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SÃO PAULO – Após atualizar as estimativas para a Usiminas (USIM3, USIM5) em 2010 e em 2011 e concluir que os papéis estão caros, os analistas Felipe Reis e Alex Sciacio, do Banco Santander, reduziram o preço-alvo para os papéis da Usiminas para o final deste ano, passando de R$ 22,50 para R$ 21,00. O novo valor reflete um potencial teórico de valorização de 11,1% sobre a cotação do último fechamento, enquanto a recomendação foi mantida em “abaixo do mercado”.
Ações caras
Segundo os analistas, as ações da companhia estão sendo negociadas com um múltiplo EV/Ebitda (valor da empresa sobre geração operacional de caixa) muito elevado, de 9,3 vezes, ante média de 6,4 vezes nos últimos três anos.
Fazendo uma análise de sensibilidade, os analistas consideram qual seria o panorama caso a empresa elevasse os preços locais em reais do aço em duas oportunidades, de 7% no segundo trimestre e, em seguida, outro reajuste de 7% nos meses seguintes. Mas mesmo com esse cenário mais otimista, a relação continuaria elevada, em 7,5 vezes, patamar considerado como não atrativo pelo Santander.
Novas estimativas
As conclusões são resultado de uma reavaliação das projeções para a companhia. “Estimamos que o nível mais baixo do desempenho operacional da Usiminas nos próximos trimestres será mais profundo que o esperado anteriormente (nossas estimativas anteriores para o ano de 2011 eram muito otimistas”, relatam os analistas, os quais acreditam que a companhia passará por um momento de deterioração adicional antes de se recuperar, ao passo que o futuro é incerto.
Reis e Sciacio declaram que os resultados do último trimestre de 2010 e primeiro trimestre de 2011 refletirão três pontos principais: a queda mais lenta que o esperado nos estoques – e o consequente reduzido volume de vendas; os menores preços em moeda local; e a elevação dos custos – minério de ferro, carvão e mão-de-obra – maior que a projetada anteriormente.
Deste modo, a projeção de lucro líquido e Ebitda para 2010 foi reajustada negativamente em 10% e em 6%, ao passo que as previsões para este ano apontam para valores 39% e 22% menores, respectivamente. O lucro líquido em 2011 deverá atingir R$ 910 milhões, enquanto o Ebitda será de R$ 2,6 bilhões.
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Terceiro trimestre melhor
No entanto, Reis e Sciacio projetam um cenário melhor para a empresa a partir do terceiro trimestre, apesar da queda no desempenho operacional da Usiminas nos três primeiros meses do ano.
Os analistas apontam que o desempenho operacional da empresa deverá iniciar uma recuperação gradual entre abril e junho, devido à capacidade de aumentar os preços locais do aço e do comportamento dos valores de minério de ferro e carvão. “Nosso modelo assume uma alta de 7% nos preços em reais, que será refletida nos resultados do terceiro trimestre, em nossa opinião”, escrevem em relatório.
Curto prazo ofusca longo prazo
Por fim, eventos de longo prazo constituem notícias positivas, como a provável decisão de vender a participação na Termiun por US$ 1,2 bilhão e novos projetos de crescimento, mas podem ser ofuscados por fundamentos negativos indicados no curto prazo, revelam os analistas do Santander.