Ânima (ANIM3) desaba 30% após compra da FMU: por que negócio desagradou tanto?

Analistas demonstraram preocupação com alavancagem em cenário de juros elevados por mais tempo

Felipe Moreira

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Ânima Educação (Foto: Divulgação)
Ânima Educação (Foto: Divulgação)

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As ações da Ânima (ANIM3) operam em forte queda nesta quarta-feira (7), após a companhia anunciar a aquisição de 100% das quotas das Faculdades Metropolitanas Unidas Educacionais (FMU), instituição de ensino superior em recuperação judicial com sede em São Paulo. A operação foi avaliada em R$ 410 milhões em valor patrimonial (equivalente a um valor empresarial de R$ 560 milhões). Por volta das 10h15 (horário de Brasília), os papéis desabavam 29,62%, cotados a R$ 2,02.

A grande questão reside no valor pago, apesar das oportunidades no radar com a compra.

Em relatório assinado pelo analista Vinicius Figueiredo, o Itaú BBA avaliou que a aquisição da FMU pela Ânima Educação (ANIM3) pode gerar oportunidades de integração operacional e comercial dentro do ecossistema da companhia ao longo do tempo.

Segundo o BBA, existe potencial relevante de expansão da rentabilidade da instituição adquirida. A Ânima estima que, caso as margens operacionais da FMU se aproximem dos níveis registrados por grandes instituições comparáveis do grupo, o lucro operacional do ativo poderia crescer dos atuais R$ 53 milhões para cerca de R$ 97 milhões a R$ 131 milhões, sem considerar eventual crescimento de receita.

Apesar do potencial estratégico da aquisição, o Itaú BBA ressalta que a avaliação do ativo e o impacto sobre a alavancagem financeira devem permanecer como os principais pontos de atenção dos investidores. Para a casa, o múltiplo pago pela aquisição e o aumento do endividamento serão fatores centrais na análise da operação.

A Ânima estima que sua alavancagem líquida ajustada aumentará de 2,39 vezes no primeiro trimestre de 2026 para aproximadamente 2,73 vezes após a conclusão da aquisição. Segundo o Itaú BBA, embora o aumento pareça administrável em termos absolutos, ele amplia a sensibilidade da companhia à execução operacional e à geração de caixa, especialmente em um cenário em que os juros permaneçam elevados por mais tempo do que o esperado.

Apesar do potencial de criação de valor, o analista do Bradesco BBI, Marcio Osako vê a operação com cautela. O preço pago representa um prêmio significativo frente aos múltiplos do setor, mesmo considerando ganhos de eficiência futuros, além de elevar a alavancagem da Ânima de aproximadamente 2,4 vezes para 2,7 vezes a relação Dívida Líquida/EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em base pro forma (1T26).

“Outro ponto de atenção é a elevada exposição da FMU aos cursos EAD e híbridos, que devem responder por cerca de 30% das receitas da instituição e podem enfrentar desafios decorrentes do novo marco regulatório do setor”, comenta o analistas. Dessa forma, embora a aquisição agregue uma marca tradicional e relevante em São Paulo, o BBI acredita que o valuation elevado limita o potencial de geração de valor no curto prazo e aumenta a dependência da execução bem-sucedida das sinergias projetadas.

Para o Morgan Stanley, a aquisição da FMU adiciona novos compromissos financeiros em um momento em que os juros não estão caindo no ritmo anteriormente esperado, prolongando o peso da dívida da Ânima e reduzindo a velocidade com que melhorias operacionais podem se transformar em valor para os acionistas.

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O Goldman Sachs, por sua vez avaliou positivamente o acordo anunciado pela Ânima e destacou o mérito estratégico, já que a FMU possui nota máxima (5 de 5) na avaliação institucional do Ministério da Educação (MEC), mas apresenta rentabilidade inferior à da Ânima e de seus pares.

O banco destaca que essa diferença abre espaço para ganhos de eficiência e criação de valor, mas ressalta que o principal foco dos investidores deve ser a estratégia de alocação de capital da empresa. Apesar da geração positiva de caixa nos últimos trimestres, a Ânima ainda deve encerrar 2026 com alavancagem estimada em 2,8 vezes dívida líquida/Ebitda após IFRS 16, segundo a metodologia do Goldman, nível considerado elevado em um cenário de juros altos por mais tempo no Brasil.

O Goldman também chama atenção para o preço pago pela aquisição. Segundo o fato relevante da companhia, a transação representa um múltiplo de 10,5 vezes EV/Ebitda da FMU antes do IFRS 16, podendo ser maior caso as condições de earn-out sejam atingidas. Em comparação, as ações da Ânima negociam atualmente a um múltiplo de 3,3 vezes EV (valor da firma)/Ebitda no mesmo critério.

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Embora considere a FMU um ativo de qualidade, com potencial de crescimento nos segmentos presencial, digital e híbrido, o JPMorgan avaliou que o aumento da alavancagem deveria ser mal recebido pelo mercado, já que a expectativa era de redução do endividamento.

Recomendação para ações da Ânima

O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para as ações da Ânima, com preço-alvo de 12 meses de R$ 5,50. A avaliação considera uma metodologia de fluxo de caixa descontado de dez anos, com custo médio de capital (WACC) de 15% e crescimento na perpetuidade de 3%.

O Morgan Stanley, Bradesco BBI e Itaú BBA reiteram classificação de compra e preço-alvo de, respectivamente, R$ 6, R$ 7 e R$ 5,50.

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O JPMorgan, por sua vez, mantém recomendação neutra para as ações da Ânima.