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SÃO PAULO – Com forte queda de 6,03% na semana do dia 7 a 11 de maio para R$ 38, as ações preferenciais da Vale (VALE5) podem ser uma das principais oportunidades para traders na BM&FBovespa, visto que perderam importantes suportes nos últimos dias, como a região dos R$ 38,35, que havia sido testada, sem sucesso, no início de março, e tinha agido como resistência anteriormente.
Da última vez que a principal ação do Ibovespa havia se aproximado desse patamar, no dia 16 de janeiro, o pulo foi expressivo, gerando inclusive um gap de fuga, mostrando que o ativo precisava romper esse patamar para engatar um movimento mais forte de altas. Como na análise técnica o que é válido em uma direção geralmente é válido para a outra, será que VALE5 pode ganhar forças na queda?
Possivelmente. “O que deve prevalecer no curto prazo é a queda, então este é um bom momento para vir a realizar vendas”, afirmou Rodolfo Cavina, analista técnico da Sinais Consultoria. Ele destaca que a situação ainda não é tão ruim, já que VALE5 ainda busca mais um suporte importante antes de iniciar o que pode ser uma movimentação mais negativa: os R$ 37,50.
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Esse patamar corresponde a correção de 38,2% de Fibonacci, traçada com base no topo histórico da ação e o fundo da crise de 2008. “Graficamente está muito ruim para a mineradora, mas fica mais grave ao perder os R$ 37,50. Eu acredito que o papel possa buscar a região dos R$ 36 e R$ 35”, afirma Cavina. Isso permite aos investidores que realizem novas vendas à descoberto, buscando realizar ganhos após novas quedas.
Ação permite repique, mas queda deve prevalecer
É válido destacar, porém, a possibilidade de que o papel venha a ter um repique no curto prazo – abrindo a oportunidade de vender os papéis a um preço ainda mais atrativo. “Um repique agora seria uma oportunidade para fazer caixa. No gráfico diário, parece que os ativos já caíram demais, mas no gráfico semanal, há bastante espaço para quedas, e o gráfico mensal confirma isso”, ressalta Cavina.
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É importante entender uma nova alta como um repique, e não como uma oportunidade de entrar comprado em papéis que estão em franca tendência de queda. Médias móveis muito utilizadas pelo mercado, como 5, 21, 72 e 200 períodos apontam para baixo, e VALE5 está abaixo de todas elas, um forte indicativo de que o momento vivido pela mineradora não é bom.
Porém, o IFR (Índice de Força Relativa) está abaixo de 20, indicando um papel sobrevendido. A última vez que encostaram abaixo dos 20 pontos foi em agosto de 2011, quando ofereceram rápido repique. Quando avançarem, é possível que o trader tenha essa oportunidade de venda, desde que os papéis não desfaçam a situação baixista, o que Cavina acredita que só ocorrerá se conseguirem voltar para cima dos R$ 43.
Stress pode derrubar ainda mais os papéis
É válido destacar, porém, que os R$ 35,00 podem não ser o fundo de VALE5 – principalmente em um ambiente de maior estresse internacional. Neste momento, é capaz que os ativos busquem os R$ 33,50, patamar 11,84% abaixo do fechamento desta sexta. “Esse patamar representa os 50% da retração de Fibonacci naquela perna de queda e coincide com a queda de agosto de 2011”, lembra Cavina.
Este havia sido um patamar de resistência importante para VALE5, rompido em 2009. Desde então, esse patamar já foi testado quatro vezes, e em todas elas, a ação encostou e voltou a subir. Além de agosto de 2011, o patamar foi testado em maio de 2010 e duas vezes em julho daquele mesmo ano.
Queda pode derrubar Ibovespa
Contudo, para Cavina, isso só ocorreria mesmo com o agravamento das crises, ou com um novo choque no mercado, como foi o corte no rating norte-americano realizado pela Standard & Poor’s em agosto de 2011, que ao criar uma sensação de pânico generalizado no mercado, derrubou VALE5 para este patamar.
Caso ocorra, é muito capaz que o Ibovespa venha a sofrer com isso – VALE5, sozinha, representa quase 10% do índice. “É capaz dos ativos da Vale, juntos com os da Petrobras (PETR3; PETR4), que também vivem um mau momento, derrubarem o Ibovespa”, diz Cavina.
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Além disso, o grafista ressalta que o próprio momento técnico vivido pelo Ibovespa é bastante negativo: ele também caminha para atingir a retração de Fibonacci, nos 56.925 pontos, que representa também retração de 61,8%. Com isso, o índice pode zerar praticamente todos os ganhos de 2012.
Para novas altas, porém, o caminho é bem difícil, acredita Cavina. Apenas a superação dos R$ 43 pode fazer com que o papel busque patamares mais altos. Para os comprados em VALE5, o ideal é fechar suas posições, e se possível, inverter a mão e operar vendido. Além de ser uma ação com objetivos baixistas significativos, quem gosta de estar no papel mais representativo de um mercado em queda livre?