Economia nos EUA

Analistas avaliam impacto sobre o Fed de crise da Grécia e volatilidade na China

"Os investidores podem estar começando a temer que a crise grega e a montanha-russa dos mercados acionários chineses possam enfraquecer o crescimento global", avaliou o estrategista-chefe de investimentos da Yardeni Research, Ed Yardeni

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Com a melhora do quadro econômico dos EUA no segundo trimestre, parecia claro para a maioria dos economistas que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) provavelmente começaria a elevar suas taxas de juros em setembro. Os últimos eventos de julho, no entanto, com a Grécia perdendo o controle de suas finanças, as bolsas chinesas mostrando extrema volatilidade, o preço do petróleo despencando e o dólar subindo, tornaram a perspectiva do Fed consideravelmente mais incerta.

Para o estrategista-chefe de investimentos da Yardeni Research, Ed Yardeni, todos esses fatores podem ter implicações econômicas mais amplas. “Os investidores podem estar começando a temer que a crise grega e a montanha-russa dos mercados acionários chineses possam enfraquecer o crescimento global”, avaliou Yardeni. “É uma preocupação legítima.”

A economista-chefe da RBS Securities para os EUA, Michele Girard, levantou preocupações semelhantes em nota a clientes, mas concluiu que é muito cedo para mudar sua expectativa para a primeira alta de juros do Fed.

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“Muitos nos perguntaram o que os desdobramentos da Grécia significam para a economia dos EUA e para o Fed. A situação muda muito rápido e, desta forma, está cedo demais para afirmar definitivamente”, disse Michele. “No momento, não vamos mudar nossa projeção de que o primeiro aumento de juros do Fed será em setembro”, acrescentou, lembrando que a reunião, prevista para meados daquele mês, ainda está relativamente distante.

Na opinião de Michelle, a futura ação do Fed vai depender das condições mundiais e dos mercados financeiros num momento bem mais próximo da reunião de setembro, além de novos indicadores dos EUA. “Continuamos confiantes de que (os dados dos EUA) serão suficientes na época para justificar um aumento de juros, mas o primeiro fator continua uma questão em aberto”, disse a economista da RBS Securities.

No entanto, se o dólar continuar avançando muito mais e as condições financeiras se deteriorarem, inclusive no que diz respeito aos preços das ações, Michelle disse que pode rever sua opinião.

“Se os desdobramentos na Grécia resultarem em condições de financiamento muito mais estreitas, as chances de um aperto pelo Fed vão diminuir”, disse a economista. Fonte: Dow Jones Newswires.