Analistas veem manutenção da Selic e aumento do tom do discurso do Copom

Momento em que cenário benigno para a inflação terá ponto de inflexão não está claro; maioria acredita em alta em abril

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SÃO PAULO – A reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), cujo encerramento acontece nesta quarta-feira (27), não deve trazer novidades quanto ao valor da taxa básica de juros do País – é consenso entre os analistas que haverá manutenção do patamar de 8,75% ao ano.

No entanto, o momento em que o cenário benigno para a inflação terá um ponto de inflexão e fará com que o comitê decida por elevação da taxa de juros ainda não está tão claro.

Para grande parte do mercado, o aperto monetário no Brasil começará em abril, com sinais mais evidentes já na ata da reunião de março do Copom, opinião compartilhada pela Rosenberg&Associados, pela corretora Ativa, pelos bancos Schahin e Safra, além do Bradesco.

Para o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, a expectativa de inflação ainda em torno da meta e alguma incerteza, ainda que temporária, quando ao ritmo de recuperação da atividade econômica serão os pilares da decisão de amanhã.

No entanto, a previsão é que o tom do discurso da autoridade monetária aumente. Apesar dos pontos de dúvida apresentados pela produção industrial, que recuou 0,2% em novembro na comparação com o mês anterior, por exemplo, “não há evidências consistentes de reversão da tendência altista da atividade industrial no Brasil”.

Hiato do produto
No Relatório de Inflanção de dezembro do Banco Central, o órgão manifestou sua preocupação de que a margem remanescente de ociosidade dos fatores de produção seja ocupada mais rapidamente do que o contemplado no cenário principal.

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Para o Bradesco, o fechamento do hiato de produto – a diferença entre o crescimento real do PIB (Produto Interno Bruto) e seu potencial – está em curso, e é um dos riscos ao qual o Copom estará atento.

Para o Santander, que acredita em elevação só a partir do meio do ano, com taxa de 10,75% ao final de 2010, o comunicado deverá apresentar alteração qualitativa, reforçando a importância do fechamento do hiato.

Para o banco, mantida a velocidade de recuperação da atividade econômica, a exaustão da ociosidade remanescente pode acontecer já no segundo trimestre.

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Já para a consultoria Tendências, haverá relativa acomodação deste fator ao longo de 2010, já que o nível de capacidade instalada ainda se encontra abaixo do patamar pré-crise.

Pressão inflacionária
Assim, a possibilidade de pressão sobre a inflação está sendo monitorada com atenção pelo BC, e os indicadores de janeiro, que mostraram certa aceleração, tiveram os resultados puxados por “fatores pontuais”, como as chuvas fortes, que propiciam a alta dos alimentos, e reajuste da tarifa de ônibus em São Paulo, por exemplo.

Por isso, a Tendências vê patamar estável para a taxa de juros até setembro deste ano, “permitindo a continuidade da recuperação econômica baseada em capacidade ociosa remanescente”, afirma.

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Este cenário seria revertido por eventual vigor da recuperação acima do esperado, o que faria a pressão inflacionária aumentar. “Os riscos de fato existem, mas entendemos que essas mudanças ainda não sinalizam uma antecipação de elevações da taxa Selic nas próximas reuniões, mas colocam um sinal amarelo para o médio prazo, quando esses riscos podem se tornar efetivos”, alerta.

Precaução
Na contramão, o Bank of America Merrill Lynch afirmou que o aumento de juros, que deve começar em junho e alcançar 10,50% ao ano em outubro, deve acontecer apenas quando a economia brasileira já estiver em ritmo mais lento, após crescimento acelerado, e servirá como precaução contra o cenário inflacionário de 2011, ao invés de indicar aperto na tentativa de refrear superaquecimento, aponta.