhões. Enquanto isso, a dívida líquida consolidada da companhia, no mesmo período, era de R$ 99,1 milhões, relativamente baixa para o setor.
“Acreditamos que, por possuirmos um campo em produção e um baixo nível de endividamento, estamos bem posicionados para captar recursos, mediante esta emissão de ações ou emissão de títulos de dívida em termos favoráveis, de modo a aproveitar a oportunidade do setor, acelerar o nosso crescimento e gerar valor para os nossos acionistas”, declarou a empresa em seu prospecto.
Estratégia e utilização dos recursos
O objetivo da QGEP é manter a posição de destaque no Brasil, aproveitando as oportunidades no setor. Para isso, a diretoria conta com as descobertas do pré-sal e aposta na sua capacidade operacional. Visando o crescimento e a consolidação no segmento, a empresa pretende intensificar seus programas exploratórios nos blocos em que possui participação, com grande possibilidade de aumento na produção ainda no curto prazo.
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Outro plano estratégico da companhia é firmar parcerias com players importantes da indústria, além de procurar novas parcerias e joint ventures em outras empresas no setor de petróleo e gás natural.
Sobre a utilização dos recursos angariados com o IPO, a direção da empresa é enfática ao afirmar “ utilizaremos de forma disciplinada os recursos que obtivermos com o nosso IPO, que servirão para alavancar a nossa estratégia de crescimento baseada na exploração e desenvolvimento de nosso portfólio de ativos equilibrado e substancialmente calcado em exploração” . Os recursos devem ser destinados à aquisição de áreas, blocos ou empresas detentoras de ativos estratégicos.
Riscos
Certamente investir em novas ações envolve riscos e isso acontece porque há uma série de incertezas no desempenho futuro da empresa, ainda que seus fundamentos sejam positivos. Dentro dos fatores de risco para a Queiroz Galvão Exploração e Produção, destaca-se a possibilidade de não haver viabilidade para novas perfurações, ou estas não produzirem petróleo e/ou gás em níveis comercializáveis.
Além disso, a exploração de petróleo embute riscos naturais, como possíveis vazamentos e explosões em dutos, que podem levar a danos ambientais e físicos. Segundo a companhia, a produção é feita em águas rasas, onde o risco de acidentes é bem administrado, mas a possibilidade de danos ambientais é maior. Já a exploração concentra-se em águas profundas e ultraprofundas, uma vez que os reservatórios de pré-sal se encontram nessas localidades, o que aumenta os riscos.
Outros possíveis riscos relacionam-se à limitada capacidade de controlar atividades de exploração em blocos onde a companhia não é operadora, possíveis atrasos nos projetos de E&P (exploração e produção) e custos extremamente elevados, prejudicando os planos estratégicos da empresa no longo prazo.
Pontos fortes
Porém, toda empresa tem seus pontos fortes. Além daqueles já descritos acima, ressalta-se também a experiência de perfuração onshore e offshore da companhia. Além disso, o controle da performance é feito com base em indicadores de desempenho, que tem sido positivo para a empresa nos últimos anos.
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Outro ponto considerado pela empresa como positivo é sua parceria com a Petrobras, estabelecida em sete dos oito blocos em que a empresa opera. Segundo o prospecto divulgado ao mercado, essa parceria tem permitido à empresa identificar “de maneira consistente” novas oportunidades em negócios comuns às duas companhias. Isso faz com que outras parcerias possam ser formadas com a estatal no setor.
Histórico
A companhia é integrante do Grupo Queiroz Galvão, conglomerado industrial fundado em 1953 e atuante nas áreas de construção, rodovias, energia, empreendimentos imobiliários, agroindústria e siderurgia.
Em 1981, o Grupo Queiroz Galvão começou a atuar no setor de petróleo e gás natural com a prestação de serviços de perfuração de poços para exploração e produção de petróleo, e, a partir de 1996, o Grupo Queiroz Galvão passou a enfocar a exploração e produção de petróleo e gás natural. Segundo o prospecto, atualmente o Grupo atua em todas as etapas da cadeia produtiva, incluindo operações no Brasil e em outros países da América Latina e África.
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A empresa realizou uma reestruturação no Grupo Queiroz Galvão a fim de segregar atividades em diversas empresas do grupo, se preparando para a oferta de ações e visando ganhos de eficiência e sinergia. Sendo assim, em 12 de janeiro de 2011, a empresa obteve a anuência da ANP (Agência Nacional de Petróleo) para transferência de parte das concessões relacionadas a E&P do Grupo Queiroz Galvão para o seu portfólio.