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SÃO PAULO – Mantendo a tendência verificada nas últimas semanas, a sessão desta segunda-feira (8) reafirma a expectativa dos investidores por novidades em torno das negociações sobre o preço do minério de ferro pela Vale (VALE3, VALE5). No entanto, o foco desta vez vai para o noticiário envolvendo uma das principais concorrentes da mineradora brasileira no setor.
Isso porque, na última sexta-feira (5), a australiana Rio Tinto decidiu cancelar um acordo de US$ 19,5 bilhões com a Chinalco – o qual previa um aumento de participação considerável da chinesa na companhia – ao mesmo tempo em que anunciou uma joint venture com a BHP Billiton, englobando os ativos de minério de ferro de ambas as empresas na Austrália Ocidental.
Como não poderia deixar de ser, a notícia foi recebida com surpresa pelos analistas que, apesar de elogiarem a solução encontrada pela Rio Tinto e pela BHP para unificarem suas operações, classificaram a associação entre as concorrentes como negativa para a Vale.
União das concorrentes é prejudicial
A Ativa Corretora, por exemplo, definiu a aliança estratégia entre as mineradoras como uma “solução inteligente”, na medida em que uma fusão ou aquisição seria provavelmente barrada pelos acionistas das empresas ou pelos órgãos reguladores da Austrália.
Para a Vale, no entanto, a instituição julgou o anúncio como “potencialmente negativo” no médio prazo, principalmente pela redução de custos que as companhias australianas terão com a operação. “Isso aumentará a competição e possivelmente resultará em preços de vendas menores”, explica a equipe da Ativa.
Os analistas do Itaú, por sua vez, destacam que a joint venture aumentará de forma considerável a capacidade de abastecimento das mineradoras no mercado chinês, assim como seu poder de barganha nas negociações envolvendo o preço do minério de ferro fornecido para o país asiático, atualmente o maior demandante do planeta.
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A avaliação é semelhante à da Ágora Corretora, que enfatiza a maior concentração no setor gerada pela operação. Segundo seus analistas, apesar de a Vale manter sua posição de liderança no segmento de mineração, a diferença para o segundo colocado reduz consideravelmente com a união das concorrentes. Para se ter uma ideia, a instituição lembra que, no final de 2007, a participação da brasileira atingiu 36,1% do mercado transoceânico, versus 33,1% da Rio Tinto e da BHP juntas.
Questão da Chinalco é positiva para o setor
Por outro lado, o encerramento das tratativas da Rio Tinto com a Chinalco é vista pelos especialistas como muito positivo para o segmento de mineração. Na opinião da Ativa, o fim do acordo faz com que o setor mantenha seus principais ativos protegidos da influência de importantes consumidores, no caso, os chineses. Com relação à Vale, a corretora acredita que podem voltar os rumores sobre aquisições no curto prazo.
A Ágora também atenta para a questão da maior interferência da China na mineradora australiana. “Se a operação fosse efetivada, a Chinalco passaria a ter assento no conselho da Rio Tinto, estreitando assim o relacionamento entre a companhia e o principal demandante de minerais e metais no mundo”, explica a instituição.
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Já a equipe do Itaú, que também classifica a falta de acordo entre as partes como favorável ao segmento, afirma que o fato deve ampliar a busca dos produtores chineses por oportunidades de fusões e aquisições no setor, o que poderia ser “potencialmente benéfico” para outra mineradora brasileira, a MMX (MMXM3).
Recomendações com ressalvas
Deixando os impactos de lado, as equipes da Ágora e do Itaú aproveitam para reforçar suas recomendações e preços-alvo para os papéis da Vale. No caso da primeira, a sugestão tanto às ações ordinárias como às preferenciais classe A é de “compra”, com targets de, respectivamente, R$ 44,16 e R$ 39,25.
No entanto, essa mesma corretora faz uma ressalva para o desempenho dos ativos da empresa nas próximas sessões. “(…) acreditamos que no curtíssimo prazo as ações da Vale continuarão a negociar com volatilidade, à espera da definição do reajuste do preço do minério de ferro, principalmente as negociações com as siderúrgicas chinesas”, prevê a Ágora.
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Os analistas do Itaú, por sua vez, acreditam que os papéis da Vale devam absorver sem maiores impactos as novidades sobre a Rio Tinto. Deste modo, a instituição segue classificando os ativos como “outperform” – acima da média – e projetando um preço-alvo de R$ 42,00 para os preferenciais classe A ao final de 2009.