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SÃO PAULO – Não é de hoje que os investidores, especialmente os iniciantes, costumam basear suas decisões de investimento no senso comum e na psicologia de massa. A escolha, entretanto, pode não ser a mais acertada, principalmente se considerados tempos de crise e recuperação.
O sendo comum, embora pareça muitas vezes ser a opção lógica, pode trazer falhas que levam a decisões mal-sucedidas, perda de oportunidades e prejuízos. Considerando erros comuns cometidos por investidores, Shane Oliver, CEO da AMP Capital Investors, lista 12 mitos dos quais deve-se desconfiar.
“O truque para um investimento de sucesso é reconhecer que o mercado (e as economias) são altamente complexas, que eles não vão na mesma direção indefinidamente, que os mercados geralmente focam em cenários prospectivos e que evitar as massas é saudável”, indica o estrategista.
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Mito 1: Taxa de desemprego alta impede recuperação econômica
Embora essa seja uma afirmação comum em tempos de recessão, ela é facilmente desmistificada. Afinal, se o pensamento estivesse correto, as economias iriam entrar numa espiral negativa e nunca se recuperariam de recessões. Segundo Oliver, esse seria o cenário previsto por Karl Marx que levaria ao fim do capitalismo.
“É claro que isso não acontece. Ao invés disso, o impulso à renda dos indivíduos proveniente de menores taxas hipotecárias, cortes tributários e estímulos no fim ofuscam o medo do desemprego de grande parte das pessoas ainda empregadas. Como resultado, elas aumentam os gastos, o que, por sua vez, estimula a economia”, explica Oliver.
Mito 2: Se a capacidade de utilização estiver baixa, as empresas não investem
De acordo com o estrategista, este segundo mito ignora o fato de que a capacidade de utilização está baixa durante uma recessão devido ao enfraquecimento dos investimentos. Quando a demanda cresce, os lucros melhoram, levando a um aumento dos investimentos e consequentemente a um aumento da capacidade de utilização.
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Mito 3: CEOs de empresas são boas fontes sobre o futuro da economia
Embora pareça lógica, já que os altos executivos das empresas estão em contato diariamente com números da economia, esta afirmação pode ser contestada pelo simples fato de que os CEOs normalmente estão focados nos números de suas companhias. “Isto não é para dizer que os comentários dos CEOs não têm valor; mas eles devem ser interpretados como dizendo onde nós estamos e não para onde vamos”, observa Oliver.
Mito 4: O ciclo econômico está interrompido
É normal que, durante os extremos dos ciclos econômicos, os investidores se deixem levar por otimismo ou pessimismo exagerados. Não importa quão boa a situação pareça, uma hora ela vai piorar. E vice-versa. “A história ensina que o ciclo de negócio provavelmente permanecerá vivo e bem”.
Mito 5: Apoio em massa a um investimento indica uma coisa certa
A psicologia de massa normalmente leva os investidores a escolher ativos que estão na moda, já que todos estão investindo no mesmo lugar e os comentários na mídia geralmente reforçam essa ideia. O problema, segundo Oliver, está no fato de que esse tipo de escolha pode funcionar no curto prazo, porém não é sustentável.
Afinal, se todos compram um determinado ativo, não sobra ninguém para comprar o mesmo quando uma notícia boa é divulgada. Por outro lado, se há uma notícia negativa, todos querem vender.
Mito 6: Retornos recentes são um guia para o futuro
O problema desse mito é que ele presume que bons ou maus retornos continuarão indefinidamente, de forma que ele resulta em investimentos focados no passado e não no futuro. É uma das causas do famoso erro dos investidores de comprar na alta e vender na baixa.
Mito 7: Crescimento forte é bom para as bolsas e crescimento fraco é ruim
“Isto geralmente é verdadeiro no longo prazo e em diversos pontos do ciclo econômico, mas nos extremos cíclicos é normalmente falho e constitui um outro grande erro dos investidores. O problema é que o mercado acionário visa o futuro”, afirma o CEO da AMP, relembrando que as bolsas começaram a cair em novembro de 2007, antes dos dados econômicos piorarem.
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Segundo Oliver, a história indica que os melhores ganhos no mercado acionário tipicamente são feitos quando as notícias econômicas estão ainda pobres e a recuperação está no começo ou nem mesmo é evidente. Um exemplo? O estrategista cita o rali dos últimos três meses.
Mito 8: Demanda forte por produtos deve impulsionar determinados setores na bolsa
Pode até ser que essa afirmação seja verdadeira no longo prazo, porém em determinadas épocas ela registra falhas, pois o mercado pode antecipar problemas ou recuperações de certos setores antes dos dados concretos, como acontece no mito 7. “Quer dizer, quando a construção civil está realmente forte, isso já deve estar precificado no valor das ações de imobiliárias. Assim, o mercado pode começar a antecipar um declínio”.
Mito 9: Déficits orçamentários impulsionam os yields de títulos
De acordo com Oliver, essa é uma situação que não ocorre sempre, embora pela lei de oferta e procura ela pareça lógica. Por exemplo, os períodos de crescimento nos déficits fiscais normalmente são associados a recessões, enfraquecimento das emissões corporativas, queda da inflação e corte nas taxas básicas de juro. Em casos como esse, os yields devem cair e não subir.
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Mito 10: Um portfólio diversificado libera o investidor para assumir mais riscos
“Este erro tem ficado claro nos últimos anos. Uma estratégia comum tem sido de montar portfólios menos baseados em ações e com maior exposição a alternativas como hedge funds, commodities, crédito, etc”, explica Oliver.
O problema é que, mesmo com a diversificação, os investidores assumiram riscos demais, sem ter ativos realmente defensivos em suas carteiras. Olhando os últimos dois anos, é possível perceber que, à exceção dos títulos públicos e da moeda, virtualmente todas as demais classes de ativos foram impactadas pela crise econômica.
Mito 11: Impostos devem ser prioridade na escolha de investimentos
Para alguns investidores, a redução dos impostos é um driver dos investimentos, mesmo que eles levem a perdas. Essa ideia, segundo o CEO da AMP, está errada, já que a prioridade deve ser o retorno do investimento e não a redução dos impostos.
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Mito 12: Especialistas podem prever o futuro dos mercados
Como bem foi visto durante os últimos dois anos que marcaram a crise financeira internacional, as projeções econômicas e de investimentos estão longe de terem um bom histórico de acertos. Embora sejam úteis, elas precisam ser vistas com cautela como uma fonte de contextualização histórica e insights sobre os movimentos futuros do mercado.
“Se projetar os mercados de investimentos fosse fácil, todo mundo seria rico e teriam parado de fazer isso”, brinca Oliver, acrescentando que “a chave das análises de especialistas é se inteirar de todas as questões que envolvem um mercado de investimento e entender qual é o consenso”. Portanto, novamente os investidores devem lembrar-se que analistas não preveem o futuro.