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SÃO PAULO – A Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), representada pelo seu vice-presidente, Miguel José Ribeiro de Oliveira, divulgou nesta quinta-feira (30) balanço econômico do Brasil em 2004 e suas perspectivas para o ano que vem. De um modo geral, o resultado é positivo e as previsões são comedidas.
Segundo o documento, o aumento da taxa de investimentos em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) é um dos dados mais satisfatórios do ano. Foram investidos no Brasil um montante equivalente a 20% de toda a riqueza produzida no País, o que equivale ao melhor nível desde 1995.
A redução da dívida pública também é apontada como um avanço em 2004. Resultado dos elevados superávits fiscais, que economizam verbas para o pagamento dos juros da dívida, a relação da dívida pública com o PIB nacional fecha o ano próximo dos 51%, seis pontos percentuais abaixo da taxa registrada em 2003.
O balanço não deixa de reconhecer o possível crescimento do PIB a uma taxa superior a 5% e o considerável superávit comercial acima dos US$ 32 bilhões como duas das mais relevantes conquistas brasileiras em 2004.
Aspectos negativos
Embora a economia brasileira tenha aberto cerca de 2 milhões de postos de trabalho neste ano, o balanço da associação lembra que o nível de desemprego ainda se encontra em patamares muito altos. O mesmo ocorre com a taxa básica de juro (Selic) e o spread bancário, que teimam em não ceder, e até iniciaram trajetória ascendente nos últimos meses de 2004, o que pode comprometer o aquecimento econômico já no início de 2005.
Outro ponto negativo é a manutenção do volume de crédito a níveis baixos. No decorrer deste ano, as verbas destinadas a empréstimos chegaram a 26,1% do PIB, sendo que em muitos outros países esta relação ultrapassa os 100%.
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Apesar da escassez de crédito, o valor oferecido aos produtores em forma de recursos livres e direcionados expandiu 18% em 2004. Ao se considerar apenas os recursos livres, este crescimento foi de 23%.
De acordo com o parecer da Anefac, a persistência da má distribuição de renda no País completa o quadro negativo deste ano.
Perspectivas 2005
Ainda segundo o relatório, o grande problema para o ano que vem deve ser a provável manutenção de alta da taxa de juros norte-americanas, que inclusive pode se intensificar. Com isso, o fluxo de investimento internacional certamente migra para aquele país, o que pode obrigar o Banco Central brasileiro a também aumentar a Selic.
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Considerando este cenário, o documento divulgado pelo vice-presidente da Anefac espera que o PIB nacional cresça 3% no ano que vem, enquanto a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preço ao Consumidor – Amplo) fique em 6% em 2005.
A taxa de juros, por sua vez, provavelmente encerra o próximo ano a 16%, o que equivale à queda de 1,74 ponto percentual na comparação com este mês. Para a consultoria, o dólar se valoriza ante o real, e chega em dezembro de 2005 valendo R$ 3,00. Hoje, ele gira em torno de R$ 2,70.
Já a balança comercial, que em 2004 foi um dos grandes destaques, com mais de US$ 33 bilhões em saldo, deve somar no ano que vem um superávit de aproximadamente US$ 30 bilhões.