Analistas do BES acreditam em forte alta da bolsa, no caso de queda rápida da Selic

Para analistas do banco de investimento, custo elevado de capital é importante entrave para mercado de renda variável

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SÃO PAULO – O Banco Espírito Santo (BES) divulgou, nesta sexta-feira, relatório com suas perspectivas tanto para o desempenho da economia internacional como brasileira em 2005. Além disso, os analistas do banco de investimentos traçaram também seus cenários para as taxas de juros e seu impacto sobre o mercado de ações.

Embora o cenário externo possa trazer riscos, representando o primeiro teste para os fundamentos macroeconômicos brasileiros desde 2002, os analistas mostram otimismo com o impacto da esperada queda da taxa Selic sobre o mercado de ações, apostando, em um cenário positivo, em forte valorização da bolsa.

Desaceleração da economia internacional

As principais economias ao redor do mundo devem ter menores estímulos monetários e fiscais, segundo os analistas do BES, em suas perspectivas para o mercado. Além disso, os analistas acreditam que o crescimento mundial em 2005 deverá ser inferior ao crescimento no ano passado, se aproximando de 4%.

O motivo pelo qual os estímulos monetários devem ser menores, de acordo com o BES, seria a necessidade de ajuste gradual de alguns desequilíbrios globais e de retorno das finanças públicas de alguns países em níveis mais sustentáveis.

Yields norte-americanos devem ficar entre 4,5% e 5%

Em relação aos mercados norte-americano e europeu, os analistas acreditam que apesar da recente alta dos yields dos principais títulos públicos, os níveis atuais continuam a dar suporte à renda variável, especialmente na Zona do Euro, onde o retorno dos títulos de 10 anos se mantêm abaixo dos 4%.

Apesar disso, a expectativa dos analistas é de que as taxas de 10 anos fecharão este ano entre 4,5% e 5% nos Estados Unidos e 4% a 4,5% na Zona do Euro. Entretanto, os baixos níveis de aversão ao risco, juntamente com processos de reestruturações financeiras, continuam mantendo os spreads dos títulos privados próximos aos mínimos históricos.

PIB brasileiro deve crescer 3,7% neste ano

No que diz respeito à economia brasileira, o BES acredita que a melhora dos fundamentos macroeconômicos do país, observada desde 2003, possa enfrentar o primeiro teste externo. Isso pode ocorrer em função da incerteza gerada pelo choque de preços das commodities e da manutenção do interesse dos investidores para ativos de maior risco.

Embora os analistas esperem uma desaceleração da atividade econômica neste ano, sua expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro apresente uma expansão de 3,7% neste ano.

Bolsa pode subir se juros caírem rápido em 2005 e 2006

De acordo com o BES, após a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) deste mês, a autoridade monetária deverá manter a taxa Selic em 19,50% até a reunião de setembro deste ano. A partir disto, os analistas acreditam que a taxa poderá voltar a cair em ritmo gradual de 25 a 50 pontos base até atingir 17,75% em dezembro de 2005, com perspectivas de que este movimento seja mantido em 2006.

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Já no mercado brasileiro de ações, o principal fator que impede uma performance melhor da renda variável é o elevado custo do capital. Mesmo assim, o Ibovespa ainda se encontra entre as bolsas com melhor performance internacional nos últimos 12 meses. Contando com a queda da Selic, que poderia levar o juro real para um patamar de 10%, o BES mostra otimismo com o mercado brasileiro, acreditando, em um cenário positivo, onde o Ibovespa possa atingir entre 33.000 e 35.000 pontos.