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SÃO PAULO – Mantendo a instabilidade das últimas semanas, os mercados de ações globais voltam a registrar perdas no pregão desta terça-feira (28), enquanto a ansiedade dos investidores pelos desdobramentos da crise da Grécia precipita leves ajustes.
Os contratos futuros sobre os principais índices de ações de Wall Street apontam para uma abertura em leve queda, enquanto as referências para as bolsas da Europa alternam leves perdas – Frankfurt, Milão e Madri – e altas moderadas, como em Londres e Paris.
Embora o noticiário da véspera tenha sido relativamente favorável, com negociações sobre a participação voluntária do setor privado para a reestruturação de parte da dívida grega, a desconfiança permanece como pano de fundo, enquanto o parlamento do país não aprova as medidas de austeridade fiscal.
Olho do furacão
Com o início dos debates, também se espera pelo retorno dos protestos na capital Atenas, em função da impopularidade de medidas como privatizações, corte de gastos e aumento de impostos, propostas pelo gabinete do primeiro ministro George Papandreou. Espera-se que o parlamento local vote as medidas na próxima quarta-feira.
“Embora um ou outro membro do partido socialista tenha dito ser possível votar contra o pacote [de austeridade], parece que Papandreou conseguirá atravessar esta situação”, afirmou Allan von Mehren, analista-chefe do Danske Bank.
Ampliando a pressão externa sobre a Grécia, o comissário econômico da União Europeia – Olli Rehn – afirmou que não há alternativa ao plano econômico traçado para a Grécia. A aprovação das medidas é o “único caminho” para evitar o calote, afirmou.
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Exagero?
Internamente, os analistas continuam preocupados com a inflação, avaliada como um dos principais fatores de pressão sobre a bolsa desde o final de 2010. Neste cenário, a desaceleração apontada pelos indicadores recentes e a queda das projeções é vista com um misto de alívio e ceticismo.
O IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) novamente apontou deflação ao marcar variação de -0,05% na terceira quadrissemana de junho. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).
“Agora é a hora dos analistas incorporarem as surpresas benignas da inflação em seus modelos, gerando projeções de um cenário melhor. Estas projeções serão incorporadas ao modelo, gerando projeções ainda melhores, dando continuidade ao ciclo virtuoso”, explicou Marco Melo, chefe de análise da corretora Ágora.
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“Nesse contexto em que a melhora do cenário inflacionário ainda parece incipiente, continuamos a avaliar que: (i) a taxa básica Selic ainda sofrerá mais um aumento de 25 pontos-base na reunião do Copom de 20 de julho; e (ii) que são consideráveis as chances de que o ciclo de ajuste em curso seja prolongado para além desse horizonte”, concluiu a equipe de consultores da LCA.