Reorganização

Americanas (AMER3) e Lojas Americanas (LAME4) avançam em fusão, com diluição dos controladores; ações disparam até 13%

Controladores se tornarão “acionistas de referência” e não deterão mais do que 50% do capital votante

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – As varejistas Americanas (AMER3), anteriormente conhecida como B2W, e Lojas Americanas ([ativo=LAME4]) disseram nesta quarta-feira (3) que seus controladores serão diluídos em fusão entre as duas companhias e deterão uma participação de 29,2% participação na empresa combinada Americanas.

Os bilionários brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, fundadores da 3G Capital, atualmente controlam a Lojas Americanas e se tornarão “acionistas de referência” e não deterão mais do que 50% do capital votante.

Eles decidiram abrir mão do controle da Lojas Americanas sem cobrar um prêmio por isso, disseram as empresas.

Uma vez concluída a operação, as ações da Americanas detidas por Lojas Americanas serão canceladas e cada acionista da Lojas Americanas receberá 0,186 ação ordinária da Americanas.

Um laudo de avaliação encomendado pela Lojas Americanas no âmbito da operação avaliou o patrimônio líquido de Lojas Americanas em 10,344 bilhões de reais, enquanto o patrimônio líquido da Americanas foi avaliado em 25,877 bilhões de reais.

A administração de Lojas Americanas também acrescentou que permanece a possibilidade de uma reorganização para migrar sua base acionária para uma nova sociedade, com sede no exterior, cujas ações seriam listadas nos Estados Unidos.

“Os méritos dessa ideia continuam presentes, tanto quanto o reconhecimento da relevância e complexidade do tema e de sua eventual implementação, que não deve retardar o aproveitamento dos benefícios da consolidação societária das duas entidades, ora proposta.”

O Itaú BBA diz ver a notícia como positiva, e um fator a impulsionar os papéis LAME3 e LAME4, sugerindo que o desconto da empresa tende a se encerrar. Também reduz preocupações que investidores possam ter quanto a governança (formas de exercício do poder e implementação da ordem que não passam diretamente pelo Estado) corporativa. Assim, o banco antecipou uma reação positiva do mercado às notícias, também no caso da Americanas.

A Levante Ideias de Investimentos também destaca que vê a união das bases acionárias das companhias como positiva, deixando sua estrutura mais simples, com melhor governança e com maior liquidez.

Por ser uma holding, as ações da Lojas Americanas (LAME4/LAME3) negociam com um desconto, o famoso desconto de manutenção ou desconto de holding. Dessa forma, com a combinação, o desconto deixa de existir.

“Após a conclusão da operação, a companhia ainda pretende listar suas ações nos Estados Unidos, criando a Americanas Inc, algo que também vemos como positivo, possibilitando à companhia uma maior visibilidade em suas ações e a levantar capital no exterior, que normalmente possui custos menores. Caso essa migração se concretize, os acionistas brasileiros poderão escolher entre receber BDRs ou permanecer com as ações listadas nos EUA”, aponta a Levante.

Após um início morno, as ações passaram a disparar e fecharam em forte alta. Os ativos LAME3 subiram 10,31%, a R$ 5,78, enquanto LAME4 fechou com alta mais forte, de 13,33%, a R$ 5,78. Já os ativos AMER3, que chegaram a cair durante a manhã, fecharam com forte alta de 6,57%, a R$ 33,27.

(com Reuters)

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