Repercussão do balanço

Multiplan (MULT3) tem mais uma vez resultados fortes e analistas reiteram recomendação de compra, mas ações fecham em queda

Resultado reforça a qualidade do portfólio da Multiplan (alto poder de barganha e vendas fortes) e das operações, mas ações caem após ganhos no mês

Por  Felipe Moreira -

Os números da Multiplan (MULT3) no segundo trimestre reforçaram ainda mais a visão positiva dos analistas no nome, graças principalmente ao aluguel mesmas lojas (SSR, na sigla em inglês) mais forte do que o esperado. As ações, contudo, tiveram queda na sessão, fechando com baixa de 3,25%, a R$ 23,80, em um movimento de realização de lucros. No acumulado do mês, as ações subiram mais de 8%.

De maneira geral, as casas de análise destacaram que os resultados reforçaram a qualidade do portfólio da Multiplan (alto poder de barganha e vendas fortes) e das operações (capacidade de aumentar os aluguéis sem prejudicar a saúde financeira dos lojistas).

“Como se tornou comum desde o início da pandemia, o ceticismo do mercado em relação à sustentabilidade do crescimento dos Shoppings foi confrontado com fortes resultados: aluguéis e vendas atingiram recordes históricos, custos de ocupação caíram abaixo dos níveis históricos e taxa de vacância é menor do que antes da pandemia, o que se traduziu em um fluxo de caixa saudável”, diz Itaú BBA.

Em relatório, assinado por Pedro Hajnal, Credit Suisse escreveu que a administradora de shoppings divulgou um conjunto de bons resultados. “A empresa conseguiu ganhar impulso na redução dos descontos, mas desta vez sem prejudicar o custo de ocupação dos seus lojistas. Embora o mercado começasse a se preocupar com uma possível desaceleração das vendas, tal cenário não se concretizou e as vendas ganharam força em julho.”

Para Bradesco BBI, a Multiplan apresentou “resultado positivo em todas as frentes, com o lado operacional impulsionado por sólidos custos de ocupação e fluxo de veículos, enquanto o lado financeiro apresentou forte resultado e geração de caixa”.

Além disso, analistas do BBI acreditam que a sólida batida abre espaço para mais revisões ascendentes.

A XP destaca que a receita de locação vinda dos shoppings cresceu 49,6% em relação a 2019, impulsionada pelo efeito do reajuste do IGP-DI. Além disso, a receita de estacionamento atingiu patamares sólidos de R$ 61,3 milhões, e o fluxo de veículos atingiu 95,3% dos níveis de 2019, abrindo espaço para novas melhorias nos próximos trimestres.

Do lado operacional, a XP diz que os custos de ocupação caíram significativamente para 13,3%, devido a diminuição de encargos comuns com ganhos de eficiência. Além disso, a inadimplência líquida caiu para 4,1%, apesar da maior receita de locação, enquanto a taxa de ocupação atingiu 95,3%, impulsionada por junho com ocupação de 95,8%.

A empresa registrou uma geração de caixa saudável, apesar de ser muito ativa na frente de recompra e capex. A relação Dívida Líquida/Ebitda, portanto, caiu para 2,0x de 2,4x no 1T22. Dessa forma, Itaú BBA reitera sua visão positiva sobre o setor e avaliação outperform (equivalente à compra) para Multiplan, com preço-alvo de R$ 30 frente a cotação de fechamento de quinta-feira (28) de R$ 24,60, o que representa um upside (potencial de valorização) de 21,9%.

O Credit Suisse também tem classificação outpeform e preço-alvo de R$ 29, potencial de alta de 17,9%. A XP Investimentos reitera sua preferência por Multiplan no setor, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 28,00, potencial de alta de 13,8. O Bradesco BBI é o mais otimista, com avaliação outperform e preço-alvo de R$ 36, o que significa upside de 46,3%.

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