Angústia, mas não pânico, domina o mercado à espera de Nova York

17h50 – 06/09Coluna do TamerLONDRES – “Angústia? Não é muito forte?” – “Não. Pode usar essa palavra para definir o clima na city de Londres neste fim de semana”. Esse foi o diálogo travado entre a coluna e cinco analistas do mercado financeiro, que viveu uma sexta-feira tensa, nervosa, de queda generalizada e de venda. […]

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17h50 – 06/09
Coluna do Tamer
LONDRES – “Angústia? Não é muito forte?” – “Não. Pode usar essa palavra para definir o clima na city de Londres neste fim de semana”.

Esse foi o diálogo travado entre a coluna e cinco analistas do mercado financeiro, que viveu uma sexta-feira tensa, nervosa, de queda generalizada e de venda. Havia preocupação, ninguém queria segurar ativos financeiros num fim de semana dominado pela expectativa ansiosa da abertura, amanhã, da bolsa americana. Não havia nenhum sinal de pânico, mas medo e cautela. O receio dos efeitos de uma recessão americana foi substituído pelo medo de uma queda mais forte do que se imagina nas bolsas e em outros ativos. Muitas empresas terão de vender para cobrir prejuízos e os fundos serão pressionados pelos seus clientes.

Tudo está acontecendo dentro do previsto, mas as últimas reações americanas ao atentado causaram a impressão de que algo mais rápido e drástico pode acontecer. Assim, as primeiras reações positivas no início da semana, desapareceram rapidamente na quinta e na sexta-feira.

Bolsa e dólar recuam

O índice médio das bolsas européias, que tinha se recuperado da queda de 7% logo depois do ataque terrorista em Nova York, terminou a semana com um deságio de 10,7%. O dólar, que também havia reagido na quarta-feira, caiu aos níveis mais baixos dos últimos seis meses, recuando, novamente, 5,7% em apenas um dia em face do euro.

É impossível fazer projeções sobre como o mercado vai reagir, amanhã, na abertura da Bolsa em Nova York, mas as estimativas na city de Londres eram de uma queda entre 4% (a mais otimista), até 7% ou 10% (as mais pessimistas). Também os títulos da dívida externa brasileira, como o c-bond, que vinham se mantendo neutros, recuaram de 1,25% em apenas um dia, fechando na sexta-feira a 68,5% do valor de face.

Mercado de US$ 76 bi

Mas os analistas fazem uma ressalva. Evidentemente, dizem, o que estamos vendo em Londres e nos centros financeiros europeus, neste fim de semana, é uma avant-première do que deve ocorrer em Nova York, mas não podemos esquecer que estamos trabalhando com um mercado muito estreito, muito pequeno, sem liquidez alguma. “Temos que esperar, com ansiedade e, por que não dizer, angústia, a abertura de Wall Street, onde haverá mais compradores e vendedores”, acrescentava um analista.

O mercado de ações dos EUA, o New York Stock Exchanges e o Nasdaq Stock Market, juntos, movimentaram, na última sessão, nada menos que US$ 76 bilhões, mais de dez vezes o volume de Londres, que teve um recorde de US$ 6,8 bilhões.

Ainda a melhor saída

“Os investidores vão continuar gravitando em torno dos papéis de mais alta qualidade quando há uma agitação política. E esses papéis são dos Estados Unidos”, acrescenta Jon Borson, chefe de Mercado da Northon Trust Corporation, com a experiência e a responsabilidade de quem administra um fundo de US$ 300 bilhões. Para ele e a maioria dos agentes do mercado financeiro, “numa situação dessas, o investidor vai preferir comprar ativos de europeus das Filipinas ou Taiwan, e, da mesma forma, vai preferir ativos dos Estados Unidos aos da Europa”. Ele lembra, ainda, que o PIB americano “no ano passado era de US$ 9,8 trilhões e o da Grã-Bretanha, o segundo mercado, era US$ 2,7 trilhões”.

Não foi só contra os EUA

Ou seja, concluem tanto na city quanto em Wall Street, a economia americana é suficientemente forte para resistir ao ataque terrorista, mesmo porque “o que estamos vendo é um ataque não simplesmente aos EUA, mas ao mercado ocidental. Pega todo mundo. Desta vez, foi Nova York, mas nas próximas pode ser facilmente Londres, Paris ou Frankfurt”, observa Allan Conway, do WestAM, de Londres, um unidade do banco alemão WestLB.

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Europa sente o choque

Confirmando essas declarações, o comissário (equivalente a ministro) de Assuntos Monetários da União Européia, Pedro Solbes, afirmou sexta-feira que “o crescimento da economia européia pode cair abaixo de 2% neste ano”. Usando a semântica para não voltar atrás ao que já havia declarado, ele ressalta “que não estou falando em recessão, mas que provavelmente não chegaremos a 2% neste ano. O impacto está sendo maior e mais profundo do que esperávamos”.

Petróleo agora preocupa

Neste fim de semana surgiu uma nova preocupação, que tinha sido afastada pela Opep, no início da crise: o preço do petróleo subiu 5% em um único dia, voltando a cerca de US$ 30 o barril. Ele havia se elevado a até esse nível no dia do ataque terrorista, recuou na quarta-feira, para US$ 28, por causa da declaração da Opep que aumentaria a produção tanto quanto fosse necessário para evitar uma explosão dos preços. Isso se deve à ameaça de uma reação militar americana mais forte e rápida, no Oriente Médio, afetando todos os países árabes e muçulmanos, que respondem por mais de 40% do fornecimento de petróleo.

Para o Brasil, onde o dólar, moeda em que o petróleo é negociado, continua subindo, um barril de US$ 30 representaria um preço superior a R$ 60, e os gastos com importação passariam este ano de US$ 7 bilhões.

Isso, mais a paralisação do mercado para países emergentes, mostra, mais uma vez, que somos também vítimas do terror. Daí a necessidade de que o Brasil e os países emergentes se mantenham firmes e decididos, indo até a última instância, a ação militar sob todos os meios, para pôr fim a este crime contra a Humanidade que mudou a face do mundo e nos jogou no escuro da incerteza e num inferno sem fim. Não há que se buscar a paz com o terror.

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