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SÃO PAULO – Maior companhia do setor petroquímico brasileiro, a Braskem (BRKM5) é vista como alternativa atraente no setor, mas os principais analistas do mercado veem pouco espaço para upside das ações. O investidor deve ficar de olho na possivel aquisição da Quattor, vista com cautela sobretudo pelo alto endividamento da empresa.
Setor petroquímico: margens mais baixas, volumes maiores
O analista Rodrigo Fernandes, do Banco Fator Corretora, acredita que o ano de 2010 será positivo para o volume de vendas, “porém as margens operacionais devem continuar sob pressão”. Isso se dará sobretudo pela entrada de novas capacidades no Oriente Médio e Ásia, aumentando a oferta e pressionando os preços e margens.
“Os aumentos devem ser constantes entre 2009 e 2013 ao ritmo médio de 4,6 milhões t/ano, ou 3,5% da capacidade atual”, projeta Fernandes.
A analista do Citigroup, Tereza Mello, espera um declínio significativo nas margens em 2009-2010, atribuido também à adição de capacidade, além de menor crescimento da demanda. Com isso, o ciclo petroquímico é visto como volátil, o que prejudica as projeções para a empresa, mas com a ressalva de que ela está mais bem posicionada do que os pares internacionais para enfrentá-lo.
Já os volumes de vendas devem aumentar, devido a projeção de crescimento econômico na casa de 5% para o País neste ano. Ainda assim, a competição com importados será maior, e será mais difícil manter o market share, como ocorreu no ano anterior.
Riscos
Outro fator que impactará na empresa é a valorização do real, uma vez que 100% das receitas são denominadas em dólar, enquanto apenas 80% dos custos estão atreladas à moeda norte-americana.
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A analista do Citigroup vê os investimentos na Venezuela como um fator que pode aumentar a volatilidade das ações da Braskem. Além disso, caso os litígios – as autoridades estão contestando o benefício da empresa de não pagar contribuição social sobre o lucro líquido – não terminem com decisão favorável, as estimativas para a empresa serão impactadas negativamente, afirma Mello.
Consolidação com a Quattor
Caso seja confirmada, a aquisição da Quattor resultaria na maior companhia do setor na América Latina, e 11ª maior petroquímica do mundo. Contudo, os analistas são cautelosos ao comentar o negócio, sobretudo devido ao alto endividamento da Quattor e de uma necessidade de capitalização caso a operação se complete.
Na visão do analista do Fator, a consolidação pode ser positiva para o ambiente competitivo no mercado interno. “Entretanto, a empresa resultante seria bastante endividada, necessitando de capitalização”, ressalva Fernandes.
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Apesar de consolidações na indústria serem geralmente positivas, a analista do Citigroup afirma que precisa de mais detalhes da transação, uma vez que a Quattor é muito alavancada e sua aquisição pela Braskem pode resultar em uma companhia muito alavancada.
“Qualquer consolidação precisará incluir a reestruturação da dívida da Quattor, uma vez que os vencimentos estão se aproximando”, adiciona Mello. A razão dívida líquida/Ebitda, que mede quantos anos a empresa demoraria para pagar sua dívida, é de 14,2 vezes, com base nos resultados de 2009.
Agregando quase todos os ativos petroquímicos do grupo Unipar, a Quattor Petroquímica compreende três empresas que formam o Pólo do Sudeste de produção de insumos básicos e resinas termoplásticas. Assim, caso haja fusão, a Braskem passaria a “deter praticamente o monopólio da produção doméstica de insumos básicos, polietilenos e polipropileno”, afirma o analista do Fator.
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Entretanto, o analista destaca que uma consolidação no setor reforçaria a posição competitiva contra os produtos importados. “Além de maior confiabilidade na entrega, os custos de frete, impostos e taxas de importação e logística são fatores favoráveis às produtoras brasileiras”, afirma Fernandes.
Vale lembrar que no último dia 8, a controlada da Petrobrás, Petroquisa adquiriu e transferiu 31% das ações da Braskem para a WBW, zerando sua participação nas ações ordinárias da empresa, mas mantendo nas preferenciais.
Sustentabilidade
Única empresa do setor que compõe o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial), a empresa desenvolveu programas internos relacionados ao tema, o que deve ser um diferencial, em função da crescente preocupação com questões ligadas ao meio ambiente.
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No final deste ano, a planta PE Verde entrará em operação, com a empresa atualmente formalizando contratos de etanol, que responderá por cerca de 70% da produção da nova planta.
Com isso, a partir do próximo ano, a Braskem passará a produzir polietileno verde (fabricado a partir da cana-de-açúcar) em escala industrial.
Recomendações
| Analista | Recomendação | Preço-alvo (R$) | Upside (%)* |
| Banco Fator | Manutenção | 14,30 | -4,02% |
| Itaú Corretora | Em linha com o mercado | 15,10 | +1,32% |
| Coinvalores | Compra | Em revisão | – |
| *Baseado no fechamento do dia 14/01/2010 | |||