Inovação é chave

Analistas aplaudem transformações da Ambev – mas ainda não veem impacto nas ações da companhia

Analistas esperam por maior claridade sobre os benefícios das iniciativas da companhia, como a busca por maior digitalização

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SÃO PAULO – Inovação. Esta foi a palavra de ordem dos executivos da Ambev (ABEV3) durante o Investor Day realizado nesta semana no Rio de Janeiro.

Em meio à disputa bastante acirrada entre as fabricantes de bebidas, a companhia tem buscado cada vez mais em focar na tecnologia, na experiência do consumidor e no portfólio de marcas, de forma a alavancar a estratégia e a sua eficiência.

Foram cinco as prioridades estratégicas apontadas durante o evento: (1) expansão do segmento premium com escala; (2) diferenciação das marcas principais (família Brahma, família Skol e Bohemia); (3) impulso da acessibilidade de maneira inteligente; (4) crescimento via co-produtos; e (5) transformação do negócio através da tecnologia.

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Desta forma, a mensagem que a empresa passou para os analistas foi bastante positiva, dando sinais de que ela está buscando ficar bem posicionada para o crescimento de longo prazo.

A XP Investimentos destaca que a empresa fez 15 mil degustações com 25 produtos em três regiões do Brasil, de forma a descobrir a percepção dos consumidores em relação à cerveja (veja a análise completa clicando aqui).

“A descoberta é interessante: a percepção de preço aumenta com a intensidade do sabor. Isso posto, a Ambev mapeou as oportunidades, selecionando os produtos certos para acompanhar a tendência de consumo. Quando analisamos a contribuição da inovação para a receita em 2016, o valor era de 5%. Segundo a Ambev, veremos um aumento significativo: espera-se que esse valor atinja 10% em 2019, chegando perto de 50% nos próximos anos”, aponta a analista Betina Roxo.

Também em destaque, a empresa tem evoluído no segmento premium, com crescimento de dois dígitos em 2019, tanto quando o assunto é volume quanto participação no mercado. As projeções para o futuro são ainda mais otimistas, uma vez que o Brasil apresenta grande potencial de crescimento.

Segundo a Ambev, à medida que o mercado cresce, a fragmentação aumenta, com os consumidores buscando cervejas diferentes, o que leva à criação de novas marcas – o que se reflete já de forma significativa nos números da companhia.

Se, no passado, as quatro principais marcas da Ambev no Brasil representavam 90% das vendas, hoje elas representam 77%. Enquanto isso, as quatro principais marcas dos EUA, França e Reino Unido representam 30%.

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Para seguir com uma representação significativa, a estratégia da companhia para produtos premium é baseada em 4 pilares: (1) jogo de portfólio: marcas fortes e liderança em cervejas artesanais; (2) Inovação: 10% do consumo deste ano veio de novos produtos e novas embalagens também possuem um papel importante nessa frente; (3) Experiência do cliente: tornar-se digital, melhorar a rede de distribuição, personalizar a logística e focar na satisfação do cliente (NPS); e (4) experiência do consumidor.

Conforme aponta Betina Roxo, a Ambev vislumbra uma melhoria no mercado com a expectativa de maior renda disponível da população, fazendo com que os consumidores passem a usar produtos mais caros.

Quando isso acontecer, o consumidor vai se deparar com um portfólio de produtos muito melhor do que os existentes antes da crise. “A Ambev já está a postos, preparada para quando esse movimento acontecer”, aponta.

A empresa vê um espaço muito grande para elevar os volumes, já que 50% da população com idade acima da permitida para o consumo de bebidas alcoólicas não bebe cerveja devido à baixa renda disponível.

A Ambev também está se digitalizando ao construir uma plataforma que agrega valor aos clientes. Através do aplicativos, os clientes podem abrir solicitações em todos os canais, que são resolvidas em sistema centralizado (conectando as operações do cliente e da empresa). Além disso, o algoritmo do Venda Certa usa inteligência para sugerir o portfólio para cada cliente, aumentando a eficiência.

“Os custos com a melhoria do ecossistema e a conexão com os clientes de uma maneira muito eficiente, não são necessariamente maiores. Há um lado muito positivo: A tecnologia ajuda a atender mais pontos de vendas com melhor NPS e eficiência”, avalia a XP.

Desta forma, conforme aponta o Credit Suisse, o foco em premium ficou bastante claro e é onde eles veem a maior oportunidade de longo prazo da Ambev, passando de uma fatia de 2,5% em 2011 para 11,6% nos últimos doze meses.

Enquanto isso, apontam os analistas do banco suíço, embora a Brahma e a Skol tenham mostrado sinais de que estão fazendo um bom trabalho, o crescimento do volume neste segmento ainda depende muito da recuperação macroeconômica.

Sem catalisadores no curto prazo

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Apesar de todas as iniciativas, os analistas ainda se mostram bastante cautelosos com o potencial de alta para as ações da Ambev.

Betina ressalta ver as medidas como positivas, mas mantém recomendação neutra para os papéis ABEV3, enquanto vê as ações negociando em um patamar justo de 21 vezes o múltiplo do preço sobre o lucro.

Na mesma linha, Leandro Fontanesi e Tiago Mello, do Bradesco BBI, possuem a mesma recomendação com preço-alvo de R$ 20 (potencial de valorização de 2,20% frente o fechamento de quinta), uma vez que eles ainda esperam por maior claridade sobre os benefícios em potencial das iniciativas da companhia, como a busca por digitalização. Ao mesmo tempo, a fragmentação do mercado de bebidas segue sendo desafiador para a companhia.

Junta-se a eles o Morgan Stanley, que possui recomendação equalweight (exposição em linha com a média) para as ações, ao destacarem que, apesar do plano estratégico ser bem positivo, não há catalisadores de curto prazo para os ativos.

Para o Itaú BBA, por sua vez, aponta que a Ambev está fazendo sua parte, com uma “estratégia clara, sólida e coerente”.

“Acreditamos na capacidade de execução da empresa e gostamos dos primeiros sinais. No entanto, os ventos contrários são fortes e o senso comum é que a migração para um mercado mais diversificado e fragmentado, onde as marcas envelhecem mais rapidamente em todos os aspectos, é negativa principalmente para um líder de mercado como a Ambev. Acreditamos que as ações da Ambev são certamente um grande player para mitigar a diluição do mercado e da lucratividade a longo prazo, quando comparadas aos níveis pré-crise. Estamos de acordo com a recuperação econômica e dos preços. Porém, para mudarmos nossa opinião (e ela se tornar mais positiva), primeiro teríamos que observar um efeito mais forte da recuperação econômica e das iniciativas da empresa do que aquelas que já temos nos preços”, apontam os analistas Antonio Barreto, Gustavo Troyano e Renan Moura, do Itaú BBA.

Contrariando a maioria das análises, está o Credit, que possui recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado), mas com preço-alvo de R$ 20,50 (ou uma alta tímida de 4,75% frente o fechamento de quinta).

Assim, os analistas estão otimistas com as ações promovidas pela companhia. Porém, ainda estão esperando para ver o impacto que todas essas inovações terão nos números da Ambev.

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