Analistas tentam antever rumo das ações de Sadia e Perdigão após associação

Especialistas levaram em conta fatores como relação de troca dos papéis, proporção no controle da BRF e sinergias operacionais

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SÃO PAULO – Depois de muita conversa, as administrações de Sadia (SDIA4) e Perdigão (PRGA3) finalmente chegaram a um acordo e anunciaram nesta terça-feira (19) a fusão de suas operações. O negócio, que ainda será submetido às autoridades brasileiras de defesa da concorrência, criará uma nova gigante da indústria de alimentos, denominada BRF (Brasil Foods).

De acordo com as informações detalhadas da operação, a relação de substituição aplicável aos acionistas controladores da Sadia será de 0,166247 ação da Perdigão para cada ação ordinária. Para os demais acionistas da companhia, que são os detentores de papéis ON fora do bloco de controle e os detentores de papéis PN, a relação será de 0,132998 por ação, equivalente ao tag along de 80%.

Conforme destacam os analistas, considerando como referência o preço de fechamento da última segunda-feira das ações da Perdigão (R$ 36,30), esta relação de troca implica em um preço de R$ 6,03 pelas ações ordinárias da Sadia pertencentes ao bloco de controle e de R$ 4,83 por ação PN e pelas demais ONs fora do controle.

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Tendo em vista estas cotações, a equipe da Link Investimentos avalia que a compra dos ativos preferenciais da Sadia é uma forma de se entrar na Perdigão com desconto. Para os minoritários dos papéis ordinários da companhia, no entanto, a recomendação da corretora é para que eles vendam suas ações, em função do prêmio sobre a relação de troca.

Proporção favorece Sadia

Os analistas do Santander, por sua vez, lembram que a proporção do controle da nova empresa criada pela associação ficará de 66,25% para a Perdigão e 33,75% para a Sadia. Por causa disso, acreditam que os ativos da segunda serão os mais beneficiados nos primeiros pregões após o anúncio.

Se levarmos em conta o desempenho dos papéis nesta terça-feira, a avaliação do banco pode se concretizar. Embora tenham reagido mal à confirmação da operação, as ações preferenciais da Sadia encerraram a sessão com queda de 5,05%, ao passo que as ordinárias da Perdigão fecharam com desvalorização ainda mais expressiva, de 6,36%.

Incertezas com oferta de ações

Para os especialistas do Citi – que elevaram na última sexta-feira o preço-alvo dos papéis da Perdigão – o anúncio não trouxe grandes novidades. No entanto, partindo para outra vertente do negócio, eles ressaltam que as incertezas envolvendo a provável oferta de ações da BRF tendem a pressionar os ativos de ambas as companhias.

Vale lembrar que, conforme foi ressaltado na coletiva de imprensa que informou os detalhes da operação, a Brasil Foods nasce com planos de realização de uma oferta de ações para captação de recursos no valor estimado de R$ 4 bilhões, a ser realizada até o final de julho deste ano.

Sinergias

Por fim, a equipe da Socopa se limita a dizer que, no primeiro momento, a fusão é positiva para ambas as empresas no longo prazo, na medida em que deve gerar ganhos de sinergias relevantes com a combinação de suas operações.

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Muito da expectativa em torno da BRF decorre das potenciais sinergias com a fusão. Segundo os presidentes dos conselhos de Perdigão e Sadia, será contratada uma empresa externa para ajudar “da forma mais profissional possível” a selecionar as melhores pessoas durante a transição.

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