Publicidade
SÃO PAULO – Líder do acirrado mercado de telefonia móvel brasileiro, a Vivo (VIVO4) divide opiniões dos analistas: enquanto alguns se baseiam nos sólidos resultados reportados nos últimos trimestres, outros usam o mesmo dado para argumentar que, a partir de agora, o potencial de valorização das ações é pequeno.
Para a analista da Link Investimentos, Maria Tereza Azevedo, “os bons fundamentos continuam dando o tom do resultado da Vivo, no entanto entendemos que este cenário já está precificado, sem expressivos upsides para os papéis da operadora”.
Na mesma linha, James Rivett, do Citigroup, comemora os últimos resultados – alta de 3,4% na receita líquida no quarto trimestre de 2009 frente ao mesmo período de 2008, margem Ebitda (relação percentual entre geração operacional de caixa e receita líquida) de 32,7%, avanço de 1,1 ponto percentual, na mesma base comparação – e a atuação da administração e operações da empresa, mas não acredita em upside das ações.
Não perca a oportunidade!
“A questão é se a Vivo é capaz de trazer mais aumentos no Ebitda (geração operacional de caixa)”, afirma Rivett, explicando que, em sua análise, as margens das operadoras estão muito correlacionadas com o market share e, excluídos os impostos adicionais, a empresa está performando com prêmio frente aos pares globais.
Margens sem expansão
O analista do Citi explica que, de acordo com seu modelo, quando o fluxo de caixa livre está mostrando expansão, tem-se o momento mais lucrativo para o investidor. E, segundo as atuais estimativas, a Vivo estaria caminhando para a fase de maturidade, quando as ações da empresa reagem mais na direção de revisões dos ganhos de curto prazo, o que atualmente para a Vivo é estável.
Rivett diz ainda que há três razões para não enxergar expansões das margens com base nos patamares atuais. Primeiro, as margens de todo o setor brasileiro de telefonia móvel precisam ser ajustadas para maiores custos com impostos que ainda não estão presentes no mercado.
Continua depois da publicidade
Em segundo lugar, o analista acredita em forte correlação entre participação de mercado e margens Ebitda – desta vez não só para o mercado brasileiro, mas para o setor em geral – e como a Vivo possui um das mais altas relações neste sentido, haveria pouco espaço para aumentos. Por fim, Rivett questiona por quanto tempo é sustentável o gap entre as margens da empresa e as outras operadoras, que tende a diminuir com o tempo.
Por esses motivos, a preferência de Rivett no setor continua com a Tim, que tem maior potencial para expansão nas margens, nos resultados e para o upside da ação, na visão do analista. Além da ação da Vivo já estar bem precificada, o valuation da empresa está menos atrativo do que as médias históricas da companhia.
Por outro lado
Já o analista Rodrigo Villanueva, do Bank of America Merrill Lynch, reiterou a recomendação de compra para a ação após os resultados divulgados e se disse surpreso com a performance abaixo do mercado da ação em cerca de 2%, mesmo após a divulgação dos números.
“Vemos mais riscos de upside do que de queda para a projeção de margem Ebitda, de 31,4% para 2010”, afirmou. O analista ainda enfatizou o aspecto resiliente da empresa diante das promoções da Tim. Assim, mesmo considerando que pode perder um forte uspide, o analista passou a preferir os papéis da Vivo frente aos da Tim.
Guerra de preços?
Para a analista da Spinelli, Kelly Trentin, o resultado foi bom, mas a analista se disse receosa quanto ao fato de que o grande crescimento do tráfego e a manutenção do market share possa ter sido fruto de campanhas mais agressivas em preço.
“A Vivo afirmou que vai continuar focando na ampliação da atividade da base de seus clientes olhando para as ações de seus concorrentes. Ou seja, ainda que consiga aumentar sua eficiência, esse ganho pode ser repassado para os clientes em termos de redução de tarifas, o que resultaria no máximo em uma manutenção das suas margens”, avalia Kelly.
Continua depois da publicidade
Possíveis mudanças societárias
A analista da Link lembra que recentes especulações sobre um possível acordo a ser firmado entre a Telecom Italia, que controla a TIM, e a Telefónica, controladora indireta da Telecom Italia, sugere uma possível mudança societária futura nas duas empresas – Vivo e TIM.
“Apesar das incertezas acerca dos possíveis desdobramentos de tal evento societário na Itália, entendemos que os papéis podem ser beneficiados”, afirmou Mariana, se referindo aos ativos ordinários da Tim e da Vivo.
Mais rumores surgiram nesta segunda-feira (22), com o jornal português Diário Económico afirmando que a Portugal Telecom já possui uma estratégia financeira para adquirir as participações da Telefónica na Vivo, e a companhia aguarda apenas a concretização da fusão entre a espanhola e a Telecom Italia.
Continua depois da publicidade
Ainda de acordo com a publicação, a Portugal Telecom tem vários planos para a transação, os quais passam pela compra, com recurso à dívida de totalidade da participação de Telefônica, avaliada entre € 3,5 bilhões e € 4,5 bilhões.
Elevação de rating
Ademais, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s elevou o rating de crédito corporativo de longo prazo da Vivo, bem como os ratings das debêntures com vencimento em 2015 e 2019.
Quanto ao crédito corporativo, a classificação passou de “brAA” para “brAAA”. Do mesmo modo, as debêntures de R$ 1 bilhão e de R$ 810 milhões, com vencimento em 2015 e 2019, respectivamente, também foram elevadas de “brAA” para “brAAA”.