Ações AALR3 disparam na Bolsa

Analistas veem “movimento ousado” da Rede D’Or ao propor compra da Alliar e destacam potenciais sinergias

Ampliação de portfólio, entrada no setor de diagnósticos e ecossistema de saúde mais forte justificam call positivo do mercado

SÃO PAULO – A Rede D’Or São Luiz (RDOR3) informou nesta segunda-feira (16) uma oferta pública voluntária (OPA) para a aquisição da Alliar (AALR3) por R$ 11,5 por ação, totalizando a operação em cerca de R$ 1,36 bilhão.

O valor representa um prêmio de 21,8% em relação à cotação de fechamento das ações da Alliar no pregão de sexta-feira (13) e de 12,6% em relação ao preço médio de fechamento ponderado por volume dos últimos 30 dias.

O movimento foi interpretado como positivo pelos investidores, com disparada de 19,91% das ações AALR3, para R$ 11,32. Já as ações RDOR3 encerraram próximas da estabilidade, negociadas a R$ 73.

Na avaliação da XP Investimentos, o movimento é ousado e atrativo para os acionistas de RDOR3, uma vez que a avalição implícita da transação é de um preço sobre lucro para 2021 de 21,6 vezes e um múltiplo preço sobre lucro de 19,8 vezes para 2022, que se compara aos 52,8 vezes e 37,3 vezes da Rede D’Or, respectivamente.

“Vemos esta transação como um movimento muito interessante para a Rede D’Or, pois amplia seu portfólio de serviços oferecidos com uma sobreposição de operações entre as empresas em sete dos 12 estados que a Rede D’Or opera atualmente. Além disso, aumenta sua exposição a diagnósticos e ajuda a Rede D’Or a criar um ecossistema de saúde mais forte”, escrevem os analistas, em relatório.

Com relação à Alliar, o time de análise também vê a operação como interessante, dado que representa um prêmio em relação ao preço-alvo da casa, de R$ 10, e é semelhante à avaliação do Fleury, que é referência em termos de valuation para os laboratórios no Brasil.

A XP reiterou sua recomendação de compra para RDOR3, com preço-alvo de R$ 88 por ação, e posição neutra em AALR3.

O time de análise da Guide Investimentos também vê o anúncio como positivo para Rede D’Or, uma vez que aumenta a presença do grupo em outros segmentos do setor de saúde além do hospitalar.

Segundo os analistas, a operação tem grande sinergia com as operações hospitalares atuais e é feita a um múltiplo atrativo, de 7,5 vezes o valor da empresa sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês), para 2021.

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Para a Alliar, a operação sai abaixo do preço do IPO da companhia, reforçando a dificuldade da empresa em ganhar escala e remunerar os acionistas minoritários, avaliam os analistas.

Segmento de diagnósticos ganha força

Com o segmento de diagnósticos ganhando força no mercado brasileiro, o movimento da Rede D’Or mostra que a rede de hospitais está acelerando sua entrada no setor, apostando seu crescimento nessa estratégia, destaca o Bradesco BBI.

Os analistas avaliam que a empresa deve cada vez mais apresentar o diagnóstico como um importante elo para o desenvolvimento do acompanhamento e monitoramento da saúde do paciente – um importante funil para alavancar outros serviços da Rede D’Or, escrevem, em relatório.

Segundo o Bradesco BBI, embora a Alliar tenha foco em um segmento menos premium do que o da Rede D’Or, este é o primeiro movimento da empresa no segmento, o que deve permitir agregar mais setores premium no futuro.

Além disso, o time avalia que o movimento deve implicar algum risco para os principais parceiros diagnósticos da Rede D’Or, pois, eventualmente, o fluxo de pacientes deve ser redirecionado gradativamente para os próprios laboratórios da Rede D’Or, conforme a rede cresce.

O banco tem recomendação outperform (acima da média do mercado) para os papéis RDOR3 e preço-alvo de R$ 82.

“Acreditamos que as fusões e aquisições no segmento de diagnósticos devem acelerar, com a Rede D’Or se tornando um importante player no segmento no longo prazo”, escreve o Bradesco BBI.

A casa de análise Levante também enxerga uma possível efetivação da OPA como bastante positiva para a RDOR3, que poderá incorporar uma companhia “com excelência na frente de diagnósticos, detentora da marca CDB, além de ser referência em ressonância magnética e operação remota de equipamentos por meio de centros de comando, permitindo escalabilidade”.

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As ações da Alliar (AALR3) também devem ser fortemente impulsionadas com a notícia, destacam os analistas, com o mercado já possivelmente incorporando o prêmio discriminado na proposta, mesmo antes de qualquer aprovação.

Cenário desafiador para Alliar

O Itaú BBA lembra que a Alliar tem enfrentado um cenário desafiador para retomar seu crescimento e repassar o aumentos de custos.

Isso acontece porque os operadores de saúde têm tido dificuldade de manter a alta dos custos sob controle, bem como em meio a operadores de hospitais expandindo seus portfólios de serviços para abraçar toda a jornada do paciente e oferecer melhores produtos aos pagadores.

“Acreditamos que a Alliar provavelmente continuaria a enfrentar tempos difíceis no curto prazo e que um movimento de fusões e aquisições seria necessário em algum momento”, escrevem.

O time lembra que o acordo de acionistas da Alliar, que evitava desinvestimentos por acionistas controladores, foi revogado na última sexta-feira (13), o que explica o movimento da Rede D’Or.

O Itaú BBA vê como resultado das sinergias um cenário de melhores aquisições, estabelecimento de nova relação comercial com pagadores, bem como eventual retorno de inaugurações de unidades orgânicas à medida que a Rede D’Or aumenta sua presença em São Paulo.

O banco tem recomendação outperform para os papéis da Rede D’Or e preço-alvo de R$ 88.

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